24 Jul

Os verdadeiros Sem Terra são reféns do MST (artigo - O Estado)

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra  (MST) promoveu, no início da semana, mais uma onda de invasão a prédios públicos. Os alvos dessa vez foram as sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em sete estados: São Paulo, Ceará, Maranhão, Paraíba, Alagoas, Bahia e Goiás. Trata-se, naturalmente, de um crime. Experimente o leitor reunir alguns amigos para derrubar as portas da Caixa Econômica Federal e reivindicar o financiamento de imóveis. Imaginem se consumidores inadimplentes resolvessem tomar de assalto uma usina hidrelétrica para protestar contra os preços abusivos da energia cobrados aos pobres, com o requinte de fazer os funcionários reféns. A chance de alguma dessas hipóteses terminar com seus protagonistas na cadeia é praticamente certa. A menos que eles sejam membros do MST. Aí a coisa muda de figura. O grupo possui uma espécie de salvo-conduto para agir à margem da lei, sempre com a desculpa de combater a desigualdade social.

O pretexto para a nova onda de invasões é uma tal “Jornada de Lutas por Reforma Agrária”, cujo objetivo seria “cobrar mais agilidade nos processos de desapropriação e assentamentos dos agricultores”. Até parece. A verdade é que nem de longe a reforma agrária é o objetivo maior do MST. O movimento hoje é uma anacrônica instituição política que luta para destruir o capitalismo e ressuscitar o comunismo. Possui escolas que “ensinam” revolução para crianças, tudo financiado com dinheiro público. Somos o único país cujo governo eleito democraticamente sustenta um movimento francamente hostil ao Estado de Direito.

A maior prova de que a razão de ser do MST não é a distribuição de terras está no fato de que o movimento nunca fala sobre a produção em seus assentamentos, ou em emancipar os que lá vivem, gente que no fundo sonha em ser um pequeno proprietário rural. O MST vive de promover agitações constantemente, que garantem a fonte de renda do grupo. De invasão em invasão, mais recursos públicos lhe são destinados. Questões como prazo médio de permanência dos trabalhadores rurais e evasão nos assentamentos passam ao largo. É bom lembrar que esses assentamentos não pertencem aos agricultores, e sim ao governo, com a devida tutela do poderoso MST. Antes de atender às exigências por mais terras e mais desapropriações, seria interessante que o Incra informasse aos contribuintes quantos agricultores sem-terra já conseguiram o registro de posse no Ceará.

A verdade é que os sem-terra de verdade continuam nessa condição apesar das desapropriações e das invasões. Sem ter a posse legal da terra, essas pessoas não conseguem ter a autonomia do pequeno proprietário, nem estão protegidos por direitos trabalhistas, uma vez que não são empregados formais. Os sem-terra são usados como reféns de um discurso social, para partidos políticos possam fazer proselitismo e para garantir o financiamento de movimentos particulares.

23 Jul

Sem CPMF, arrecadação do governo aumenta. É que mudam as siglas, mas a fonte é a mesma

A arrecadação federal sobiu impressionantes 14% de janeiro a junho deste ano, mesmo sem a CPMF. Foram R$ 327,6 bilhões - 31 bilhões a mais que em 2007. Os dados foram divulgados pela Receita Federal, no início dessa semana.

Ora, quer dizer que mesmo com um imposto a menos, considerado vital para muitos, o governo arrecada mais? Milagre? Quando a CPMF foi extinta, Lula disse que a medida interessava aos sonegadores. O governador Cid Gomes, na ânsia de mostrar solidariedade ao presidente, chegou a dizer que o fim do imposto causaria um retrocesso nos investimentos. Uma penca de jornalistas e professores “especialistas” lamentou a má sorte da Saúde, que perderia 40 bilhões de reais. No entanto, vejam só o que aconteceu. Não só essa quantia se manteve, mas obteve um incremento de 31 bilhões. Na ponta do lápis, comparado com o ano passado, o governo teria, se quisesse, mais de 70 bilhões para inverstir na saúde.

