Intolerância, violência e autoritarismo

Leiam os próximos dois posts. Ambos relatam epsódios envolvendo a imprensa.

Manifestações contra a liberdade de imprensa e de opinião não devem jamais ser encaradas como excentricidades, ainda mais quando são feitas publicamente por apoiadores do governo. O avanço de idéias reacionárias, intolerantes e autoritárias não nasce do acaso. É resultado de trabalho coordenado, com propósitos bem específicos.

Mas nada disso, nos dias que correm, é surpresa. Depois dos escândalos de corrupção e do susto que foi o segundo turno, estrategistas políticos dos partidos no poder se apressaram em veicular a tese de que a elite preparava um golpe, com especial empenho da “mídia conservadora”. Era uma vacina que buscava desacreditar os veículos que denunciassem as “lambanças dos aloprados”, como diria Lula.

O resultado é esse que segue abaixo. A hostilidade contra a imprensa é a teoria aplicada dos inimigos da democracia.

Imprensa alerta 1

Do blog do Noblat:

Delegado da PF tenta intimidar jornalistas da VEJA

Estão de volta à redação da revista VEJA em São Paulo os três jornalistas intimados a depor em inquérito aberto pela Polícia Federal para apurar o vazamento de informações sobre o encontro clandestino de Freud Godoy, ex-assessor de segurança de Lula, com Gedimar Passos, preso com parte do dinheiro arrecadado pelo PT para comprar à Máfia dos Sanguessugas o dossiê contra políticos do PSDB.

Júlia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro foram os autores de duas reportagens publicadas pela VEJA: uma sobre as fotos do dinheiro do dossiê distribuídas à imprensa pelo delegado Edmilson Bruno; e a outra sobre a reunião de Freud com Gedimar quando esse ainda estava detido na sede paulista da Polícia Federal. Intimados a depor a respeito, compareceram acompanhados de advogados da Editora Abril.

Uma vez na sede paulista da Polícia Federal, foram claramente intimidados por um delegado que atende pelo nome de Moisés. Ele abriu a conversa com os jornalistas dizendo que a reportagem sobre o encontro de Freud com Gedimar era “uma falácia”. Foi quando ouviu de Júlia Duaulibi:

- Se é uma falácia por que a Polícia Federal abriu inquérito para apurar o vazamento de informações sobre o encontro?

O delegado passou a dirigir perguntas aos jornalistas que nada tinham a ver com o verdadeiro motivo que o levou a intimá-los. Quis saber por que a revista publicou a reportagem. Perguntou sobre quem pagara por ela. Perguntou pelo nome do editor da revista. Perguntou se o editor era ligado a algum grupo político.

Quando um dos repórteres reclamou que já estava ali por duas horas, o delegado respondeu:

- Está achando muito? Seu chefe vai ficar aqui por quatro horas.

Os advogados dos jornalistas foram proibidos de se manifestar. E as poucas observações que conseguiram fazer diante de perguntas e de respostas não foram levadas em conta.

Imprensa alerta 2

Do blog do Cláudio Humberto:

Olho neles

Antes, queriam controlar a imprensa. Ontem, petistas agrediram jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada, aos gritos de “Vamos fechar os jornais” e “Prefiro ditadura que a imprensa”. Os camisas pretas de Mussolini também.

Intolerância, violência e autoritarismo

Leiam os próximos dois posts. Ambos relatam epsódios envolvendo a imprensa.

Manifestações contra a liberdade de imprensa e de opinião não devem jamais ser encaradas como excentricidades, ainda mais quando são feitas publicamente por apoiadores do governo. O avanço de idéias reacionárias, intolerantes e autoritárias não nasce do acaso. É resultado de trabalho coordenado, com propósitos bem específicos.

Mas nada disso, nos dias que correm, é surpresa. Depois dos escândalos de corrupção e do susto que foi o segundo turno, estrategistas políticos dos partidos no poder se apressaram em veicular a tese de que a elite preparava um golpe, com especial empenho da “mídia conservadora”. Era uma vacina que buscava desacreditar os veículos que denunciassem as “lambanças dos aloprados”, como diria Lula.

