Vamos lá petistas: defendam Sarney como símbolo do progressismo!

O PT na oposição xingava Sarney, representante do Brasil oligárquico, clientelista e patrimonialista. Hoje no poder, por causa da crise, o PT no Senado pensou em se desfazer do aliado Sarney, mas o PT no governo interferiu e mandou seus militantes e parlamentares defenderem Sarney, apesar das denúncias que se avolumam, como a mais recente, uma casa de 4 milhões de reais que o bigodudo ocultou da Justiça Eleitoral.

Em qualquer roda de conversas é possível encontrar alguém posando de livre pensador, com ar grave, capaz de ver uma luz no fim do túnel da política brasileira justamente na “organicidade” e democracia interna do PT, o único partido que não teria caciques, que viveria em constante tensão justamente por causa das correntes que co-habitam a sigla, numa representação institucional da variedade popular brasileira.

Já escrevi posts e artigos demonstrando que isso é uma tremenda bobagem. Já indiquei livros, como o livro “Partido de Deus - Fé, Poder e Política“, do historiador Luís Mir, que mostram como essa idealização não passou de uma construção astuta. O PT não conseguiu fugir da tradição senhorial e personalista que marca os partidos políticos no Brasil. Seu cacique é Lula. A suposta democracia interna se desfaz no eficiente “centralismo democrático”. Os militantes podem divergir sobre tudo, até que tenham que marchar unidos em obediência às ordens do chefão. Heloísa Helena é a prova viva disso. A candidatura de Dilma, imposta aos militantes, é prova disso.

É claro que existem os inocentes úteis que aderem à causa e aceitam imposturas apenas para fazer parte do coro dos contentes ou por medo da patrulha. Esses, uma vez expostos aos fatos que fogem aos reducionismos dos chavões ficam sem saber o que dizer, apalermados, como o militante da charge abaixo, feita pelo Renato para o jornal A Cidade, de Ribeirão Preto. 

renato

Sarney tem os aliados que merece

Artigo publicado no O Estado

A crise política que atinge o Senado Federal é a prova cabal de que os vícios da política brasileira atingem todos os partidos. Contratação de parentes e amigos, distribuição de favores e vantagens para colegas, concessão de privilégios, nada disso é novo. No entanto, muitos alimentavam a ilusão de que a esquerda no poder trataria de mudar essa tradição. Triste engano.

A ideia de que a ética e a honestidade eram exclusividade de uma ideologia foi um sofisma que logrou sucesso no Brasil graças ao incansável trabalho de milhares de intelectuais engajados. Quem ousasse afirmar que a moral e a decência, assim como a desonestidade, eram atributos individuais e não de classe, era solenemente trucidado com a terrível designação de traidor dos trabalhadores.

Nesse ambiente distorcido figuras como José Dirceu brilharam como luminares da probidade, surfando na onda anti-Collor. Hoje o senador Collor de Mello é aliado de Lula e Dirceu foi cassado na esteira do escândalo do mensalão. Mesmo assim, apesar de tudo, muitos insistiam em acreditar que a proeminência de gente como Valdomiro Diniz e Delúbio Soarez não passou de um acidente que em nada maculou a origem pura do petismo.

É preciso reconhecer que a liderança esquerdista operou bem ao fechar o país numa redoma intelectual feita de teses velhas e falsos consensos, ideal para consolidar como fato verídico a mentira de que para ser idôneo bastaria ser filiado ao PT ou aos seus partidos satélites.

O cidadão mais informado, que não se prendeu à leitura do noticiário nacional, repleto de articulistas progressistas devidamente doutrinados, que foi além das bobagens de gente como Marilena Chauí ou Paul Singer, que não se contentou com os reducionismos Escola de Frankfurt, sabia, desde sempre, que o PT nunca representou nada de novo, que ele apenas deu nova roupagem ao patrimonialismo e ao clientelismo, travestidos agora de nacionalismo e preocupação social.

Por isso é que Lula e seu partido criticaram a imprensa para defender José Sarney. Suas convicções não passam de conveniências. E antes fizeram o mesmo com Renan Calheiros e Severino Cavalcante. Pessoas que no passado eram execradas como símbolos da corrupção, agora são tratados como vítimas do “denuncismo” da mídia burguesa.

Em setembro de 2007, durante um comício em Aracaju, ao falar sobre sobre Sarney, Lula disse, com sua semântica peculiar: “Ademar de Barros e Paulo Maluf poderiam ser ladrão, mas eles eram trombadinha perto do grande ladrão que é o governante da Nova República, perto dos assaltos que faz”. Onde estão os intelectuais agora? A resposta é simples e constrangedora. Continuam trabalhando, criticando a imprensa e homenageando a sabedoria infusa do nosso presidente.

Paul Singer não tem vergonha. É o homem certo no lugar certo

O economista Paul Singer, juntamente com os colegas Aloísio Mercadante e Maria da Conceição Tavares, foram tratados durante um bom tempo, na época de oposicionismo, como luminares do pensamento econômico esquerdista brasileiro, embora suas obras não tenham dado em absolutamente nada.