O governo arrecada mais porque a carga tributária aumenta junto com a capacidade de arrecadação da Receita Federal. Basta o cidadão ver a própria conta de energia para conferir essa realidade. Metade do valor de um sabonete é feito de impostos. O medo de diminuir o ritmo dessa captação revela uma fragilidade histórica na administração pública nacional: a incapacidade de cortar gastos, aliada ao constante aumento no custeio da máquina. Resta saber até quando a fonte dessa riqueza, ou seja, quem paga a conta, aguenta.

21 Jul

Caso Dantas esconde briga interna no governo

A confusão envolvendo a prisão do banqueiro Daniel Dantas suscita variadas especulações sobre quem teria agido para dar visibilidade ao caso. A prisão de Dantas e de outros figurões foi filmada pela imprensa, que obviamente foi avisada pela Polícia Federal. A questão de fundo é: quem manipula a PF e quem se beneficia com o espetáculo? A reposta é difícil, muitos imaginaram que os tucanos estavam por trás da operação, mas logo descobriram que ao PSDB não interessa investigar um sujeito que teve participação junto aos Fundos de Pensão nas privatizações das empresas de telecomunicações, ainda no governo FHC. Ao atual governo interessa menos ainda, uma vez que Dantas trabalhou para a compra da compra da Brasil Telecom pela Oi.

Sobre mais esse escândalo, o jornalista Diogo Mainardi, da revista Veja, publicou em sua coluna trecho de um podcast (arquivo de áudio) produzido por ele quatro meses atrás. É uma boa síntese que bem explica como tantos interesses conflitantes conseguem ser atingidos ao mesmo tempo. Confiram e entendam como a prisão de Dantas é um capítulo de uma disputa interna no partido do presidente Lula:

“O plano da ala trotskista do PT, de Luiz Gushiken, era reestatizar a telefonia com dinheiro dos fundos de pensão e do BNDES. Como sempre acontece com os trotskistas, eles bobearam e acabaram com um picador de gelo enterrado no cocuruto. A Oi está abocanhando a Brasil Telecom, mas seu comando será entregue aos grandes financiadores de Lula e de seus filhos, em sociedade com Daniel Dantas. A ala trotskista do PT ainda pode tentar melar o jogo usando aquilo que lhe resta: um pedacinho da PF, outro pedacinho da Abin, outro pedacinho do Ministério Público. Para quem está do lado de fora, é uma farra acompanhar a guerra entre os companheiros petistas. O Brasil está completamente rendido. Agora só o PT pode destruir o PT”.

19 Jul

Vereador não é prioridade para o eleitor (no Jangadeiro Online)

A pesquisa Jangadeiro / Vox Populi mostrou que 77% do eleitorado ainda não decidiu em quem votar para vereador nas eleições de outubro, em Fortaleza. Ou seja, de cada dez entrevistados, apenas dois já têm um nome escolhido. Essa indefinição gera muitas especulações. Estariam os eleitores desconfiados dos parlamentares e dos políticos em geral? Os números antecipam uma renovação significativa na Câmara de Fortaleza? As pessoas menosprezam o Legislativo municipal?

Todas essas indagações são válidas e instigantes, porém ainda não é possível vislumbrar uma resposta definitiva sobre elas. Na prática, o que podemos afirmar com certeza é que o eleitor não prioriza as eleições proporcionais. Pensar em quem votar para vereador é uma decisão que o cidadão deixa depois, às vezes no dia mesmo de votar.

Entre os motivos que causam essa postergação, assinalados no primeiro parágrafo, vale adicionar mais um, de natureza mais objetiva: o calendário eleitoral. Como as eleições para o Executivo combinam com as do Legislativo, existe uma divisão natural a disputar a atenção do eleitor. O mais comum é que os candidatos a prefeito dominem o debate e a mídia, um vez que eles condensam em seu redor as forças políticas se enfrentam na eleição. O ideal, portanto, seria que as eleições majoritárias (prefeitos, governadores, senadores e presidente) ocorressem separadas das proporcionais (vereadores, deputados estaduais e federais). Os eleitores teriam mais foco para pensar sobre quais nomes escolheriam, sem confundir atribuições ou dispersar a atenção.