O resultado é esse que segue abaixo. A hostilidade contra a imprensa é a teoria aplicada dos inimigos da democracia.

Imprensa alerta 1

Do blog do Noblat:

Delegado da PF tenta intimidar jornalistas da VEJA

Estão de volta à redação da revista VEJA em São Paulo os três jornalistas intimados a depor em inquérito aberto pela Polícia Federal para apurar o vazamento de informações sobre o encontro clandestino de Freud Godoy, ex-assessor de segurança de Lula, com Gedimar Passos, preso com parte do dinheiro arrecadado pelo PT para comprar à Máfia dos Sanguessugas o dossiê contra políticos do PSDB.

Júlia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro foram os autores de duas reportagens publicadas pela VEJA: uma sobre as fotos do dinheiro do dossiê distribuídas à imprensa pelo delegado Edmilson Bruno; e a outra sobre a reunião de Freud com Gedimar quando esse ainda estava detido na sede paulista da Polícia Federal. Intimados a depor a respeito, compareceram acompanhados de advogados da Editora Abril.

Uma vez na sede paulista da Polícia Federal, foram claramente intimidados por um delegado que atende pelo nome de Moisés. Ele abriu a conversa com os jornalistas dizendo que a reportagem sobre o encontro de Freud com Gedimar era “uma falácia”. Foi quando ouviu de Júlia Duaulibi:

- Se é uma falácia por que a Polícia Federal abriu inquérito para apurar o vazamento de informações sobre o encontro?

O delegado passou a dirigir perguntas aos jornalistas que nada tinham a ver com o verdadeiro motivo que o levou a intimá-los. Quis saber por que a revista publicou a reportagem. Perguntou sobre quem pagara por ela. Perguntou pelo nome do editor da revista. Perguntou se o editor era ligado a algum grupo político.

Quando um dos repórteres reclamou que já estava ali por duas horas, o delegado respondeu:

- Está achando muito? Seu chefe vai ficar aqui por quatro horas.

Os advogados dos jornalistas foram proibidos de se manifestar. E as poucas observações que conseguiram fazer diante de perguntas e de respostas não foram levadas em conta.

Imprensa alerta 2

Do blog do Cláudio Humberto:

Olho neles

Antes, queriam controlar a imprensa. Ontem, petistas agrediram jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada, aos gritos de “Vamos fechar os jornais” e “Prefiro ditadura que a imprensa”. Os camisas pretas de Mussolini também.

Aula do tio Inácio

Hoje pela manhã, assisti a uma entrevista concedida pelo senador eleito Inácio Arruda ao Bom Dia Ceará, da Verdes Mares.

Inácio seguia com aquele discurso padrão do recém-eleito, com ares de sapiência, dizendo que o Brasil continuará melhorando etc e tal, até que decidiu fazer uma análise sócio-política com base no seu, digamos, apurado referencial teórico. O senador novato afirmou que a vitória de Lula no nordeste e o resultado negativo do presidente no sul e no sudeste, indicam que aquele é progressista, donde concluimos, por dedução lógica, que as outras regiões são conservadoras. Esse é um daqueles nominalismos automáticos que revelam preconceitos ideológicos, invertendo o sentido das palavras, fazendo parecer que quem não é progressista, é deliberadamente a favor do atraso, como se isso fosse possível.

Vamos esclarecer algumas coisas. Progressista é aquele que acretida poder mudar tudo na marra. Daí sua paixão louca por revoluções e mártires sociopatas tipo Che Guevara. O progresso deles está em destruir o que existe para construir uma utopia. Conservador é aquele que crê na síntese inseparável de economia de livre mercado, democracia parlamentar, lei e ordem, moral judaico-cristã e predomínio da cultura clássica na educação.

Considerando que o progressismo do comunistas (Arruda é do PCB) foi responsável por mais de 100 milhões de mortes, vai ver que é assim que ele considera o fato: o fim do mundo.

