Culpa
Já disse num post anterior que não culpo o povo pela reeleição de Lula. As massas não podem ser julgadas como se fossem indivíduos plenos de consciência. As massas agem movidas mais por instinto e emoção do que pela razão. Entre Jesus e Barrabás, mandaram o salvador para a cruz. Mas se tem uma coisa que não dá para perdoar, são os ditos formadores de opinião que coonestaram com a institucionalização da corrupção como instrumento político legítimo.
Fico me perguntando se a cada novo escândalo que sugir, ou quando um escândalo antigo voltar à tona por conta das investigações, se essa turma sentirá algum remorso, algum sentimento de culpa. Dirão eles: “O que fizemos?” Desconfio que não. Para não ter que encarar as consequências de seus atos, sensíveis, irão gritar: “É golpe, é armação da mídia”. Alguns por má-fé, outros por puro instinto de autopreservação psicológica. De qualquer jeito, como defenderam o status quo mesmo tendo conhecimento de tudo, creio que eles já estão insensíveis ao apelo da boa ética.
Mas essa indiferença não nasce da noite para o dia. Vejam o que Marilena Chauí, uma das ideólogas do PT, já dizia em 1999: “É isso que eu procurei a vida inteira: alguém que me dissesse que é possível viver sem culpas.” (Marilena Chauí, Folha de S. Paulo , 13 de março de 1999.)
Viram? Ela conseguiu, encontrou o seu Guia. O nome dele é Lula.
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