Para se ter uma idéia da importância desses pensadores - críticos contumazes do “sistema” e da economia de mercado, e apologistas da planificação -, basta ver onde estão cada um. Maria da Conceição, a mais desbocada e radical, foi varrida para o limbo do esquecimento. Mercadante, que tantas vezes denunciou o Plano Real como uma mentir inconsistente, virou senador e hoje atua faceiro como abafador de CPIs, longe, bem longe do Ministério da Fazenda. E Singer ganha a vida como secretário nacional de Economia Solidária, uma dessas funções de nome bonito e carentes de objeto, criadas para acomodar o petismo no poder.

Pois bem. Paul Singer, um senhor de idade, concedeu uma entrevista à Agência Brasil, onde reclamou da “campanha de moralização das parcerias do governo federal com as entidades sem fins lucrativos da sociedade civil” que, segundo ele, é uma forma de “matar a galinha dos ovos de ouro”. O economista apenas repete as desculpas do chefão Lula, ao dizer que o excesso de burocracia e controle atrapalham as políticas sociais; que é uma forma de justificar a falta de resultados em algumas áreas.

Vejam dois trechos da entrevista:

ABr: Essas restrições surgiram a partir da Comissão Parlamentar de Inquérito das ONGs?
Singer: Isso. A partir de 2007 começou uma caça às bruxas, a meu ver. É sempre a mesma coisa: há irregularidades? Sim, há. Devem ser evitadas? Sim, devem. Só que as irregularidades, provavalmente, estão presentes numa minoria de contratos. Sei lá: 10% ou 15%. É difícil calcular. Talvez você evite alguma coisa, mas, em compensação, as dificuldades que você cria… Para começar, custa caro ao erário. Algumas vezes, tanto ou quanto as fraudes custavam antes. Mas, antes de mais nada, você atrasa e dificulta políticas que ajudam milhões de pessoas.

Vejam que primor de pensamento, quanto rigor intelectual. Ele não sabe em quantos contratos existem irregularidades justamente porque O CONTROLE É FALHO!  A respeito desse número, Singer mesmo confessa: “Sei lá”. Para depois chutar, como um estudante em prova de vestibular: “10 ou 15%”. E sem pudor algum, sem a menor cerimônia, simplificando grosseiramente as coisas, o velho professor defende que não se gaste tanta energia e recursos no combate às fraudes. Definitivamente, falta vergonha a esse senhor, defeito que, pelo visto, é tomado como qualidade por seus superiores. Imaginem se fosse Maluf quem disse que evitar corrupção custa caro. Tem mais:

ABr: Qual seria a alternativa? Como moralizar e ao mesmo tempo não impedir que as políticas públicas aconteçam? Qual seria esse modelo?
Singer: O modelo, na verdade, deveria parar de proibir coisas. Os que fazem os convênios, como o Ministério do Trabalho, no qual eu estou, praticamente não foram consultados. Isso está sendo feito pelos órgãos de controle. Não estou discutindo as boas intenções deles. Só estou dizendo que eles não entendem as dificuldades que nós temos porque eles não fazem convênios. Órgão de controle como Tribunal de Contas, Controladoria-Geral da União e mesmo os ministérios do Planejamento e da Fazenda não fazem convênio. Não precisam.

Viram? É a moral petista fazendo a malandragem se passar por coisa digna. No fundo, o governo se vale de gente da envergadura moral de um Paul Singer para defender menos fiscalização e satanizar os órgãos de controle, especialmente o TCU. Querem passe livre para atuar sem a incoveniência da moralidade e do controle, como se estivessem eles, os mensaleiros, acima de qualquer suspeita.

E tem uma coisinha que poucos lembram. O título de ORGANIZAÇÃO NÃO GOVERNAMENTAL já deveria dizer tudo. Se não é governamental, que se vire para conseguir patrocínio. Ou então que aguente a burocracia. Se é para funcionar com dinheiro público, que se submeta às regras dos órgãos oficiais, legítimos canais por onde ele deve transitar.

Economia solidária
Por último, para não prolongar demasiadamente o texto, uma consideração sobre a chamada economia solidária. Trata-se, em si, de uma expressão vazia, um maneirismo politicamente correto, cuja função é iludir o público. A sugestão embutida é a seguinte: para contrapor a economia capitalista tradicional, de suposto viés moral egoísta, os progressistas bacanas oferecem a tal economia solidária. É bonito mas não enche barriga. Não por acaso quem comanda a economia brasileira é um banqueiro (e não bancário) tucano (e não petista): Henrique Meireles. Lula é esperto o suficiente para saber que os Mercadantes da vida não são de nada.

A economia não é nem egoísta, nem solidária. Nem alegre, nem triste. Ela é eficiente ou ineficiente. Essa é a diferença que importa. Sendo eficiente, inclui mais pessoas, sendo ineficiente, gera pobreza e exclusão. O resto é firula.

Parada Gay 2009: buraco bom é buraco fechado!