PS. Quando o nordeste votou maciçamente em FHC, e o sul em Lula, o primeiro, para os nossos convictos progressitas esquerdosos, era o berço do atraso, do voto de cabresto, da compra de votos etc. Foi só votar em Lula para mudar tudo. Daqui a pouco, os nordestinos serão a vanguarda de um novo tempo, onde a gratidão ao governo irmana a todos.

Culpa

Já disse num post anterior que não culpo o povo pela reeleição de Lula. As massas não podem ser julgadas como se fossem indivíduos plenos de consciência. As massas agem movidas mais por instinto e emoção do que pela razão. Entre Jesus e Barrabás, mandaram o salvador para a cruz. Mas se tem uma coisa que não dá para perdoar, são os ditos formadores de opinião que coonestaram com a institucionalização da corrupção como instrumento político legítimo.

Fico me perguntando se a cada novo escândalo que sugir, ou quando um escândalo antigo voltar à tona por conta das investigações, se essa turma sentirá algum remorso, algum sentimento de culpa. Dirão eles: “O que fizemos?” Desconfio que não. Para não ter que encarar as consequências de seus atos, sensíveis, irão gritar: “É golpe, é armação da mídia”. Alguns por má-fé, outros por puro instinto de autopreservação psicológica. De qualquer jeito, como defenderam o status quo mesmo tendo conhecimento de tudo, creio que eles já estão insensíveis ao apelo da boa ética.

Mas essa indiferença não nasce da noite para o dia. Vejam o que Marilena Chauí, uma das ideólogas do PT, já dizia em 1999: “É isso que eu procurei a vida inteira: alguém que me dissesse que é possível viver sem culpas.” (Marilena Chauí, Folha de S. Paulo , 13 de março de 1999.)

Viram? Ela conseguiu, encontrou o seu Guia. O nome dele é Lula.

Recompensa

Quem imaginava, um ano e meio atrás, que o PT conseguira obter um resultado tão favorável nas urnas? Nesse curto período, o partido já está no terceiro presidente, pois seus antecessores caíram devido a crimes eleitorais. A primeira campanha em que elegeram um presidente da república, segundo confissão de Duda Mendonça na CPI dos Correios, foi uma fraude movida a caixa-dois e evasão fiscal.

Importantes figuras do partido como João Paulo Cunha e professor Luizinho, junto com aliados do governo, sacavam dinheiro vivo do Banco Rural no chamado Mensalão. Todos sabiam como funcionava. Menos, segundo alardeiam, o presidente Lula.

Pois bem, não só Lula se reelegeu, como o PT ainda conseguiu fazer 83 deputados (muitos mensaleiros) e 2 senadores (garantindo uma bancada de 11). Fez ainda 5 governadores.

Como ficam as lideranças cearenses

Após o resultado das eleições, vamos ver como ficam as nossas lideranças no tabuleiro da política.

Cid Gomes

A bola agora está com o novo governador. Por enquanto, ele é quem manda. A lógica do pragmatismo indica que Cid Gomes manterá a aliança com o PT, uma vez que o partido é a chave do cofre federal. Além do mais, Cid já governou com petistas em Sobral, o que, de cara, já lhe confere a qualidade de articulador habilidoso, afinal, não é fácil conter a compulsão da esquerda em aparelhar o Estado. Mas sempre é bom ficarmos atentos.

Segundo a teoria do inglês Charles Darwin, a evolução das espécies decorre de uma seleção natural, onde os mais fortes e os mais aptos conseguem sobreviver às mudanças do mundo. Pois bem, a força de Cid reside nos méritos da boa aceitação, pelo eleitorado, da família Gomes, cuja capacidade de adaptação costuma a deixá-los bem situados no tabuleiro da política. Além disso, o irmão do Ciro agora é o titular da caneta mágica do executivo. Na prática administrativa, o futuro governador já sabe bem o que fazer: cortar gastos permamentemente e cuidar da infra-estrutura para atrair investimentos. Como vemos, o modelo de gestão Tasso ainda será a referência.