A pesquisa mostra também que os vereadores talvez não sejam cabos eleitorais tão eficazes como muitos imaginam. Na ordem de escolha, o cidadão procura decidir primeiro que será o seu prefeito ou prefeita, e só depois é que o vereador vem à mente da maioria. De forma inversa, a preocupação do vereador é a sua própria sobrevivência. Para eles, a eleição para a Prefeitura fica em segundo plano.

Para ler o original, clique aqui.

19 Jul

Charge

Charge de Duke, para o Super Notícia (MG)

18 Jul

O recado das pesquisas (artigo Jangadeiro Online)

A pesquisa Jangadeiro / Vox Populi sobre o desempenho de Luizianne Lins (PT) à frente da Prefeitura de Fortaleza é um importante instrumento para que os candidatos possam elaborar suas estratégias de campanha. Principalmente se cruzarmos esses dados com os números de intenção de voto, divulgados na última terça-feira (15).

Consideram a atual administração positiva (ótimo e bom) 27% dos entrevistados. Outros 39% a consideram regular e 33% avaliam a gestão de forma negativa (ruim e péssimo). Apenas 2% não se manifestaram. Desde logo, fica evidente que aproximadamente um terço do eleitorado aprova o governo Luizianne, e que um terço a desaprova. Os candidatos disputarão o terço restante.

Na pesquisa estimulada de intenção de votos a prefeita aparece com 26% da preferência, número próximo ao dos que consideram positiva a atual gestão (27%). Trata-se, portanto, de uma parcela consolidada que dificilmente mudará de opinião. Essa é a base que credencia Luizianne como uma das favoritas para o segundo turno. Na pesquisa espontânea, 42% do eleitorado está indeciso, algo próximo dos que consideram a atuação da Prefeitura regular (39%). A prefeita deverá focar o discurso nesse grupo de indecisos.

Por outro lado, Luizianne é a candidata com maior rejeição: 33% dos eleitores afirmam que não votam nela de forma alguma. É o mesmo grupo que considera seu governo ruim ou péssimo (33%). Esse é o ponto de partida de seus adversários. Novamente os indecisos, ou os que consideram a gestão atual regular, é que devem ser conquistados.

As campanhas, portanto, devem adotar, nesse início, um tom mais técnico, focado nas qualidades de cada candidato. As críticas deverão privilegiar aspectos de gestão, sem exacerbações ou ataques pessoais. A idéia é evitar passar a imagem de radical, que pode afastar o eleitor indeciso. Por quanto tempo isso vai durar, dependerá das próximas pesquisas.

17 Jul

A didática da Lei Seca (artigo para O Estado)

Ainda é cedo para mensurar os impactos da implantação da Lei Seca para motoristas, mas algumas manchetes de jornal adiantam que o número de acidentes de trânsito foi reduzido em vários estados. No entanto, cada um de nós, conversando no círculo social que freqüentamos, pode observar que o assunto é debatido com entusiasmo por todos. “A lei vai pegar?”, perguntam alguns; “parece que sim”, respondem outros. Na dúvida, a Polícia Rodoviária Federal já registrou um aumento de mulheres ao volante nas estradas, na volta das praias nos finais de semana.

O que levou beberrões convictos a adquirirem, do dia para noite, uma consciência cívica finlandesa? Se engana quem imagina que foi a alteração pura e simples no texto da lei. Embora fosse mais branda para esses casos anteriormente, a legislação já proibia motoristas dirigirem embriagados. O que mudou foi a possibilidade de cadeia e de multa pesada para os infratores. A certeza de impunidade foi substituída pela possibilidade de punição efetivada. A mera hipótese de ter que responder pelos próprios atos diminuiu o ímpeto de auto-suficiência que levava muita gente a brincar com a própria vida e com a vida de terceiros, e que de fato resultou em muitas tragédias.