Cheguei ao texto que reproduzo logo mais abaixo via Twitter do mordaz Norton Lima Júnior. Vejam como a situação de Luizianne Lins está complicada. Assim como Marta Suplicy em São Paulo, a prefeita de Fortaleza transita com desenvoltura no que se convencionou chamar de movimento gay. Há uma certa, digamos assim, identidade entre ambos, sempre comentada nos bastidores políticos de forma muito restrita. Mas essa ligação não impediu que Luizianne fosse exposta ao constrangimento de ser cobrada, publicamente, pela situação das vias esburacadas da capital cearense. É que alguns gays, que provavelmente não fazem parte da organização do evento, não são - com o perdão do trocadilho - passivos, quando o assunto é gestão pública.

Costumo dizer que os gays não merecem o movimento gay que possuem, por dois motivos. Primeiro, a estratégia de chocar, apelando, não raro, a um tipo de escracho de gosto estético duvidoso, que invés de altivar a imagem do homossexual, acaba por rebaixá-la a uma mera expressão de sensualidade. Vale dizer: fala mais de prazer sexual e menos, muito menos, de sentimento. Erro que também é comum aos heterossexuais, com a diferença que estes não fazem paradas. Segundo, a ligação do movimento com agendas político-partidárias, o que, sempre, limita a legitimidade da causa. A cobrança por respeito e tolerância não pode estar submetida ao crivo eleitoral ou partidário de grupos políticos. Tenho, portanto, preconceito sim, não contra o homossexualismo, mas contra o aparelhamento daquilo o que deveria ser uma expressão livre de amarras políticas, afinal, existem gays com variadas opções ideológicas. De certa forma, ir a uma parada gay é ir a um comício do PT. Esse atrelamento automático é injusto com os próprios gays, que parecem assim dependentes de uma força exterior a eles mesmos.

Segue abaixo texto extraído do blog da Para Gay 2009:

Prefeita Luizianne Lins discursa na Parada Gay de Fortaleza

Mitchelle Meira, da Coordenadoria da Diversidade Sexual, foi quem fez as honras da casa: “Gostaria de chamar a nossa prefeita Luizianne Lins!“. O público foi ao delírio, em meio a alguns gritos de protesto: “Luizianne, vai fechar os buracos da cidade!”. Mesmo com as críticas, a prefeita foi bastante aplaudida.

À multidão, Luizianne Lins falou: “Estou muito feliz de participar desse momento tão especial para a comunidade gay do Estado do Ceará. Nosso governo tem como uma das metas a luta contra a homofobia em nossa cidade. Em 1999, éramos apenas 300 pessoas e hoje somos quase 1 milhão que invadem a Av. Beira Mar. Isso é uma vitória de todos nós”. Quem estava à frente do trio emocionou-se.

Mitchelle Meira é um exemplo no que dá confundir grupo civil com partido político. Nas últimas eleições ela foi candidata a vereadora pelo PT. E nisso não há nada de errado. Mas como coordenadora do evento, fica aquela impressão de que celebrar a presença da prefeita correligionária é uma forma de tentar convergir a simpatia pela causa - a luta contra o preconceito - com o desejo de Luizianne de re-encontrar a popularidade perdida.

Fizeram muito bem os gays que aproveitaram o momento de luta em defesa da diversidade sexual para cobrar que a prefeita mostre serviço. Foi o partido dela quem misturou as coisas primeiro.

Entenda porque ele foi o Rei do Pop

Se a pobreza diminuiu, por que o Bolsa Família não para de crescer?

O ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, afirmou hoje (25) que o  Bolsa Família não é assistencialista, pois existem projetos para os beneficiários do programa  destinados à capacitação, qualificação e inserção dessas pessoas no mercado de trabalho, aproveitando especialmente as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Em seguida o ministro falou sobre o aumento dos recursos aplicados anualmente no Bolsa Família, que neste ano será de R$ 32 bilhões, quase um terço a mais que em 2008. As informações estão no site da Agência Brasil.

Dúvida
Se o Bolsa Família tem diminuído a pobreza no país, como dizem por aí, por que os gastos com ele aumentam ano após ano? E notadamente em anos eleitorais? Patrus Ananias alegaria que não é fácil corrigir 500 anos de injustiças (como se para os antecessores fosse), ou que “nunca antes nesse´houve um programa de transferência de renda como este”, mas nada disso responderia a pergunta. Ou a pobreza aumentou, elevando os custos do Bolsa Família, ou ele não é eficiente como o governo apregoa, ou, o que acredito ser mais provável, ele é um programa sem metas, um ativo eleitoral sem critérios técnicos bem definidos e sem fiscalização, ou seja, assistencialismo puro.

Nota. Essa conversa de que o PAC é a porta de saída para os beneficiários do Bolsa Família foi uma das maiores cascatas que eu já ouvi na vida. Primeiro, o PAC não existe; segundo, o Bolsa Família não visa emancipar ninguém, pelo contrário, deseja mesmo é tutelar os eleitores mais pobres.

Como não resolver problemas e parecer eficaz 2

No dia 28 de junho passado escrevi para o jornal O Estado o artigo Como não resolver problemas e parecer eficaz, no qual fiz considerações sobre a atual tendência das autoridades de “substituir feitos por falatórios intermináveis”, para dar a impressão de que algo está sendo feito, apesar da inoperância no mundo real. Um dos segredos para o truque, disse, é ” batizar reuniões infecundas com nomes grandes e cheios de clichês politicamente corretos”. Na ocasião, usei a I Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), como exemplo desse fenômeno.