Tasso Jereissati

O senador Tasso foi quem mais perdeu espaço político no Ceará. Mas isso não significa, necessariamente, fragilidade. Explico. Um político vale pelo poder que tem no presente, mas também vale pela expectativa de poder futuro. Se hoje a influência de Tasso no estado se adapta às possibilidades limitadas de atuação de um parlamentar, é certo dizer que o senador ainda é portador de um patrimônio eleitoral potente - é difícil imaginar um nome capaz de batê-lo numa disputa direta. E isso serve para mantê-lo como liderança forte. É sempre bom lembrar também, que se Cid não é aliado de Tasso, também não é um inimigo.

No plano nacional, Tasso continua como nome forte da política brasileira e atuante no senado. Deve, entretanto, sair do meio do tiroteio que envolve as investigações do dossiê. Já se expôs demais, e sozinho, sem a devida companhia de outros caciques do partido, como Serra e Aécio. Se as investigações chegarem no presidente, aí o papo muda.

O PSDB cearense deve fechar para balanço. Vai diminuir naturalmente. Provavelmente irá buscar novos nomes para trabalhar um projeto local de médio prazo. Se quiser sobreviver sem o Governo do Estado, é imperioso que começe a pensar numa bancada mínima na câmara de Fortaleza. Tasso continua a ser a principal referência da sigla no Ceará. Disputas internas entre os tucanos, nesse momento, equivale a uma troca de sopapos entre jogadores da terceira divisão para ver quem é o titular do time.

Luizianne Lins

Continua como o nome mais importante do PT cearense, desde que foi eleita prefeita. No entanto, não deve ser superestimada. Possui menos acesso e influência junto ao presidente Lula do que os irmãos Ciro e Cid. Aliás, o PT local, em que pesem as votações que Lula sempre teve na capital, nunca conseguiu emplacar um nome de peso no governo federal. O Eunício Oliveira tem mais força no Planalto que os nossos petistas. Lula e Zé Dirceu nunca engoliram a eleição de Luzianne e aguardam o dia da desforra. O centralismo democrático não perdoa e um dia cobra os expurgos. Por enquanto, a prefeita deve priorizar a sua reeleição.

Lúcio Alcântara

Derrotado nas urnas, porém com o governo bem avaliado, o governador Lúcio deverá cuidar de preservar a própria biografia. A derrota machuca, mas esse não é o seu fim.

Inácio Arruda

Se os “aloprados” continuarem com as suas “lambanças”, o senador Inácio Arruda tem tudo para ser uma Ideli Salvatti de barbas: vai viver de dar explicações sobre o escândalo da hora.

Aula do tio Inácio

Hoje pela manhã, assisti a uma entrevista concedida pelo senador eleito Inácio Arruda ao Bom Dia Ceará, da Verdes Mares.

Inácio seguia com aquele discurso padrão do recém-eleito, com ares de sapiência, dizendo que o Brasil continuará melhorando etc e tal, até que decidiu fazer uma análise sócio-política com base no seu, digamos, apurado referencial teórico. O senador novato afirmou que a vitória de Lula no nordeste e o resultado negativo do presidente no sul e no sudeste, indicam que aquele é progressista, donde concluimos, por dedução lógica, que as outras regiões são conservadoras. Esse é um daqueles nominalismos automáticos que revelam preconceitos ideológicos, invertendo o sentido das palavras, fazendo parecer que quem não é progressista, é deliberadamente a favor do atraso, como se isso fosse possível.

Vamos esclarecer algumas coisas. Progressista é aquele que acretida poder mudar tudo na marra. Daí sua paixão louca por revoluções e mártires sociopatas tipo Che Guevara. O progresso deles está em destruir o que existe para construir uma utopia. Conservador é aquele que crê na síntese inseparável de economia de livre mercado, democracia parlamentar, lei e ordem, moral judaico-cristã e predomínio da cultura clássica na educação.

Considerando que o progressismo do comunistas (Arruda é do PCB) foi responsável por mais de 100 milhões de mortes, vai ver que é assim que ele considera o fato: o fim do mundo.

PS. Quando o nordeste votou maciçamente em FHC, e o sul em Lula, o primeiro, para os nossos convictos progressitas esquerdosos, era o berço do atraso, do voto de cabresto, da compra de votos etc. Foi só votar em Lula para mudar tudo. Daqui a pouco, os nordestinos serão a vanguarda de um novo tempo, onde a gratidão ao governo irmana a todos.

