Intolerância, violência e autoritarismo
Leiam os próximos dois posts. Ambos relatam epsódios envolvendo a imprensa.
Manifestações contra a liberdade de imprensa e de opinião não devem jamais ser encaradas como excentricidades, ainda mais quando são feitas publicamente por apoiadores do governo. O avanço de idéias reacionárias, intolerantes e autoritárias não nasce do acaso. É resultado de trabalho coordenado, com propósitos bem específicos.
Mas nada disso, nos dias que correm, é surpresa. Depois dos escândalos de corrupção e do susto que foi o segundo turno, estrategistas políticos dos partidos no poder se apressaram em veicular a tese de que a elite preparava um golpe, com especial empenho da “mídia conservadora”. Era uma vacina que buscava desacreditar os veículos que denunciassem as “lambanças dos aloprados”, como diria Lula.
O resultado é esse que segue abaixo. A hostilidade contra a imprensa é a teoria aplicada dos inimigos da democracia.
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By Edmilson Filho, 31/10/2006 @ 19:29
Impressionante o comprometimento da impressa nesses últimos quatro anos.
Quando estava na escola, lembro que um professor de história (Wagner) passou um trecho do documentário Muito Além do Cidadão Kane, mostrando a influência da Globo das eleições de 1989. Estudante secundarista, aceitei a opinião do professor como correta, ainda diante de “prova” tão irrefutável, o documentário. Engrossei o coro dos estudantes que julgavam a TV Globo. Estava obviamente manipulado, fui manipulado pelos professores, na época, que diziam que a Globo manipulavam a imprensa. Um “estupro” intelectual. Sinceramente não tenho dados pra dizer se a Globo influenciou ou não nas eleições de 1989. Pois, só tinha 5 anos na época.
Sei também que algumas de suas afiliadas são de governantes locais. Mas isso não é crime e até agora na minha vida, não vi a utilização de nenhuma dessas de modo indevido, embora haja relatos etc.
Há pouco dias, a revista CartaCapital lançou uma edição onde acusava a Globo mais uma vez de manipulação. Com um texto incompleto e incoerente, que não me convenceu. E quando o diretor executivo de jornalismo da Globo, Ali Kamel, lançou nota no Observatório de Imprensa desmentindo rigorosamente os fatos, a revista CartaCapital não teve e não conseguiu contraprovar. Em troca, lançou um texto em que só lança adjetivos raivosos, mas que não consegue derrubar a coerência de Ali Kamel.
Este acontecimento, para mim foi em especial porque mostrou como o segundo turno se deu, a “esquerda” e a imprensa “chapa vermelha” reavivaram argumentos antigos de esquerda, quando eram oposição: manipulação da Globo, privatização, desfavorecimento social, governo para os ricos…
Ou seja, não bastasse a vitória de Lula representar uma derrota ética e moral, para aqueles que não toleram corrupção, ainda retrocedemos de 10 a 20 anos nos debates políticos.
E agora estamos diantes de uma imprensa desonesta. É com tristeza que vejo que alguns repórteres são a favor da Conselho, que poderia censurar parte da imprensa. Entre eles está o Azenha, jornalista da TV Globo, que afirma em seu blog que imprensa foi injusta com o presidente Lula nesses últimos dois anos e ainda diz que caso continue assim deveria então mesmo pensar no tal conselho.
E podemos continuar citando muitos outros, como Mino Carta, Emir Sader…
Estamos diante de certa parte da imprensa que a muito tempo perdeu o compromisso com a verdade, justificando a sua existência e o seu modo deliqüente de operar devido a erros passados de outra parte. Eles estão aí, corrompendo muitos e se achando no direito de mentir, enganar e caluniar por afirmarem que há uma parte da imprensa comprometida com oligarquias.