A edição do jornal O Povo de hoje publicou artigo de Sandra Helena de Souza, professora de Filosofia, Ética e membro do Laboratório de Análises da Violência da Unifor, no quela ela relata sua experiência nessa conferência. É a prova de tudo o que eu disse. Transcrevo abaixo algumas passagens do texto da professora (na cor vermelha), cujo título é Segurança cidadã, intercalados com comentários meus, em azul.

Na última semana em Aracaju, participei juntamente com representantes de todos os estados do Nordeste, de um curso promovido pelo Ministério da Justiça e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – Pnud sobre Convivência e Segurança Cidadã. Os alunos, éramos todos membros das Comissões Organizadoras Estaduais – Coes das respectivas etapas estaduais da I Conferência Nacional de Segurança Pública – Conseg que ocorrerá de 27 a 30 de agosto em Brasília. Nossa etapa estadual tem início hoje à noite no Centro de Convenções e prossegue amanhã em auditórios e salas cedidos pela Unifor, onde ocorrerão mesas-redondas e grupos de trabalho, para encerrar-se na sexta, novamente no Centro de Convenções onde será sistematizado o relatório final da etapa e elegeremos os delegado-representantes do Ceará para a etapa nacional. É um rico processo de consolidação da cultura democrática entre nós, um país que não pode se orgulhar de ter 50 anos ininterruptos de exercício de democracia. 

Certamente trata-se de um processo rico. Promover viagens, encontros, reuniões, tudo com seus respectivos gastos com passagens, alimentação e hospedagem, não é para qualquer um. Sabem como é, ”consolidar a cultura democrática” custa caro.

Essa I Conseg se reveste de uma significação histórica especial. Ainda que a chamada Constituição Cidadã de 1988 tenha sido um instrumento propulsor de mudanças extremamente relevantes em muitos campos das políticas públicas (em particular aquelas voltadas às áreas sociais e de promoção de direitos), o mesmo não aconteceu no campo da segurança pública, e isso, sobretudo em função da história colonial escravista e de seguidos regimes de exceção e autoritários que consolidaram o mito de que segurança é segurança do Estado, antes de tudo associada à reatividade e à repressão que sempre atuou em consonância operativa com a violenta apartação social promovida por nosso modelo econômico excludente, uma das nações que mais concentra renda no mundo. 

Não bastasse enfrentar a nossa tradição autoritária para consolidar a democracia, a professora informa que a Conferência, de quebra, ainda serve para suprimir eventuais omissões da “Constituição Cidadã”, além de resgatar dívidas históricas ligadas ao nosso passado escravista. Uau! Sandra Helena, com esse palavreado pomposo, está dizendo que as forças policiais são instrumentos repressivos a serviço das classes dominantes (brancos e ricos) contra as classes dominadas (pobres e negros), e que a culpa disso é a “concentração de renda”, vale dizer, o próprio capitalismo. Mais clichê, impossível. Por essa lógica, Marcola e Fernandinho Beira-Mar, vejam só, são vítimas do “sistema”. A professora não apresenta números, pesquisas, análises comparativas que demonstrem o que ela diz. A essência do seu discurso é centrada em um esquematismo marxista pronto e acabado, sem tocar no fato incontornável de que o poder repressivo do Estado é um pilar para estabilizar e proteger as democracias. A segurança do Estado, quando prevista por uma Constituição democraticamente elaborada, com funções e limites fixados, é legal, LEGÍTIMA e imprescindível. Sem um estado de direito, a democracia é capenga.

Para consolidar o novo paradigma de Segurança com Cidadania, numa área particularmente difícil, o processo reúne, pela primeira vez, gestores, trabalhadores da área de segurança e atores diversos da sociedade civil para discutirem e juntos elaborarem os Princípios e Diretrizes que deverão balizar a Política Nacional de Segurança Pública. No referido curso preparatório, nossa delegação que como as outras reuniam atores sociais de olhares diversos, delegado, promotor de justiça, defensor público, perita criminal, representante da Central Única das Favelas, dos conselhos comunitários de defesa social, do conselho estadual de segurança, secretário de segurança municipal, oficial PM, membro da pastoral carcerária, professora, pesquisadora, mediadora de conflito, militante da diversidade sexual, pôde vivenciar um rico e difícil exercício de diálogo e convivência cidadã. Uma pequena amostra do que já foi vivenciado na etapa municipal e que temos pela frente nas etapas estadual e nacional.

Caro leitor, sempre que você topar com expressões do tipo “atores sociais com vários olhares”, saiba que, apesar da boa vontade de alguns, no fundo isso é uma forma de as autoridades fugirem de suas responsabilidades, transferindo e diluindo suas responsabilidades. Enquanto essa turma se reúne, os índices de criminalidade aumentam. No primeiro mandato do presidente Lula, um grupo liderado pelo antropólogo Luiz Eduardo Soarez se propôs a fazer tudo isso que a professora Sandra elenca. Não deu em nada. Tem mais. Esses lugares-comuns do politicamente correto são excessivamente porosos, e tudo se perde numa rede de grupos e subgrupos. Daqui a pouco vão convidar o PCC ou o Comando Vermelho para participar dessas mesas-redondas, afinal, seus membros são atores sociais com um olhar diferenciado.