A grande lição da Lei Seca é que, para resolver um problema ligado à violência no curto prazo, não há pedagogia melhor do que a velha e boa punição. Não é por acaso que o Estado de São Paulo apresentou o maior índice de redução de assaltos e assassinatos nos últimos anos, após investir na construção de cadeias e em equipamentos para a polícia. Mais prisões, menos criminosos nas ruas, menos assaltos. Nos EUA, o mesmo aconteceu em Nova York, com a famosa política de Tolerância Zero.

Muita gente boa torce o nariz para essa linha de raciocínio. Existe uma escola de pensamento bem disseminada que responsabiliza a sociedade pelos crimes cometidos por indivíduos. O sujeito rouba porque é excluído. O vendedor de produtos pirateados burla a legislação para não passar fome. Motoristas fazem transporte coletivo clandestino para sustentar a família. Jovens consomem drogas porque foram traumatizados na infância e porque o governo não lhes dá emprego. A lista de desculpas é infinita. Todo mundo tem um bom motivo para não fazer o que é certo. De concessão em concessão, sempre passando a mão por sobre as cabeças dessas criaturas aparentemente inofensivas, é que amargamos o escandaloso número de 50 mil homicídios por ano, segundo a ONU, o que equivale a uma guerra civil. Nesse ambiente permissivo é que quadrilhas de falsificadores aumentam o poder do crime organizado, que a concorrência desleal elimina empregos, que traficantes posam de justiceiros nas favelas.

Por isso, a Lei Seca deve servir de exemplo para as autoridades e para a população. Exigir o cumprimento das regras que normas de conduta na sociedade não é ser reacionário, é ser responsável.

14 Jul

Marketing do remendo

Contando com a colaboração de um leitor amigo, o Blog do Wanfil recebeu algumas fotos da inauguração do comitê eleitoral da prefeita Luizianne Lins. Como é de conhecimento público, o marketing da campanha está a cargo do publicitário Duda Mendonça, o mesmo do presidente Lula e um dos mais caros do país. Para quem não lembra, Duda foi protagonista do momento de maior tensão vivido pelo governo federal na época do menslão, quando revelou a uma CPI que recebia os pagamentos do PT através de uma offshore em um paraíso fiscal, para não ter que revelar a origem do dinheiro. Não deu em nada, embora Tarso Genro afirme que não existem intocáveis (ver post anterior). Voltando ao Ceará, podemos conferir na foto abaixo (clique para ampliá-la) o trabalho de Duda Mendonça no material da prefeita candidata.

A intenção óbvia é que a propaganda tenta colar a imagem de Luizianne em seus padrinhos políticos. Resta saber o poder de transferência do presidente e do governador nessa campanha. Nem sempre esse fenômeno é automático, além de variar muito em função das contingências eleitorais.

No entanto, podemos ver também na próxima foto que o material foi confeccionado sem o nome do vice, alvo de uma polêmica sem fim. No destaque em azul, é possível perceber que o nome do vice escolhido provisoriamente foi colado com uma adesivo, cuja tonalidade é ligeiramente diferente do original. É isso aí. Stálin também gostava de adulterar imagens com objetivos políticos.

 

13 Jul

Os intocáveis continuam soltos

Muita gente comemorou a ação da Polícia Federal que possibilitou a prisão de  Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pita, como o sinal de uma nova era de moralidade, amparada no aprimoramento das instituições da República e na vontade do governo. O ministro Tarso Genro chegou a declarar que não existiam mais intocáveis no Brasil. Alguns ingênuos acreditaram no oportunismo de evidente propaganda política. Outros, cínicos, mesmo sem acreditar no que diziam, trataram de reverberar a fala. Teve gente ainda que desconfiou da ação pela sua espetacularização, sem saber, no entanto, precisar onde estariam os verdadeiros interesses que a motivaram.

Não é a primeira vez que o jogo nos bastidores do poder faz emergir no noticiário alguns peixes graúdos, fisgados por alguma denúncia, nem sempre bem investigada. No anos FHC tivemos esse mesmo discurso supostamente moralizador com a prisão do banqueiro Salvatore Cacciola, ou com a quebra do banco Nacional, da família Magalhães Pinto, ou com o desmantelamento da quadrilha conhecida como os “Anões do Orçamento”.