Culpa

Já disse num post anterior que não culpo o povo pela reeleição de Lula. As massas não podem ser julgadas como se fossem indivíduos plenos de consciência. As massas agem movidas mais por instinto e emoção do que pela razão. Entre Jesus e Barrabás, mandaram o salvador para a cruz. Mas se tem uma coisa que não dá para perdoar, são os ditos formadores de opinião que coonestaram com a institucionalização da corrupção como instrumento político legítimo.

Fico me perguntando se a cada novo escândalo que sugir, ou quando um escândalo antigo voltar à tona por conta das investigações, se essa turma sentirá algum remorso, algum sentimento de culpa. Dirão eles: “O que fizemos?” Desconfio que não. Para não ter que encarar as consequências de seus atos, sensíveis, irão gritar: “É golpe, é armação da mídia”. Alguns por má-fé, outros por puro instinto de autopreservação psicológica. De qualquer jeito, como defenderam o status quo mesmo tendo conhecimento de tudo, creio que eles já estão insensíveis ao apelo da boa ética.

Mas essa indiferença não nasce da noite para o dia. Vejam o que Marilena Chauí, uma das ideólogas do PT, já dizia em 1999: “É isso que eu procurei a vida inteira: alguém que me dissesse que é possível viver sem culpas.” (Marilena Chauí, Folha de S. Paulo , 13 de março de 1999.)

Viram? Ela conseguiu, encontrou o seu Guia. O nome dele é Lula.

Recompensa

Quem imaginava, um ano e meio atrás, que o PT conseguira obter um resultado tão favorável nas urnas? Nesse curto período, o partido já está no terceiro presidente, pois seus antecessores caíram devido a crimes eleitorais. A primeira campanha em que elegeram um presidente da república, segundo confissão de Duda Mendonça na CPI dos Correios, foi uma fraude movida a caixa-dois e evasão fiscal.

Importantes figuras do partido como João Paulo Cunha e professor Luizinho, junto com aliados do governo, sacavam dinheiro vivo do Banco Rural no chamado Mensalão. Todos sabiam como funcionava. Menos, segundo alardeiam, o presidente Lula.

Pois bem, não só Lula se reelegeu, como o PT ainda conseguiu fazer 83 deputados (muitos mensaleiros) e 2 senadores (garantindo uma bancada de 11). Fez ainda 5 governadores.

Como ficam as lideranças cearenses

Após o resultado das eleições, vamos ver como ficam as nossas lideranças no tabuleiro da política.

Cid Gomes

A bola agora está com o novo governador. Por enquanto, ele é quem manda. A lógica do pragmatismo indica que Cid Gomes manterá a aliança com o PT, uma vez que o partido é a chave do cofre federal. Além do mais, Cid já governou com petistas em Sobral, o que, de cara, já lhe confere a qualidade de articulador habilidoso, afinal, não é fácil conter a compulsão da esquerda em aparelhar o Estado. Mas sempre é bom ficarmos atentos.

Segundo a teoria do inglês Charles Darwin, a evolução das espécies decorre de uma seleção natural, onde os mais fortes e os mais aptos conseguem sobreviver às mudanças do mundo. Pois bem, a força de Cid reside nos méritos da boa aceitação, pelo eleitorado, da família Gomes, cuja capacidade de adaptação costuma a deixá-los bem situados no tabuleiro da política. Além disso, o irmão do Ciro agora é o titular da caneta mágica do executivo. Na prática administrativa, o futuro governador já sabe bem o que fazer: cortar gastos permamentemente e cuidar da infra-estrutura para atrair investimentos. Como vemos, o modelo de gestão Tasso ainda será a referência.

Tasso Jereissati

O senador Tasso foi quem mais perdeu espaço político no Ceará. Mas isso não significa, necessariamente, fragilidade. Explico. Um político vale pelo poder que tem no presente, mas também vale pela expectativa de poder futuro. Se hoje a influência de Tasso no estado se adapta às possibilidades limitadas de atuação de um parlamentar, é certo dizer que o senador ainda é portador de um patrimônio eleitoral potente - é difícil imaginar um nome capaz de batê-lo numa disputa direta. E isso serve para mantê-lo como liderança forte. É sempre bom lembrar também, que se Cid não é aliado de Tasso, também não é um inimigo.

