Após o resultado das eleições, vamos ver como ficam as nossas lideranças no tabuleiro da política.
Cid Gomes
A bola agora está com o novo governador. Por enquanto, ele é quem manda. A lógica do pragmatismo indica que Cid Gomes manterá a aliança com o PT, uma vez que o partido é a chave do cofre federal. Além do mais, Cid já governou com petistas em Sobral, o que, de cara, já lhe confere a qualidade de articulador habilidoso, afinal, não é fácil conter a compulsão da esquerda em aparelhar o Estado. Mas sempre é bom ficarmos atentos.
Segundo a teoria do inglês Charles Darwin, a evolução das espécies decorre de uma seleção natural, onde os mais fortes e os mais aptos conseguem sobreviver às mudanças do mundo. Pois bem, a força de Cid reside nos méritos da boa aceitação, pelo eleitorado, da família Gomes, cuja capacidade de adaptação costuma a deixá-los bem situados no tabuleiro da política. Além disso, o irmão do Ciro agora é o titular da caneta mágica do executivo. Na prática administrativa, o futuro governador já sabe bem o que fazer: cortar gastos permamentemente e cuidar da infra-estrutura para atrair investimentos. Como vemos, o modelo de gestão Tasso ainda será a referência.
Tasso Jereissati
O senador Tasso foi quem mais perdeu espaço político no Ceará. Mas isso não significa, necessariamente, fragilidade. Explico. Um político vale pelo poder que tem no presente, mas também vale pela expectativa de poder futuro. Se hoje a influência de Tasso no estado se adapta às possibilidades limitadas de atuação de um parlamentar, é certo dizer que o senador ainda é portador de um patrimônio eleitoral potente - é difícil imaginar um nome capaz de batê-lo numa disputa direta. E isso serve para mantê-lo como liderança forte. É sempre bom lembrar também, que se Cid não é aliado de Tasso, também não é um inimigo.
No plano nacional, Tasso continua como nome forte da política brasileira e atuante no senado. Deve, entretanto, sair do meio do tiroteio que envolve as investigações do dossiê. Já se expôs demais, e sozinho, sem a devida companhia de outros caciques do partido, como Serra e Aécio. Se as investigações chegarem no presidente, aí o papo muda.
O PSDB cearense deve fechar para balanço. Vai diminuir naturalmente. Provavelmente irá buscar novos nomes para trabalhar um projeto local de médio prazo. Se quiser sobreviver sem o Governo do Estado, é imperioso que começe a pensar numa bancada mínima na câmara de Fortaleza. Tasso continua a ser a principal referência da sigla no Ceará. Disputas internas entre os tucanos, nesse momento, equivale a uma troca de sopapos entre jogadores da terceira divisão para ver quem é o titular do time.
Luizianne Lins
Continua como o nome mais importante do PT cearense, desde que foi eleita prefeita. No entanto, não deve ser superestimada. Possui menos acesso e influência junto ao presidente Lula do que os irmãos Ciro e Cid. Aliás, o PT local, em que pesem as votações que Lula sempre teve na capital, nunca conseguiu emplacar um nome de peso no governo federal. O Eunício Oliveira tem mais força no Planalto que os nossos petistas. Lula e Zé Dirceu nunca engoliram a eleição de Luzianne e aguardam o dia da desforra. O centralismo democrático não perdoa e um dia cobra os expurgos. Por enquanto, a prefeita deve priorizar a sua reeleição.
Lúcio Alcântara
Derrotado nas urnas, porém com o governo bem avaliado, o governador Lúcio deverá cuidar de preservar a própria biografia. A derrota machuca, mas esse não é o seu fim.
Inácio Arruda
Se os “aloprados” continuarem com as suas “lambanças”, o senador Inácio Arruda tem tudo para ser uma Ideli Salvatti de barbas: vai viver de dar explicações sobre o escândalo da hora.