No governo Lula tivemos a prisão da dona da Daslu e agora essas que ganham as manchetes do jornais. E só, apesar dos escândalos em profusão. Mas tudo isso reunido nãosignifica evolução alguma. São apenas cartas descartadas no submundo da política. Os donos da banca continuam muito bem. Sobre o caso, nada tenha a acrescentar ao comentário do cientista político Paulo Moura (www.professorpaulomoura.com.br

Em qualquer lugar do mundo boa parte da dinâmica do “grande jogo político” ocorre fora do alcance do cidadão comum, cuja capacidade de percepção se limita ao mundo das aparências que o noticiário expõe na vitrine dos escândalos. Os escândalos que se sucedem operam como cortinas de fumaça das disputas subterrâneas, travadas por baixo da mesa. Por baixo da mesa se executam as jogadas decisivas, estruturais, e que definem a continuidade ou a mudança dos padrões vigentes nos jogos de poder.

Por detrás das forças que disputam o controle do poder de Estado; isto é, o poder de decidir para o bolso de quem será direcionado o dinheiro público, existem grupos organizados, nem sempre agindo de forma lícita. A conquista e ocupação do poder de Estado, em geral, são conseqüência e resultado das jogadas dessas forças que operam por baixo da mesa.

12 Jul

Olha o Fernandes Filho aí! Quem?

Os jornais informam que a prefeita Luizianne Lins irá processar Fernandes Filho. Quem? Fernandes Filho, que deseja ser candidato a prefeito pelo PSDC. Por onde? Pelo Partido Social Democrata Cristão, que é controlado pelo deputado Gomes Farias. Fernandes Filho acusa o PT de comprar o apoio do PSDC, inviabilizando assim sua candidatura. A confusão rendeu porque se misturou com o imbróglio do vice de Luizianne. A Procuradoria Regional Eleitoral pediu para a Polícia Federal investigar a ata da convenção petista, que segundo Fernandes Filho, foi fraudada.

O fato é que os surpreendentes erros cometidos pela coligação da prefeita a expuseram de tal forma, que até a disputa interna dentro de um partido nanico e irrelevante a atingiram de forma barulhenta e perigosa. O início dessas eleições não poderia ser mais surreal. Agora o desconhecido Fernandes Filho virou peça central no jogo de disputas e de emoções típicas desses períodos.

Vamos aguardar os próximos lances. Vai aqui um palpite. Luizianne dará entrevistas afirmando que “gente poderosa” está por trás das ações de Fernandes Filho. Claro, ela não revelará nomes, apenas chamará esses supostos adversários por “eles”. Algo assim: “Eles não toleram que uma mulher esteja à frente de uma administração popular”, ou “sofro as conseqüências de enfrentar os interesses da elite, eles querem me tirar a qualquer preço”. Fernandes Filho poderá ser o gancho que a prefeita queria para poder se apresentar ao eleitorado no papel de vítima. Esperem. 

11 Jul

Salvando a análise política

Não costumo publicar textos de terceiros no blog. Mas em alguns casos, de tão bem feitos e de tão pertinentes, alguns artigos merecem ser publicados e repassados para o maior número possível de pessoas. É o que acontece com o novo texto do filósofo Olavo de Carvalho, publicado ontem no Jornal do Brasil, e que demonstra com perfeição e didatismo como o tema FARC se relaciona com a política brasileira. Daí a sua importância, revelar como algo que parece distante e alheio a nossa realidade - e que portanto nos causa indiferença - na verdade é demasiadamente próximo de nós. Segue abaixo, em azul, o artigo de Carvalho.

Salvando as Farc

Estranguladas pelo Exército, odiadas pelo povo colombiano, reduzidas a um décimo de seu contingente e, por fim, desmoralizadas pelo resgate espetacular de quinze reféns, as Farc estão seguindo o manual de instruções e fazendo exatamente o que a guerrilha brasileira fez em circunstâncias idênticas: partiram para o gerenciamento de danos e tentam desesperadamente transformar a derrota militar em vitória política.