No plano nacional, Tasso continua como nome forte da política brasileira e atuante no senado. Deve, entretanto, sair do meio do tiroteio que envolve as investigações do dossiê. Já se expôs demais, e sozinho, sem a devida companhia de outros caciques do partido, como Serra e Aécio. Se as investigações chegarem no presidente, aí o papo muda.

O PSDB cearense deve fechar para balanço. Vai diminuir naturalmente. Provavelmente irá buscar novos nomes para trabalhar um projeto local de médio prazo. Se quiser sobreviver sem o Governo do Estado, é imperioso que começe a pensar numa bancada mínima na câmara de Fortaleza. Tasso continua a ser a principal referência da sigla no Ceará. Disputas internas entre os tucanos, nesse momento, equivale a uma troca de sopapos entre jogadores da terceira divisão para ver quem é o titular do time.

Luizianne Lins

Continua como o nome mais importante do PT cearense, desde que foi eleita prefeita. No entanto, não deve ser superestimada. Possui menos acesso e influência junto ao presidente Lula do que os irmãos Ciro e Cid. Aliás, o PT local, em que pesem as votações que Lula sempre teve na capital, nunca conseguiu emplacar um nome de peso no governo federal. O Eunício Oliveira tem mais força no Planalto que os nossos petistas. Lula e Zé Dirceu nunca engoliram a eleição de Luzianne e aguardam o dia da desforra. O centralismo democrático não perdoa e um dia cobra os expurgos. Por enquanto, a prefeita deve priorizar a sua reeleição.

Lúcio Alcântara

Derrotado nas urnas, porém com o governo bem avaliado, o governador Lúcio deverá cuidar de preservar a própria biografia. A derrota machuca, mas esse não é o seu fim.

Inácio Arruda

Se os “aloprados” continuarem com as suas “lambanças”, o senador Inácio Arruda tem tudo para ser uma Ideli Salvatti de barbas: vai viver de dar explicações sobre o escândalo da hora.

Deixaram o Duda trabalhar

Lula foi reeleito em segundo turno, embora denúncias e suspeitas diversas lhe façam sombra. É isso aí. Nas democracias modernas, a vontade popular é soberana nas eleições.

Não estou entre aqueles que acreditam numa suposta sabedoria intuitiva do povo, nem entre os que lhe acusam de ignorância. Com efeito, as massas se posicionam mais pelos sentimentos do que pela razão. Por isso o governador Lúcio Alcântara, mesmo sendo bem avaliado, sofreu uma derrota incontestável. O marketing político já descobriu isso faz tempo, e os petistas, nas eleições presidenciais, foram mais eficientes na sua estratégia de comunicação. Parafraseando um dos slogans do presidente, deixaram o Duda Mendonça trabalhar.

Agora é arcar com as conseqüências. Muito provavelmente elegemos uma crise econômica, que virá no rastro da crise política que já vivemos. Nada indica que o grupo reconduzido irá fazer grandes alterações no seus, vamos dizer assim, métodos. Afinal, ao menos para eles, deu tudo certo até agora.

O futuro do país continuará sequestrado, amarrado nas correntes dos juros altos e da falta de investimentos, amordaçado com a elevadíssima carga tributária que busca compensar gastos sempre crescentes. “Deixa o homem tributar”, objetarão alguns. Mas a questão é: até quando a classe média irá suportar?

***

Mesmo considerando a reeleição de Lula um equívoco, nem isso me faz desanimar com o princípio da livre escolha. Alexis de Tocqueville afirmava que o melhor remédio para os males da democracia era… mais democracia. É a única condição que nos permite reparar os nossos erros. Mais uma coisa. A democracia não se restringe ao sufrágio, dela fazem parte as instituições que devem resguardar o império das leis, garantindo que ninguém esteja acima da constituição. Sacaram?

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