Liderança não se transfere

Charge do Newton Silva, publicada no Jangadeiro Online. Reparem na sonoplastia das palmas da boneca animada por Lula. Sobre a liderança de Dilma, ou a evidente falta dela, ler post anterior.

CHARGEREFLEXO

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O desafio de Dilma é sair da sombra de Lula

Dilma e Serra: qual imagem prevalecerá?

Dilma e Serra: qual imagem prevalecerá?

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou nesta segunda-feira que “Dilma não é líder, é reflexo de um líder”. A estocada foi uma espécie de prévia da estratégia de desconstrução de imagem a ser utilizada pela oposição na campanha eleitoral deste ano. Se por um lado o governo quer a polarização plebiscitária simbolizada na eterna disputa entre Lula e FHC, por outro a oposição tentará focar nas figuras de Dilma e Serra. Um quer olhar para o passado, o outro para o presente.

A intenção dos adversários da candidata oficial é clara: mostrar que Dilma não possui qualidades para o cargo de presidente da República. Faltaria à ministra,  mais especificamente, a experiência e a liderança necessárias para o desafio, e menos explicitamente (para não torná-la vítima), a competência, materializada na lentidão do PAC.

Convenhamos, dado o currículo de José Serra ou mesmo Aécio Neves, administradores bem avaliados e políticos experientes em disputas eleitorais; e dado a falta de passado político-eleitoral de Dilma, parece ser uma estratégia adequada – o que não significa garantia de vitória. Levará a melhor quem conseguir infundir no eleitor a perspectiva que lhe interessar: o governo deseja vender a ideia de que Dilma é a certeza de continuidade; a oposição procura o inverso: demonstrar que ela é uma incógnita.

Nesse sentido, a ministra deve mostrar que é mais do que a escolhida de Lula, de modo que a imagem do presidente não a ofusque e faça de seu trunfo, uma maldição. A provocação de FHC pretende reforçar justamente essa condição subalterna da imagem de Dilma.

De novo a pegadinha do PAC

A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresentou o nono balanço quadrimestral do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Antes, uma lembrança. No oitavo balanço, a Casa Civil “esqueceu” de contabilizar as obras de moradia que deveriam constar no PAC, e que teimam em não sair do papel. Sem elas, o número de obras feita aumentava. Quem lembra das filas de cadastro para o programa Minha Casa, Minha Vida? O truque foi desmascarado pela velha imprensa golpista de sempre.

Agora, Dilma se encheu de orgulho para dizer que, passados três anos do lançamento do PAC, o volume de dinheiro alocado atingiu 63,3% do total previsto. Seria um ritmo de “aceleração” que corresponderia a 21% ao ano. O problema é para concluir todas as obras previstas na meta, o governo terá de fazer em 12 meses o que não fez em três anos. Ou seja, em 2010 teria que aplicar os 36,7% que faltam.

Mas isso não é tudo. Esses números estão vitaminados pelo desejo de Dilma em se mostrar competente, afinal, ele será candidata. Mas a REALIDADE é outra. Como informa o jornal O Estado de São Paulo desta sexta-feira (5), “se a conta for feita considerando apenas as ações efetivamente concluídas, o cenário é mais desalentador. Passados 36 meses, as obras encerradas correspondem a 40,3% do total. Ainda assim, Dilma afirmou que houve “uma evolução bem favorável” do programa”.

Resumindo: ainda faltam 59,7% de obras do PAC para serem concluídas no último ano de governo Lula. Diante da impossibilidade do desafio – quem aposta nisso? – a solução foi, como sempre, apelar para o malabarismo retórico, distorcer números e, claro, chamar a rapaziada do marketing, que inventou um tal de PAC 2. É mole?

A lição que não queremos aprender

Artigo publicado originalmente no jornal O Estado

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, a Unesco, divulgou relatório no final de janeiro deste ano demonstrando que a qualidade do ensino nas escolas brasileiras é inferior a de países como Paraguai, Equador e Bolívia. Das 128 nações avaliadas no estudo, o Brasil ficou em 88º lugar. Em 2004, o país estava em 72º lugar.

Segundo a Unesco, os principais gargalos da educação no Brasil são a má qualidade e a infraestrutura física precária. Alguns dados são constrangedores. Mais de 17,8 mil escolas não têm energia elétrica e só 37% possuem bibliotecas.