Se bem sucedida, essa operação terá sido, no fim das contas, o triunfo mais espetacular que a gangue poderia ter desejado. Todos os clássicos da guerra revolucionária explicam que guerrilhas não têm por alvo derrotar o adversário no campo de batalha, mas forçá-lo a aceitar exigências políticas. Esse é o único objetivo a que podem aspirar e a única razão de ser da sua existência – e, para isso, a derrota militar pode ser ainda melhor do que a vitória. O exemplo do Vietnã ainda está na memória de todos, mas não precisamos ir buscar tão longe: nosso governo atual não é outra coisa senão as guerrilhas dos anos 60-70 transfiguradas em poder político pelas boas graças da anistia.

Não é, pois, de estranhar que, sob pretextos humanitários de uma hipocrisia abjeta, os apelos à desmobilização das Farc em nome da “luta pacífica” se espalhem por toda parte com a simultaneidade exemplar de uma orquestra bem afinada.

Quem soa a nota dominante é, como não poderia deixar de ser, o sr. presidente da República. Fingindo pena dos reféns mantidos em cativeiro e um ardente desejo de “paz”, ele sugere que as Farc abandonem a luta armada e sigam o exemplo do seu partido.

Para uma organização que matou trinta mil pessoas e manteve três mil seqüestrados presos em condições sub-humanas durante quase uma década, ser de repente admitida como partido político e automaticamente anistiada de todos os seus crimes é mais do que um presente generoso: é a vitória perfeita, a realização integral dos seus sonhos mais lindos.

Que o sr. Presidente da República venha a colaborar tão solicitamente para a realização desses sonhos é nada mais do que natural: durante dezesseis anos, como fundador e chefe do Foro de São Paulo, ele sentou-se à mesa com os líderes da narcoguerrilha e de outras organizações criminosas, traçando com elas a estratégia unificada da esquerda latino-americana para a conquista do poder total no continente. O princípio mais elementar e óbvio dessa estratégia não poderia deixar de ser a articulação dialética da violência armada com o esforço de organização política, ora convergindo, ora fingindo opor-se — e ludibriando a todos, enfim, pela alternância feliz da intimidação e da sedução.

A gratidão que as Farc têm por Lula e por seu partido expressou-se da maneira mais eloqüente na mensagem que enviaram a eles na última assembléia do Foro, em 2007, onde se derramavam em louvores a ambos por terem resgatado do perigo de extinção o movimento comunista na América Latina. Com seu pronunciamento recente, o sr. Presidente da República não faz senão dar continuidade à sua obra salvadora, que chegará ao seu ponto culminante no momento em que uma infinidade de crimes hediondos for premiada com a anistia geral e a elevação dos delinqüentes à posição de governantes legais. Governantes que, decorrido algum tempo, poderão então, com toda a calma, serenamente, metodicamente, ir destruindo um por um aqueles que os anistiaram, exatamente como faz hoje a guerrilha brasileira.

Ao sr. presidente pouco interessa que, entre as vítimas das Farc, estejam os funcionários da nossa Embaixada feitos em pedaços pelo atentado à bomba ali praticado em 1993, os milhões de crianças brasileiras levadas à autodestruição pelas drogas que as Farc distribuem no país, ou os nossos concidadãos mortos a tiros, nas ruas, por quadrilheiros locais que as Farc armaram e treinaram. Tudo o que lhe interessa é assegurar um futuro brilhante para aqueles seus companheiros de militância — assassinos, seqüestradores e narcotraficantes.

10 Jul

Se anúncios de obras e promessas fossem ativos, o Ceará estaria rico

Mais um capítulo na novela da refinaria. Dessa vez o deputado federal José Guimarães (PT) anunciou o presidente Lula da Silva e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, devem anunciar, no dia 29 de julho, aqui no Ceará, a esperada (e prometida) refinaria de petróleo. A informação foi repassa à imprensa após uma reunião da bancada petista na Câmara com Gabrielli, na terça-feira (8). Para quem acredita na força desses anúncios pomposos e retumbantes, basta lembrar que há mais ou menos um ano atrás, o mesmo presidente Lula veio ao Ceará anunciar milionários investimentos do PAC e garantiu que voltaria, no prazo de um mês, para anunciar a siderúrgica. Não veio. E a siderúrgica, se sair, será um empreendimento 100% privado.