Tenho por lema pessoal a velha fórmula do racionalismo crítico: pessimismo teórico e otimismo prático. Mesmo que os resultados efetivos permaneçam aquém de nossos esforços, ter participado com entusiasmo já terá valido a pena. A luta realmente continua, sempre.

Não duvido das boas intenções de Sandra Helena, nem dos demais participantes da Conseg. O problema é ver os governos agirem como se fossem meros organizadores de refinados encontros para discutir problemas sobre o quais deveriam encaminhar soluções. Ninguém é eleito para discutir com a sociedade, embora isso seja desejável, mas como complemento e não como ação inicial. Seria demasiado conveniente: “se eleitor for, prometo discutir os problemas da cidade…”. Assim, até eu. Governantes são eleitos para implementar políticas pré-definidas, devidamente apresentadas ao público. O debate posterior serve para corrigir rumos. No entanto, atualmente, ele está sendo confundido com as próprias políticas públicas. O melhor a fazer é COBRAR soluções HOJE. Especialistas então, dedicados ao tema, deveriam ser uma voz CRÍTICA e INDEPENDENTE. Mas como eu já disse, esses encontros são muito caros…

Candidata Dilma, falar em herança maldita no segundo mandato é confissão de incompetência!

Dia corrido, muito trabalho e notícias isentas repletas de conveniências. Segue em vermelho uma dessas, seguida de breve comentário meu. Mas antes, vale lembrar que o jornalista norte-americano Gay Talese, 77 anos, referência na área e sem diploma (ui), reclama de que os novos jornalistas confiam demasiadamente nas autoridades. Concordo. Vejam o caso abaixo. Uma ministra fala o que dá na telha, sem compromisso algum com os fatos, sem comprovar as acusações que faz, mesmo que a realidade se imponha contra o discurso. Confira:

Agência Estado - Dilma: PAC demorou porque governo não herdou projetos -  A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, reafirmou hoje que o governo Lula não herdou projetos do antecessor e “teve que trocar a roda do carro com ele andando”. Dilma disse que o governo dedicou o ano de 2007 para “produzir papel”, numa referência à elaboração de projetos para as obras de infraestrutura previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Wanfil
Como candidata em campanha, Dilma Rousseff continua uma grande assaltante de bancos (é amigos, ela fazia isso na juventude, mas era, como se diz em certos círculos, pela “causa”). Poucas vezes pude ver um discurso tão frágil, carente de uma estrutura argumentativa sólida. As contradições da fala de Dilma correspondem, no campo da retórica, ao buracos nas ruas da administração Luizianne Lins em Fortaleza. Se a eleição da ex-guerrilheira depender de sua eloquência, haja marqueteiro. Vamos ao ponto.

Se a DEMORA do PAC é culpa dos governos anteriores, que não deixaram projetos para o atual governo, é lícito concluir que aquilo que não demora e que dá certo é mérito também do governo passado, que, seguindo o critério de análise de Dilma, deve ter deixado os projetos prontos. De certa forma, vendo o que deu mais ou menos certo neste governo - a política econômica - não deixa de ser uma verdade, ainda que não fosse essa a intenção da ministra.

Quando alega que a falta de projetos do governo passado é a causa da demora do PAC, Dilma contrata um duplo problema: 1) o governo passado do atual governo é o próprio governo Lula, que foi reeleito. Como o PAC foi lançado em 2007 e Lula assumiu em 2003, foram CINCO anos para que projetos fossem elaborados. Dilma, assim, confessa a incompetência de seu próprio padrinho; 2) a fala mostra o que será o discurso do petismo pós-Lula no poder: deixamos projetos para o sucessor! Como se isso fosse um grande feito.

Ah! Engolir essa cascata de falta de projetos é subserviência grossa. Sim, Dilma afirma que o governo não herdou projetos, enquanto percorre o país se gabando da Transnordestina, do Porto do Pecém e do Metrofor. Como se fossem criações, sei lá, do PAC. O jornalismo que não se rende a agenda da candidata é tomado por golpista. Bom jornalismo, aquele devidamente praticado por diplomados, não deve misturar as coisas e começar a fazer perguntas embaraçosas.

Dado que o padrão Lula de - digamos assim - manifestação intelectual é o que é, pensando bem, tanto faz as besteiras que Dilma diz. Como bem alerta o jornalista Themístocles de Castro, quem distribui dinheiro jamais será impopular ou perderá eleição. É isso o que Dilma vai prometer continuar. Que se danem os projetos.

Quem lembra do cartão corporativo? E da fatura?

Sabem como é. O ritmo de escândalos é de tal sorte intenso, desde o mensalão, que fica difícil acompanhar os casos. Quem me lê a mais tempo sabe a minha projeção:uma média de um escândalo a cada 15 dias ocupando o noticiário. Para os envolvidos, basta um sumiço temporário para depois voltar, acusando ter sido perseguido por - isso é invariável - conspiração da mídia golpista. O mais intessante é ver como boa parte dos jornalistas (com 0u sem diploma) aceitam a tese que os desmoraliza.