Diante de dados coletados com metodologia elaborada por pesquisadores renomados, o Ministério da Educação considerou os números “estranhos”, alegando que houve ampliação do ensino fundamental para nove anos e queda na evasão. Seria interessante e útil se os burocratas do ministério explicassem como redução de evasão e mudanças nominais de classificação poderiam conferir qualidade ao conteúdo ministrado nas salas de aula.

A posição vexaminosa do Brasil na educação seria “estranha” se a pesquisa da Unesco fosse uma anomalia que destoasse de outras avaliações. No entanto, nossos estudantes secundários tiram sistematicamente os últimos lugares no Pisa – Programa internacional de avaliação promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na última avaliação, em 2007, o Brasil ficou no 52º lugar, dentre os 57 países participantes.

Durante muito tempo imaginei que essa precariedade de resultados fosse resultado de uma tradição de descaso, mas que isso seria paulatinamente corrigido com o ingresso de uma nova geração de professores com formação acadêmica adequada e mais preparados para o desafio da pedagogia. A pesquisa da Unesco revela que, ao contrário, estamos piorando.

A conclusão não pode ser outra: licenciaturas e diplomas de professores não são garantia de qualidade na educação das nossas crianças, pelo simples fato de que as nossas universidades não conseguem produzir educadores. Formam, quando muito, meros propagandistas ideológicos aptos a ensinar analfabetos a escrever o básico. O importante mesmo é ensinar a historinha de que candidatos de esquerda estão do lado dos trabalhadores.

É a pedagogia da luta de classes, que não prepara o indivíduo para pensar por conta própria, que rejeita os conceitos de competitividade, concorrência e livre iniciativa. Nossas crianças são educadas a esperar pelos favores do papai-Estado. Eis o resultado.

Vídeos mostram o real dinamismo da gestão Fortaleza Bela

Reproduzo abaixo post da jornalista Kézya Diniz, publicado originalmente no Blog da Janga. Para não dizer que só faço críticas, lá vai uma constatação que para os que se consideram muito espertos é elogiosa: É preciso muita lábia para negar o óbvio!

Segue:

Líder da oposição divulga vídeos de obras paradas em Fortaleza

O vereador Plácido Filho (PDT), líder da bandada de oposição à prefeita Luizianne Lins (PT), decidiu colocar na internet alguns vídeos produzidos por sua assessoria para mostrar o que, segundo ele,  “a  Prefeitura de Fortaleza (não) está fazendo pela cidade”.

Estes vídeos já deram o que falar na Câmara Municipal. Aliados da prefeita tentaram impedir a exibição de todo e qualquer vídeo por lá. Mas agora eles estão no YouTube, disponíveis a todos os cidadãos na nossa querida Fortaleza Bela.

Abaixo os links postados na internet pelo vereador:

Obras paradas
http://www.youtube.com/watch?v=nT2Vb2te0u0

IJF CAOS
http://www.youtube.com/watch?v=EszMvi3RPpw

Hospital da Mulher
http://www.youtube.com/watch?v=TcbyjmWb5ts

Usina de Asfalto de Fortaleza
http://www.youtube.com/watch?v=xWM8p2UkoxE

PAC: Plano de Aceleração dos Cargos de Confiança

Reparem bem nessa notícia publicada no jornal Folha de São Paulo, edição desta segunda-feira (1º). Os grifos são meus.

Lula dobra criação de cargos de confiança no 2º mandato
O governo Luiz Inácio Lula da Silva dobrou o ritmo da criação de cargos comissionados da administração federal no segundo mandato. O número médio mensal de postos criados aumentou de 23,8 nos quatro primeiros anos do governo para 54 a partir de 2007. Essas vagas são muitas vezes destinadas a apadrinhados políticos.

O número de cargos de confiança no Brasil é um dos mais altos do planeta. Nos Estados Unidos, no início da gestão Barack Obama, em 2009, havia cerca de 9.000 dirigentes desse tipo e 600 deles precisavam de aprovação do Senado.

O PT calcula que cerca de 5.000 cargos de confiança federais são ocupados por filiados.

Comento
Na Inglaterra, por exemplo, o primeiro ministro tem direito a nomear 100 pessoas para cargos de confiança. E só. A matéria mostra que os EUA têm 9 mil servidores nessa situação, contra 23 mil no Brasil.