No caso do mais novo anúncio pomposo e retumbante, o prazo de validade da promessa não durou nem sequer 24 horas. Procurado por jornalistas, o presidente da Petrobras afirmou:

Estamos nos estudos finais. Nos estudos de abastecimento de água e energia elétrica. Provavelmente dentro de poucos meses estaremos com acordo fechado com o governo do Ceará para fazer um estudo técnico final. Um empreendimento deste tamanho precisa de muitos estudos técnicos preliminares

Entenderam? Será anunciado algo que “provavelmente” e “dentro de poucos meses” poderá (ou não) existir. Qual a garantia? É o Lula, que poderia muito bem dizer: “La garantia soy jo”, como fazem os paraguaios. E se os tais “estudos técnicos preliminares” apontarem que o Ceará não é uma boa opção? O anúncio de Guimarães é uma pegadinha para enganar trouxas. No fim das contas, às vesperas das eleições municipais, a bancada do PT e o presidente da Petrobras decidiram que ainda irão decidir sobre a refinaria mais adiante. Essa informação, traduzida para o idioma eleitoral, se transforma em promessa. Mais uma.

08 Jul

Os bons companheiros

À evidência de que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – as FARC – são terroristas (a ONU define assim os que utilizam a violência contra civis para fins políticos e militares), e diante da constatação irrefutável que as mesmas são parceiras de grupos de esquerda na América Latina, muitos analistas, articulistas, cronistas e intelectuais, com o objetivo de preservar o mito de sua ideologia, procuram agora disfarçar essas verdades apelando para argumentos principais:

1 - As FARC eram um grupo revolucionário de inspiração marxista que lutava contra o governo colombiano por não aceitar a ingerência do imperialismo dos EUA, além da batalha contra o capitalismo. Nessa condição, os rebeldes contavam com a simpatia dos principais líderes da esquerda no continente, a começar por Fidel Castro. A prova dessa ligação está nas atas do Foro de São Paulo, entidade que reúne partidos e organizações irmanados por esse ideal. Particularmente revelador é o documentos que registra seu 10º encontro em Cuba (2001), no seu item quinto: “O Foro de SP resolve apoiar e encorajar os processos de diálogos desenvolvidos pelas FARC – Exército do Povo”;

2 - Que impelidas pelas vicissitudes da guerra, as FARC cederam a tentação de buscar financiamento atuando no narcotráfico, desviando-se assim de seu ideal primário e angelical. Mas ao descobrirem, somente agora, que as FARC seqüestram, torturam e matam civis, é que os membros do Foro de SP, entre os quais PT e PCdoB, passaram a espalhar que a narcoguerrilha não pode mais participar, oficialmente, de seus encontros.

A intenção desses formadores de opinião é separar a ação puramente criminosa da atividade ideológica, na esperança de preservar a áurea de pureza que envolve seu discurso. A mensagem a ser passada é a seguinte: as FARC eram de esquerda até que resolveram transgredir as leis e os conceitos de honra e decência. Trata-se de uma falsidade conceitual, pois essas premissas – ideologia e crime – não são, de maneira alguma, auto-excludentes. Aliás, tanto à direita quanto à esquerda, barbaridades foram cometidas em nome de causas. No entanto, nenhuma outra doutrina política na história da humanidade soube se valer tanto do banditismo e da violência quanto o comunismo.

Não é preciso ir longe para verificar que essa nova postura em relação às FARC não passa de um recuo tático para gerenciar danos de imagem. O recente episódio do resgate da ex-senadora Ingrid Betancourt mereceu do Itamaraty apenas uma nota de solidariedade aos reféns libertados. Nenhuma palavra de congratulação ao governo colombiano foi dita. Nenhuma crítica aos seqüestradores foi feita. No mundo da diplomacia o silêncio pode ser mais eloqüente do que as palavras. No dia 22 de abril passado, o senador Inácio Arruda (PCdoB) afirmou, em discurso no Senado Federal, que as FARC lutam contra injustiças, e acusou o governo colombiano, esse mesmo que libertou Ingrid Betancourt, de fazer “terrorismo de Estado”. E arrematou dizendo que fazer prisioneiros é algo inerente aos conflitos armados.

