Companheiro Espiga de Milho defende jornalistas oprimidos
Quando estudamos o desenvolvimento das relações de trabalho no mundo, sua evolução partindo do trabalho escravo ao moderno assalariado e chegando até o profissional liberal, constatamos que leis, regras, códigos de ética e a criação de sindicatos foram passos dados em meio de disputas políticas que propiciaram acordos entre empregadores, empregados e, de certa forma, entre consumidores. Evidentemente, não havia na história da humanidade um modelo pronto de como tudo isso deveria ser feito. Nesse sentido, é bonito ver como relações sociais se desenvolvem a partir de experiências concretas.
Milhão do Patrão e Quitéria Estupefalda
Por isso é especialmente triste perceber que essa, digamos assim, estrutura processual, tenha sido desvirtuada pela ação proselitista de partidos políticos e correntes ideológicas, especialmente nos sindicatos de trabalhadores. Pior ainda é ver uma categoria profissional ser representada por militantes partidários que, não bastando o vexame de atuarem como militantes partidários, agem como adolescentes, valendo-se de artistas mambembes, fantasias e bonecos como instrumentos de “denúncia” e “protesto”. Escrevo isso após ler o jornalzinho do Sindicato dos Jornalistas do Ceará - Sindjorce. O texto exageradamente panfletário e as imagens de Maumau (o Papai Noel dos Patrões), da Quitéria Estupefalda (que é um daqueles humoristas que gostam de caricaturar as mulheres) e de um sujeito vestido como uma espiga de milho - O Milhão do Patrão, são constrangedoras.
Na hora do expediente
Um dos textos do jornalzinho pode ser conferido aqui. O Sindjorce acusa a direção do jornal Diário do Nordeste de intimidar jornalistas por causa da campanha salarial deflagrada pela entidade. É que os sindicalistas exigiam ter livre acesso às dependências do jornal para convocar uma reunião. Por algum motivo que me escapa, o Sindjorce não consegue reunir seus representados fora do horário do expediente em sua própria sede. Eles reclamam ainda de não terem obtido permissão para distribuir o jornalzinho sem antes ter que mostrá-lo aos responsáveis pelo estabelecimento. Por algum motivo que também me escapa, eles acreditam que podem fazer o que quiserem no que é dos outros.
Quando eu cursava história na UFC, um grupo do DCE interrompeu uma aula - cujo salário do professor é pago com dinheiro público -, para convocar uma reunião no horário de outra aula. Perguntei por que eles não faziam a reunião depois, sem prejudicar o andamento das aulas. Para não confessarem que ninguém iria a uma reunião por outro motivo que não fosse o de faltar aulas, fato que evidenciaria a ausência de representatividade deles, os bravos membros do movimento estudantil me chamaram de neoliberal.
É lamentável ver sindicalistas agindo como estudantes desocupados. Não entro aqui no mérito sobre a questão salarial. Aliás, na própria publicação do sindicato isso fica em segundo plano, mediante a apoteose de injustiças que os sindicalistas alegam ter enfrentado para paralisar o trabalho no DN.
Oportunidade de negociação
No site do Sindjorce, li que o Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Ceará apresentou “ofício dando conta da retomada das negociações da campanha salarial dos profissionais de impresso, interrompidas pelos patrões no dia 12 de dezembro. O ofício, datado de 30 de dezembro de 2008, informa que o sindicato patronal solicitou a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego uma nova mediação com o objetivo de sanar o impasse entre empregadores e empregados.”
Bom, é uma oportunidade de sentar à mesa e tentar um consenso de forma séria, sem piadinhas e gaiatices. O sindicato patronal pediu uma audiência devidamente mediada por uma autoridade constituída. Acredito que isso deva ser uma sinalização de boa vontade. Afinal, com testemunhas qualificadas, os fatos haverão de valer mais do que dos discursos.
Comunista de fé
Por último, para não dizer que o proselitismo esteve ausente do ato promovido pelo sindicato, vale ressaltar que Chico Lopes, o deputado comunista que era contra o Porto do Pecém e que depois quis batizá-lo de Padre Cícero, só ele e mais ninguém, esteve presente durante a manifestação, com direito a usar a estrutura do Sindjorce para discursar sem encaminhar solução alguma e para aparecer bem nas fotos.






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