Comparando, portanto, resta evidente que temos uma distorção no que diz respeito a cargos que não necessitam de concurso público para serem preenchidos. É um maneirismo que aprendemos a chamar, carinhosamente, de “jeitinho brasileiro”. É óbvio que, diante de um número tão grande, os critérios eleitoral, partidário e ideológico ganham força. É o que alguns estudiosos chamam de APARELHAMENTO da máquina.

Vale dizer ainda que a intensificação desse expediente em ano eleitoral deixa no ar a suspeita de uso da máquina. Ou será apenas coincidência?

Vox Populi: Serra lidera, Dilma cresce e Ciro se fragiliza

O instituto Vox Populi fez nova pesquisa para a corrida presidencial. Os números foram divulgados na noite de sexta (29) pela TV Bandeirantes.

José Serra (PSDB) lidera com 34% das intenções de voto, seguido de Dilma Rousseff (PT) com 27%. A petista subiu nove pontos em relação a pesquisa anterior, realizada no início de dezembro de 2009. O tucano recuou cinco pontos e Ciro Gomes (PSB) caiu seis pontos.

Para saber mais detalhes: Vox Populi: sem Ciro na disputa, Dilma cresce menos.

Comentário
A pesquisa, evidentemente, servirá de combustível para os entusiastas da candidata petista, que diminuiu a diferença para o líder. Agora sete pontos os separam. Essa distância já foi de mais de vinte pontos. Entretanto, é preciso situá-la em seu devido contexto para que tenhamos uma análise mais realista dos números.

1 – Dilma está em campanha aberta, com direito a declarações nesse sentido e com apoio explícito e constante do presidente Lula. Há uma intensa exposição da candidata nesse momento. Além disso, existe a estratégia de afastar a ministra de qualquer tema polêmico que envolva a gestão: do apagão ao aborto;

2 – Serra ainda não está em campanha, embora seja o virtual candidato tucano, com a desistência do mineiro Aécio Neves de concorrer ao Planalto. O governador paulista não tem a mesma exposição de Dilma. Seu desempenho decorre de recall, ou seja, por já ter sido candidato uma vez, ele é mais conhecido;

3 – Ciro tem situação indefinida, já que o presidente Lula deseja apenas uma candidatura governista: a de Dilma. Assim, Ciro foi isolado pelo Planalto e sua candidatura não dispõe de musculatura, ou, em outras palavras, de recursos e de tempo no horário eleitoral gratuito;

4 – Existe o efeito PT, que consiste na tendência, observada em diversas eleições, de que candidatos petistas possuem, tradicionalmente, cerca de 30% de intenção de votos. Esse é o espaço da sigla. Outros 30% o rejeitam. O desafio de Dilma é avançar nos demais 40%.

Dessa forma, está tudo mais ou menos dentro do previsto. Era esperado que Dilma chegasse a esse patamar, especialmente nas referidas circunstâncias. Serra não deve, por enquanto, mudar sua estratégia. A situação de Ciro é a mais complicada. Enquanto espera uma definição de Lula e do PSB, vê sua posição se fragilizar na disputa.

O negócio é mentir para convencer. Mas mentir com método

Virou lugar comum a máxima de Josef Goebels, o chefe da propaganda nazista: uma mentir, de tãoa repetida, viraira uma verdade. A ideia básica é impor um discurso ainda que a realidade não o autorize.

Na atualidade, alguns governos usam do mesmo artifício, mesmo em regimes democráticos. Segue abaixo um exemplo de como um tema pode ser distorcido para atender aos propósitos de uma falsa propaganda.

O fato:  Relatório da Unesco diz que Brasil tem baixos índices na educação básica (Folha Online)

Folha

A versão do Governo Federal: Educação para Todos: Brasil alcança bons índices em estudo da Unesco (Cefet)

Cefet

PS. Esse post nasceu de um comentário do amigo Roger Prado no Twitter, que foi quem flagrou a impostura acima.

Uma herança maldita para o próximo presidente

bomba-relogioO presidente Lula afirmou, no Fórum Mundial Social (em Porto Alegre – RS), que o Fórum Economico de Davos (na Suíça) perdeu o “glamour” após a crise financeira internacional. É justamente nesse ambiente meio sem prestígio que o pessoal de Davos resolveu premiar o nosso presidente com o prêmio Estadista Global.