Não disse que ideologia e crime não são auto-excludentes?

06 Jul

Álvaro Uribe é o verdadeiro líder da América Latina

O resgate de 25 civis feitos prisioneiros pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), na Colômbia, foi mais um duro golpe militar e político para os narcoguerrilheiros. Principalmente após as declarações da ex-senadora Ingrid Betancourt.

Com lucidez, a mulher que passou seis anos presa por bandidos revolucionários fez questão de agradecer ao presidente colombiano Álvaro Uribe pela determinação em enfrentar - quando todos cobravam “negociação - os criminosos. Indagada sobre os riscos inerentes a uma operação de resgate, Betancourt disse que preferia morrer com uma mão na liberdade do que viver presa naquela situação. E lembrou, para o constrangimento de alguns fanáticos, que não se pode colocar em pé de igualdade uma força paramilitar com um governo democraticamente eleito. Para quem não sabe, é isso o que tem feito o governo brasileiro, que evita emitir opinião por entender que narcotraficantes e representantes do Estado são forças igualmente respeitáveis. Já demonstrei em vários posts, com documentação até, que essa postura resulta de uma afinidade ideológica entre a esquerda brasileira e as Farc. É só procurar no campo de pesquisa. 

Luta solitária
Não faz muito tempo o presidente Uribe foi pressionado pelos líderes da América Latina e pela França para ceder às chantagens dos bandoleiros marxistas. A verdade é que o colombiano tem que lidar com três outros presidentes que lhes são hostis e dois que disfarçam a preferência pelas Farc. Chávez, Rafael Correa e Morales chegam a ajudar diretamente as Farc. Lula e Cristina Kirschner posam de isentos, mas a própria resistência  em reconhecer o óbvio - que grupos armados que seqüestram civis são terroristas - já é por si mesma reveladora.

Vez por outra analistas debatem para saber quem é o líder da América Latina. Lula, presidente da maior economia da região, ou Chávez, o mais barulhento. Reunidos, os presidentes parceiros de ideologia, irmanados no discurso do antiamericanismo barato e liderados pela figura mítica e atrasada de Fidel Castros, essa turma cobrou de Uribe a libertação de criminosos em troca de reféns. Não vacilaram em transferir para o colombiano os ônus dos crimes cometidos pelas Farc. NENHUM condenou, até agora, os narcoguerrilheiros. Álvaro Uribe não faz discursos inflamados nem populismo. Devagar e sem medo, contando apenas com o apoio dos EUA (esse império que não aceita que terroristas tomem o poder na Colômbia), luta sozinho para manter a democracia, a legalidade e o estado de direito contra os sonhos e os interesses de certas ideologias.

06 Jul

Aviso aos leitores

A falta de tempo me impede de comentar, às vezes, fatos na hora em que eles acontecem. Muitos acham que isso pode ser um problema para um blog. Depende. Se o objetivo do blog for o de competir com agências e jornais, isso é correto. É o caso do jornalista Eliomar de Lima. Mas o foco principal do Blog do Wanfil não é a instantaneidade, e sim opinião embasada. Esse embasamento é constituído por experiência profissional e principalmente muita leitura. Acontecimentos aparentemente banais e desconexos podem ter conseqüências diretas em nossas vidas, encadeadas por interesses nem sempre visíveis ao senso comum.

No entanto, descompactar essa realidade composta de camadas sobrepostas de fatos e conceitos requer textos demasiadamente longos, o que dificulta a vida da maioria dos leitores, que já têm seus afazeres. A solução é buscar um meio termo entre a desconstrução desses sensos comuns que proliferam no jornalismo e a necessidade de apresentar uma argumentação lógica para desmascará-la. Ser direto e evitar o tom hermético dos textos acadêmicos. Manter o equilibrado entre a crítica rápida (sem ser superficial) e a análise aprofundada não é fácil. Esse é o desafio que me faz escrever no blog.