O DN deste domingo trouxe uma pequena matéria, que na verdade é uma simples e evidente constatação, sobre a qual não emite juízo de valor, como convém fazer:

Cartões corporativos: caso não tem conclusão

A investigação sobre uso dos cartões corporativos está demonstrando a lentidão no trâmite das ações

Ainda não há, por parte do Ministério Público, qualquer resultado quanto a análise de uso de cartões corporativos por integrantes do Governo do Estado e da Prefeitura de Fortaleza. Iniciada em janeiro do ano passado, a investigação ainda está em andamento e deve se estender ainda até o próximo mês de agosto.

A informação é da promotora de justiça de defesa do patrimônio público, Elaine Maciel, que está responsável pela investigação. (Para ler matéria completa, clique aqui).

Para quem não lembra, a prefeita Luizianne Lins (PT), durante a campanha para sua reeleição, indagada sobre os gastos do seu cartão corporativo, desafiada por seus oponentes a mostrar com transparência o extrato referente a esses gastos, tergiversou e disse que prestaria contas apenas “a quem de direito”. Pelo visto, não é bem assim e tudo permanece em segredo.

Aqui no blog, um espaço essencialmente opinativo, não há problema em fazer juízos de valor, desde que embasados, e em levantar hipóteses. Sobre tudo isso, então, cabe dizer: há um pavor na Prefeitura de apresentar esses gastos. Em um dos anos - isso apurei - o valor chega a 60 mil reais. Nada escandaloso. Mas dado que o Cartão Corporativo é destinado para gastos emergenciais, cabe supor que tamanha resistência com a transparência tem o propósito de esconder não quanto, mas o que foi comprado.

Estou errado? É ilação? Pode ser. Posso estar. Mas esse é o preço que autoridades pagam quando não são capazes de fazer uma simples prestação de contas. Assim, se - e enfatizo a condicional - tudo é limpo e correto, que se mostre logo a fatura, sem precisar esperar pelo modorrento MP cearense.

Programa de Aceleração de Campanhas

Artigo para O Estado - 18/06

A ministra Dilma Roussef esteve ontem (17) no Ceará para “avaliar” o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Na verdade, todos sabem que ela está em campanha eleitoral para a Presidência da República como candidata do governo em 2010. Há nisso tudo uma dupla intenção. Primeiro a de construir, como peça de propaganda política, a imagem da mulher competente. Segundo, dar a impressão de que o PAC saiu do papel. Em síntese, a mensagem da visita é clara: o andamento das obras depende da “avaliação” da ministra. Fica a sugestão de que se as coisas não são feitas da melhor forma, Dilma então terá que agir para que tudo siga nos conformes.

Todo o truque consiste na palavra “avaliar”. Se o substituímos por “inaugurar”, a impressão de competência se desfaz na ausência de resultados concretos. A ministra inaugurou alguma obra? Não. Como de praxe, não há nada para ser inaugurado. Por isso, o melhor momento de sua passagem foi a entrevista coletiva concedida na sede do Banco do Nordeste, onde a ministra, junto com o governador Cid Gomes, apresentou um balanço do PAC no Ceará. Os números sempre conferem credibilidade e verossimilhança aos discursos e às promessas. Segundo a dupla, 18% das obras do programa, iniciado em 2007, foram concluídas no Ceará. Uma incrível média de 9% ao ano. Dando crédito à informação, restam agora apenas 82% que, no ritmo atual, serão entregues daqui a nove anos, em 2018.

Apesar disso, Cid e Dilma censuraram os que acusam a lentidão do PAC. O governador chegou a dizer que seus críticos são aqueles que “não fizeram nada e agora procuram achar defeitos”. Ainda que fosse assim, resta dizer que mesmo quem nunca fez nada tem o direito de cobrar os que conseguiram votos com as promessas do PAC, afinal, trata-se de um compromisso do gestor público com o eleitor. Não se faz obra para agradar ou desagradar adversários, mas para contemplar uma demanda da sociedade.

Ademais, convenhamos, se o PAC fosse tudo o que dizem os governistas, não seriam necessárias tantas assertivas de validação. Juraci algum dia fez coletiva para garantir que o IJF havia sido construído? Tasso Jereissati precisou mostrar balanço para provar que o Aeroporto Pinto Martins, o Porto do Pecém ou o Castanhão, eram uma realidade? Não. Obra de verdade não pode ser escondida.

Quando uma afirmação é irrefutável? A resposta é simples. Quando os fatos contidos na afirmação são evidentes por si mesmos, isto é, passíveis de ser conferidos por todos a qualquer instante. Não há contestação que resista ao exame da prova concreta. Ninguém pode lançar suspeição sobre a cor do céu ou sobre a existência da Pedra da Galinha Choca, pela singela evidência de que ambos existem e que estão ali, expostos aos olhos de qualquer um. Nesse sentido, buscar negar uma realidade que é patente ao público não passa de charlatanice das grossas, exploração da ingenuidade e boa-fé alheia. Com o PAC não é diferente.

STF derruba obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Mais um anacronismo é descartado na lata de lixo da história

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem, quarta-feira (17), derrubar a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Tenho amigos e colegas honestos, alguns profissionais de primeira linha com formação em jornalismo, que eram contrários ao fim da exigência do diploma. Gente séria, cuja opinião eu respeito, mas da qual discordo.