De qualquer forma, o prêmio é um reconhecimento à política econômica que o Brasil já adota há pelo menos 15 anos. A crise, portanto, serviu para ressaltar a correção do rigor fiscal e monetário que em marcado a nossa economia. Além disso, o nosso sistema financeiro já havia sido saneado pelo PROER e os bancos nacionais são avessos a correr riscos na hora de emprestar, estimulados, sobretudo, pelo juros que o governo paga.

Mas isso não significa que tudo é um mar de rosas e nada há para ser resolvido. É preciso ter cuidado com uma certa euforia, amplificada pela comunicação governamental, quando o assunto é economia. Vejam as seguintes manchetes (clique no título para ler a matéria original):

Estadão: Despesas do governo central cresceram 15% em 2009
G1: Gastos do governo em 2009 têm alta de R$ 74,5 bilhões
Correio Brasziliense: Dinheiro público: Dívida interna dispara no governo Lula

O problema dessas notícias não está propriamente na alta das despesas correntes do governo ou da dívida interna crescente. Em períodos de crise, essa situação é clássica: governos gastam mais para reanimar a economia. Acontece que é preciso ter critérios estratégicos para isso. Nesse ponto, um debate seria bastante útil este ano.

O ideal é que esses gastos contemplem ações em áreas indutoras de emprego e investimentos de longo prazo, como infra-estrutura, por exemplo, que podem servir debase de apoio para uma retomada de crescimento. Mas o que vemos são os gastos ditos sociais, que embora importantes, não geram criação de nova riqueza, mas apenas intensificam a circulação do que já existe. Sem contar as despesas com contratação de pessoal, especialmente os terceirizados e os cargos comissionados.

Resumindo: o governo gasta mal, obtendo retornos apenas de curto prazo. Mais adiante, a conta terá que ser fechada pelo próximo presidente. Como disse o Correio Braziliense:

“Lula repetirá a maldição do antecessor. Entregará, muito provavelmente a José Serra (PSDB) ou a Dilma Rousseff (PT), os dois candidatos à sucessão presidencial mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de votos, um débito quase duas vezes maior do que o que recebeu”.

Segurança Pública no Ceará: quem se sente protegido? Quem tem medo da polícia?

Li no Jangadeiro Online e no Blog da Janga dois casos que bem expressam a situação da Segurança Pública no Ceará.

Primeiro foi o relato da repórter Anézia Gomes: Férias no Ceará: Cuidado ao relaxar!  Pessoas roubadas em público, sem que os bandidos demonstrassem preocupação com a presença de testemunhas e mesmo de alguns policiais presentes a um evento realizado pelo poder público.

Depois, o mais emblemático, no Jangadeiro Online: Policiais do Ronda são assaltados. Mais do que uma ação ousada de assaltantes baratos, o caso mostra um estado de espírito semelhante ao do Velho Oeste americano ou ao do Rio de Janeiro sitiado pelo tráfico de drogas.

Conclusão
Definitivamente a força policial – que é a garantia de ordem social do Estado – perdeu a capacidade de emanar autoridade. As pessoas não se sentem protegidas por ela e os bandidos não a temem. Enquanto isso, enquanto o crime avança e as pessoas de bem se escondem, perdemos tempo discutindo se bandidos podem ser mostrados na televisão.

Prática e retórica

Charge do Renato, publicada originalmente no jornal A Cidade (R. Preto)

renato

Um alento para os mensaleiros. Ou: os mensaleiros da gente são do bem

0723419O último escândalo a sacudir o noticiário político brasileiro foi o mensalão dos democratas de Brasília, liderado pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Além da corrupção, o caso lembra o mensalão original, aquele denunciado por ex-deputado Roberto Jefferson, pelos detalhes inusitados, como usar a cueca para guardar dinheiro.

Corre agora a informação de que Arruda apresenta sinais de depressão com o episódio. Mas para consolo dele, basta ver o destino dos mensaleiros denunciados em 2005. É o que mostra o jornal Folha de São Paulo deste domingo:

PT resgata seus mensaleiros em novo Diretório Nacional

O PT oficializou ontem a volta de nomes envolvidos no escândalo do mensalão à direção do partido. Conforme indicação da corrente majoritária da legenda, a CNB (Construindo um Novo Brasil), José Dirceu, João Paulo Cunha e José Genoino irão compor o novo Diretório Nacional, que tomará posse no mês que vem.

A campanha da candidata do partido à Presidência, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), promoverá outra reedição: a do grupo de sindicalistas bancários que originou os “aloprados” e desempenhará funções estratégicas, como a centralização da captação de recursos.

(…)

Nem as demais correntes nem o atual comando têm direito de vetar as indicações se os militantes estiverem em dia com suas obrigações estatutárias. Assim, é praticamente certo que Dirceu, Genoino e João Paulo terão direito a voto entre os 81 membros do Diretório. Serão apresentados também os nomes do deputado federal José Nobre Guimarães (CE), que teve um ex-assessor detido com US$ 100 mil na cueca em 2005, e de Mônica Valente, mulher do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, pivô do mensalão e hoje afastado do partido.

Comentário
Pelo visto, não precisa Arruda e seus amigos ficarem deprimidos. Quem sabe, muito em breve, eles possam até “captar recursos” por aí.

Para os que ficaram indignados, com toda a razão, com o mensalão do Democratas em Brasília, fica a pergunta e o alerta:

Em que palanque a patota da cueca vai subir aqui no Ceará?

PSDB cearense: entre a omissão e a sobrevivência

Reproduzo abaixo, em azul, texto do publicitário Ricardo Alcântara, uma das análises mais lúcidas sobre a situação do PSDB cearense para as eleições de 2010. Em seguida faço um breve complemento. Agradeço ao Ricardo pela gentileza de autorizar essa reprodução.

PSDB: motivos de sobra para disputar

PARTIDO QUE não disputa eleição é como time que não disputa campeonato: perde sua torcida. O PSDB do Ceará tem bons motivos para lançar candidato próprio ao governo do estado e nenhuma razão política para se omitir.

EM FAVOR da tese, é possível elencar, pelo menos, cinco argumentos:

1 – O PARTIDO tem um forte candidato à presidência. José Serra lidera as pesquisas com boa margem de preferência e precisa de palanques no Nordeste, onde é menor seu percentual de indicações nas consultas populares.

2 – A MAIOR liderança política do estado, o senador Tasso Jereissati, pertence aos seus quadros e é identificado como a vocação pública mais expressiva na história recente do Ceará. Candidato à reeleição, vai precisar de um partido vivo.

3 – MESMO AQUELES que não os querem por perto admitem: os governos tucanos no Ceará são referência nacional. Deram uma contribuição substantiva ao desenvolvimento do estado. Governar o Ceará é a praia deles.

4 – AINDA É o partido que administra o maior número de prefeituras no interior e precisa conter o definhamento de sua força, agora que tem mais o monopólio (longe disso) dos “benefícios” oficiais.

5 – TEM UMA bancada na assembléia legislativa com força suficiente para dar ou tirar do governo a tranqüilidade institucional necessária para o fluxo estável de suas iniciativas administrativas.

DITO ISTO, convido o leitor a testar comigo a consistência dos argumentos levantados, refletindo em sentido oposto: quais fatores justificariam o recuo do PSDB em colocar um candidato nas ruas? Somente três circunstâncias:

1 – CASO CID Gomes estivesse realizando um governo inovador, de alta performance. Não é o caso. O que está aí – sem juízo de valor sobre ganhos pontuais – é continuidade do projeto iniciado por Tasso Jereissati há vinte e três anos. As premissas, e até os projetos, são os mesmos.

2 – CASO O PSDB tivesse uma participação efetiva nas decisões centrais do governo e participação proporcional à sua força. Não consta. No jatinho do Cid, tucanos vão de classe econômica. O parceiro de primeira classe é o PT.

3 – CASO FOSSEM convidados a compor a chapa governista, com o apoio explícito à candidatura senatorial de Tasso Jereissati, o que é, das três condições, a menos remota, embora pouco provável no quadro de agora.

BEM, MAS resta a questão: Afora o nome de Tasso, haveria, entre eles, outro em condições de disputa? Não, mas isso é detalhe. A candidatura teria outros objetivos, relevantes o suficiente para se impor:

1 – OFERECER um palanque bem mobilizado à candidatura presidencial do partido, como já foi dito. O comando nacional da sigla pressiona porque sabe que a turma aqui joga em ritmo de amistoso quando está em campo um parceiro local, antigo: Ciro Gomes.