Por isso não posso deixar de observar que na hora de apresentar as justificativas de suas posições, a maioria, na verdade todos, apelava a reducionismos apregoados por lideranças sindicais, como a preservação da ética, por exemplo. Ora, até parece que a ética pode ser objeto conquistado somente com o concurso da formalidade acadêmica, como se fosse uma exclusividade da área. Basta lembrar que hoje, todo e qualquer jornalista antiético se formou em alguma faculdade de jornalismo, o que invalida a tese de princípio causal que sugere o ensino universitário é provedor único e infalível da ética.

A defesa da obrigatoriedade sempre careceu de argumentação sólida, como ficou evidenciado no placar do STF: oito a um. Na verdade, certa resistência era mais uma adesão automática ao corporativismo, uma espécie de solidariedade e tributo ao espírito de grupo. Quando não, era fruto do medo do patrulhamento: “Você é contra o diploma? Contra o jornalismo ético?”, perguntavam os inquisidores com ar de espanto. Intimidados, muitos aceitavam a impostura e diziam que não. Outros deixavam claro que lamentavam ter passado anos na faculdade para depois perder essa exclusividade duramente conquistada. Na verdade, sempre achei esse o argumento mais sincero, posto que admite o interesse pessoal.

Os mais obtusos - esses não são meus amigos - tratavam a questão como uma emulação da luta de classes. O velho papo de patrões contra empregados, dos bons contra os maus etc. Coisa de museu.

O fato ´´e que ninguém diz como combinar o direito à livre expressão com a limitação do exercício do jornalismo. Muitos apelavam para outro reducionismo: a técnica. Ora, a base do jornalismo é saber escrever e possuir um bom conteúdo de conhecimentos gerais. Além de percepção aguçada e talento. Jornalismo não é ciência!

A reserva de mercado, que na ditadura serviu de instrumento de controle para o governo e que na democracia serviu de instrumento de controle para movimentos políticos de esquerda (sim, eles dominam os cursos universitários de jornalismo. Desafio alguém a me apresentar uma cadeira, de qualquer faculdade de jornalismo, cuja bibliografia básica não seja basicamente composta de autores de esquerda, especialmente a tal Escola de Frankfurt). Trata-se, a obrigatoriedade do diploma, de um anacronismo que impedia o direito a liberdade PLENA de expressão. Essa história que profissionais de outras áreas podem colaborar é uma limitação a esse direito. Ou a Constituição garante a integralidade da liberdade de expressão, ou não vivemos mais numa democracia.

No mais, vale lembrar que a internet é o veículo que pulverizou o conceito de reserva de mercado para a produção de notícias. Como controlar isso? Blogs de não jornalistas estariam proibidos de produzir e divulgar notícias? Repito: vivíamos um anacronismo. Doravante, o diploma continua valendo como indicador de formação profissional, o que pode ser uma vantagem na hora de disputar uma vaga de emprego. Mas o que vai contar mesmo é a competência.

Dr. Silas Munguba fez a diferença

Morreu ontem (15) o médico Silas Munguba, criador do Desafio Jovem, instituição aberta há 34 anos para recuperação de jovens drogados. Enquanto alguns se ocupam da tarefa de organizar passeatas para promover a maconha, outros se dedicam a agir de verdade para cuidar do problema das drogas, sem abrir concessão às soluções fáceis e enganosas, como as politicas de redução de danos que contam com o apoio até de traficantes.

Não conheci o Dr. Silas pessoalmente, mas vi de perto o seu trabalho. Visitei o Desafio Jovem mais de uma vez e digo uma coisa: não há argumento a favor do afrouxamento do combate as drogas que resista ao encontro com aquelas pessoas destruídas pelo vício. É brutal. Quando minhas filhas estiverem maiores, já na idade de serem tentadas pelo discurso de progressistas bacanas que acham que certas substâncias possuem um charme transgressor e libertador, vou levá-las ao Desafio Jovem para que elas vejam os riscos reais das drogas.

No site da instituição - www.desafiojovemdoceara.org.br - a essência do trabalho desenvolvido pelo Dr. Silas pode ser resumida nos princípios e objetivos expostos para o tratamento de dependentes químicos,  colocados de forma clara, sem espaço para dubiedades. Confiram (negrito meu):

- Promover a conscientização;
- Favorecer a suspensão do uso indevido de drogas;
- Favorecer o despertar de novos interesses, hábitos, valores e princípios;
- Assumir a responsabilidade da sua vida e da sua recuperação;
- Fomentar a auto-estima;
- Ter como base a fé em Cristo e o amor sem descuidar da técnica. Pode-se ter uma vida plena sem o uso de drogas.

É isso aí. Apoio na religião, em pricípios e no auto-conhecimento, sem transferir responsabilidades para terceiros. Siga em paz Dr. Silas. E com louvor.

O MST lucra (e muito!) com a omissão das autoridades

O  Movimento dos Sem Terra (MST) no Ceará ameaça invadir a sede do  do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Fortaleza. As lideranças do grupo alegam que suas reivindicações não foram atendidas, após negociação realizada quando 500 tomaram de assalto o local para protestar contra o corte de 62% no orçamento do Programa Nacional de Educação em Áreas da Reforma Agrária (Pronera).

É claro que os jornais irão anunciar a “ocupação pacífica” do MST, destacando sua determinação em lutar pela educação das crianças nos assentamentos (por que elas não estudam com outras crianças, em escolas regulares?). Essa é a abordagem que a patrulha do politicamente correto exige, quando o assunto diz respeito aos abusos cometidos por bandos organizados que dizem lutar por uma causa.

No entanto, como vivemos numa democracia amparada por um Estado Democrático de Direito, gostaria que alguém me provasse que o ato de invadir PRÉDIOS PÚBLICOS (usando mulheres e crianças e fazendo de funcionários reféns), para exigir DINHEIRO PÚBLICO público para uma ENTIDADE PRIVADA não deve ser classificada como uma ação de ameaça, chantagem e extorsão. Pior, ação criminosa premeditada e financiada também com dinheiro público, mostrando que o grupo deseja mesmo é manter a fonte de recursos para suas finalidades particulares. Afinal, mobilizar, transportar, alimentar e sustentar 500 pessoas (ou mais, como na invasão do Dnocs em 2007), pressupõe organização e recursos.

Por que ninguém exige do MST uma prestação de contas? O tal programa de “educação” nos assentamentos não passa de uma escolinha de revolução para incutir na cabeça dos “sem-terrinhas”, como são chamados os alunos que lá “estudam”, a doutrina do ódio consagrado à propriedade privada, à religião, aos “burgueses”, à democracia representativa e ao capitalismo. Ah! A gritaria pode ser traduzida em cifras. É resultado da redução no orçamento do programa de R$ 69 milhões em 2008 para R$ 26 milhões neste ano. Isso mesmo, o MST é MILIONÁRIO! E às nossas custas, já que faz o que quer com o dinheiro, inclusive patrocina invasões. Tem mais. Os professores das escolinhas não são concursados, e o conteúdo pedagógico é definido pelos interesses “revolucionários” do bando.

Insisto: que é feito do dinheiro público entregue ao MST? Quantos sem-terra conseguiram título de pequenos proprietários rurais após habitarem os assentamentos? Como eles são assistidos para que possam produzir e serem inseridos no MERCADO do AGRONEGÓCIO?

O INCRA poderia responder isso, se quisesse, ou se pudesse. Por último, uma curiosidade: onde estão o Ministério Público, o Judiciário e a polícia? Ou não é ilegal invadir prédios públicos? Esses invasores profissionais (falo da liderança do movimento) só consegue prosperar utilizando a força por causa da omissão de quem deveria contê-los, como determina a Constituição.

A Prefeitura de Fortaleza e a reforma da reforma que não funcionou

Seis por meia dúzia. Esse é o resultado da reforma administrativa promovida pela prefeita Luizianne Lins em Fortaleza. O anunciado critério técnico era só conversa para dar ares de sofisticação ao velho truque de acomodar, com fins políticos eleitorais, aliados na máquina pública, como evidenciei no post “Fortaleza: novo secretariado, velhas práticas - ou Tin Gomes e Evaldo Lima: escolhas pra lá de técnicas.

Na verdade, essa prática é mesmo comum na política, especialmente nos dias que correm, em que a oposição míngua praticamente sem representantes e o adesismo grassa. Mas vejam o que aconteceu em Fortaleza. Segue trecho de matéria publicada neste sábado, no Diário do Nordeste. Em seguida volto a comentar:

Apesar de demorar seis meses para fazer os reajustes em torno do secretariado, cujo anúncio ocorreu há uma semana, a prefeita Luizianne Lins (PT) poderá ter que fazer novas modificações. A primeira é o vereador Elpídio Nogueira (PSB) declarar ontem que não assumirá a Superintendência do Instituto Doutor José Frota (IJF). Segundo consulta que o próprio parlamentar fez a sua assessoria jurídica, vereadores não podem assumir cargos comissionados em autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público e outras de pessoa jurídica de direito público, sob pena de perder o mandato parlamentar.

Vejam só. A situação de falta de comando está de tal forma evidente na gestão Fortaleza Bela, que nem mesmo os arranjos políticos mais simples - dar cargos em troca de apoio - prosperam. Tudo nessa administração vira motivo de constrangimento. Não por acaso, técnicos e políticos mais tarimbados evitam uma vinculação formal com a atual gestão (ver post “Oferta de emprego: procura-se político disposto a ocupar cargo de primeiro escalão na Prefeitura de Fortaleza“).

Na prática, a reforma visava abrir espaços na Câmara para que suplentes de vereadores assumissem, ou para dar, em órgãos do governo, visibilidade (e recursos) para candidatos derrotados nas últimas eleições. Rejeitados pelo eleitorado, eles teriam uma nova chance para se promover na Câmara ou em pastas menos importantes.

PS. Aviso aos ajudantes do secretário blogueiro que procuram a área de comentários do blog: voltem para o brejo vermelho, bando de cururus!

As emoções da Trilha Urbana em Fortaleza

Essa eu recebi por e-mail, enviado por gente que conhece o assunto…

trilhaurbana

WordPress Themes