2 – TONIFICAR a candidatura senatorial de Tasso Jereissati. Daria moldura ao seu palanque um candidato de referência ao governo. Afinal, não é bom para quem já foi o rei do gado sair por aí, aboiando sozinho…

3 – PROVOCAR, em um quadro de múltiplas candidaturas, o segundo turno, o que ampliaria o poder de pressão do partido na construção dos arranjos fisiológicos que essa gente toda – das ex freirinhas trotskistas do PT às velhas cafetinas do DEM – anda por aí chamando de “governabilidade”.

Wanfil
Ok. Concordo com o que vai acima. Acrescento apenas que além dos motivos elencados no texto do Ricardo, há ainda um outro, de ordem cívica mesmo. Não é possível que todas as forças políticas de um estado ou país se aglutinem sob o manto do governismo. Isso é ruim para a democracia. É ruim para o Ceará.

Além do mais, Cid afirma que José Serra representa um modelo atrasado. Não se trata de uma desqualificação pessoal, como incompetência, desequilíbrio emocional, desonestidade, mas uma referência a um projeto do qual os tucanos cearenses deveriam sentir-se parte, não obstante o fato de o PT tê-lo copiado sem constrangimentos. De resto, não lançar candidato é desrespeito com o eleitorado e prova de covardia – ou de falta de compromisso com o próprio discurso.

Charge: “PAC 2 – A Missão”

Charge do excelente Newton Silva para o Jangadeiro Online. Comento em seguida.

pac2

E o PAC 1 já foi concluído? Aliás, alguém sabia que o programa seria feito em etapas? Na verdade, a justificativa oficial para esse segundo PAC é – vejam só – terminar as ações iniciadas no primeiro. Ficamos então assim: um programa dito de aceleração – o que implica em maior celeridade e agilidade na execução das metas planejadas -, não foi concluído no prazo estabelecido e agora necessita de uma nova rodada para ver se avança.

O amigo leitor pode pesquisar no blog. Desde o início apontei – sem nunca titubear -, o caráter eminentemente publicitário do PAC. Seria a versão para a infra-estrutura do país daquilo o que foi o Fome Zero para as políticas sociais: só propaganda.

De resto, ressalto aqui, de memória, a observação do sagaz Norton Lima Júnior em seu Twitter: Corremos o risco de ver os americanos resconstruírem Porto Príncipe, a capital do Haiti devastada por um terremoto, antes do PAC ser concluído.

Vou além no desafio. Digo que Porto Príncipe será reconstruída antes da prometida refinaria do Ceará ficar pronta, ou pelo menos o tal aquário milionário. Nem vou falar da Transnordestina, aquela que Lula todo ano diz que vai inaugurar. Acelerado mesmo, só o ritmo de renovação de promessas velhas.

Ócio criativo é no Terminal da Parangaba

Após a última mudança no secretariado da Prefeitura Municipal de Fortaleza, em junho do ano passado, a Secretaria de Esporte e Lazer de Fortaleza (Secel), capitaneada pelo professor Evaldo Lima, do Partido Comunista do Brasil, anuncia uma ação revolucionária, bem ao estilo programático da sigla, conforme noticia o site da Etufor.

É o Projeto Salão de Tabuleiro, iniciado hoje no Terminal da Parangaba, e que segue até o dia 20 próximo, oferecendo aos ”usuários de transporte coletivo (…) acesso a diversos jogos de mesa e tabuleiro, como totó, xadrez, dama, dominó, sinuca, ludo, futebol de botão, ping pong e gamão”.

Já imaginaram? O sujeito, enquanto espera o Paranjana 1, joga uma partida de totó para relaxar. O problema é que enquanto a partida segue, a fila aumenta e o alegre jogador poderá perder um assento no coletivo. Ou mesmo de perder o ônibus e ter que esperar mais uma hora. Mas essas são hipóteses que não devem desmerecer a ação. Afnal, a ideia é bam mais profunda, como explica a própria Secel:

“Os jogos promovem momentos de lazer e descontração, ao mesmo tempo em que trabalham a criticidade dos participantes. Para as Políticas Públicas de Lazer da Secel, o lazer inclui mais que um conjunto de atividades voltadas para a diversão e o descanso, sendo tratado como instância de formação e informação para as pessoas.”

É isso aí. Quer relaxar e ainda apurar seu senso crítico? Dê uma passadinha no Terminal da Parangaba.

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