Postado por Vicente Gioielli, no blog do Povo:
Na semana do “Guiness Day”, ou seja do “Dia dos Recordes”, a jornalista Natuza Nery, da Reuters Brasil, decidiu mostrar as façanhas de nosso Congresso Nacional. Dentre os recordes elencados estão o projeto de Lei que ficou mais tempo tramitando na Casa: 36 anos. É isso mesmo, o “Código Brasileiro de Rádiodiusão”, foi apresentado em 1947, mas, apenas em 1983 foi apreciado. Detalhe: foi considerado obsoleto e, portanto, arquivado. Também tem quem tenha passado a vida inteira no Congresso. O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) foi eleito em 1971 e acaba de ser reeleito pela décima vez. Como não poderia deixar de ser, também tem cearense no meio. Mauro Benevides (PMDB) é o parlamentar mais “falador” da casa. Ele já fez 1328 pronunciamentos. Quanta garganta…
Por Clovis Holanda, no O Povo deste domingo:
A difícil coalizão
O presidente reeleito propõe um governo de coalizão com os aliados para seu segundo mandato e acordos com a oposição para viabilizar uma agenda de propostas e reformas no País. Dois dias após ser reeleito, durante pronunciamento nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conclamou os partidos de oposição e a sociedade a unirem o Brasil em torno de uma “agenda comum” de temas de interesse geral. Desde então, enquanto discutem a composição dos ministérios e a base de apoio do governo no Congresso, o presidente e seus aliados evocam um generalizado “governo de coalizão” e ainda uma “concertação” com os opositores em prol de um avanço no desenvolvimento do País.
Essa é boa. O presidente, que só conseguiu se reeleger em segundo turno (FHC foi eleito duas vezes no primeiro, e ainda lhe faltaram forças), imagina que ser um estadista se resume a elaborar planos de “concertação” e “agenda comum”. Refém de um PMDB ávido por cargos e verbas, o governo tenta transferir o ônus da governabilidade para a oposição. É mais ou menos assim: se algo der errado, foi porque a oposição não quis negociar. Sabem como é, no governo Lula, a culpa sempre é dois outros.
É bom que o PSDB e o PFL assumam a condição de oposição que a sociedade lhes atribuiu, cujo dever é o de sempre questionar e fiscalizar as ações do governo. Quem apóia a situação são os partidos da base. A oposição faz bem em não aceitar o cabresto que querem lhe por.
Jornal O Povo deste domingo:
Petista diz que governo vai corrigir “erros”
O primeiro vice-líder do PT na Câmara, deputado federal Fernando Ferro, admitiu ao O POVO que o governo Lula cometeu “vários erros” no relacionamento com a base aliada, no primeiro mandato. Para ele, ao propor uma coalizão, o presidente pretende garantir uma base sólida. (…) “O importante agora é não ficar mais vulnerável como ele (o governo) esteve no primeiro mandato, à mercê de partidos cuja tradição ética não era das mais recomendáveis. Nesse processo, a participação do PMDB, sem dúvida, será fundamental”, disse Fernando Ferro ressaltando a necessidade de uma articulação que garanta o apoio da maioria do PMDB ao governo.
Primeiro é bom deixar os eufemismos de lado. Não foram simples “erros” que marcaram a relação do Planalto com a base aliada. Foram crimes. Parlamentares de apoio ao governo recebiam pagamentos regulares para dar sustentação ao governo. O dinheiro era sacado nos caixas do Banco Rural. Na verdade, Lula despreza o parlamento, ao qual já se referiu como casa dos 300 picaretas. Achou que era só pagar, ter maioria, e adeus problemas. Nada indica que o presidente e seu partido passaram a respeitar o Congresso.
Segundo, sobre o papel do PMDB no combate aos problemas éticos, não posso dizer mais do que isso: é uma piada. E sem graça. A rigor, demonstra mesmo que o governo continuará com a mesma metodologia, uma vez que um dos fiadores dessa coalizão será o deputado peemedebista Jader Barbalho, que já foi preso por peculato.
Diário do Nordeste deste domingo
Lula avisa que recriação da Sudene volta a ser prioridade
Brasília – Após quatro anos sem conseguir cumprir uma de suas principais promessas da campanha de 2002, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu priorizar a recriação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, a Sudene. O sinal verde foi dado por Lula depois de uma avaliação pragmática: a necessidade de um fórum para dar voz ao grupo de governadores nordestinos eleitos em outubro.
E quando a Sudene foi prioridade? Amigos, o presidente veio ao Ceará, no começo do seu primeiro governo, para “inaugurar” a “nova Sudene”. Trouxe inclusive o professor Celso Furtado, que morreu sem ver o projeto sair do papel. Era bravata. Em vez de dar explicações sobre o atraso, Lula volta todo faceiro com a mesma promessa. Alguns projetos só existem no porvir.
Postado por Vicente Gioielli, no blog do Povo:
Na semana do “Guiness Day”, ou seja do “Dia dos Recordes”, a jornalista Natuza Nery, da Reuters Brasil, decidiu mostrar as façanhas de nosso Congresso Nacional. Dentre os recordes elencados estão o projeto de Lei que ficou mais tempo tramitando na Casa: 36 anos. É isso mesmo, o “Código Brasileiro de Rádiodiusão”, foi apresentado em 1947, mas, apenas em 1983 foi apreciado. Detalhe: foi considerado obsoleto e, portanto, arquivado. Também tem quem tenha passado a vida inteira no Congresso. O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) foi eleito em 1971 e acaba de ser reeleito pela décima vez. Como não poderia deixar de ser, também tem cearense no meio. Mauro Benevides (PMDB) é o parlamentar mais “falador” da casa. Ele já fez 1328 pronunciamentos. Quanta garganta…
Por Clovis Holanda, no O Povo deste domingo:
A difícil coalizão
O presidente reeleito propõe um governo de coalizão com os aliados para seu segundo mandato e acordos com a oposição para viabilizar uma agenda de propostas e reformas no País. Dois dias após ser reeleito, durante pronunciamento nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conclamou os partidos de oposição e a sociedade a unirem o Brasil em torno de uma “agenda comum” de temas de interesse geral. Desde então, enquanto discutem a composição dos ministérios e a base de apoio do governo no Congresso, o presidente e seus aliados evocam um generalizado “governo de coalizão” e ainda uma “concertação” com os opositores em prol de um avanço no desenvolvimento do País.
Essa é boa. O presidente, que só conseguiu se reeleger em segundo turno (FHC foi eleito duas vezes no primeiro, e ainda lhe faltaram forças), imagina que ser um estadista se resume a elaborar planos de “concertação” e “agenda comum”. Refém de um PMDB ávido por cargos e verbas, o governo tenta transferir o ônus da governabilidade para a oposição. É mais ou menos assim: se algo der errado, foi porque a oposição não quis negociar. Sabem como é, no governo Lula, a culpa sempre é dois outros.
É bom que o PSDB e o PFL assumam a condição de oposição que a sociedade lhes atribuiu, cujo dever é o de sempre questionar e fiscalizar as ações do governo. Quem apóia a situação são os partidos da base. A oposição faz bem em não aceitar o cabresto que querem lhe por.
Jornal O Povo deste domingo:
Petista diz que governo vai corrigir “erros”
O primeiro vice-líder do PT na Câmara, deputado federal Fernando Ferro, admitiu ao O POVO que o governo Lula cometeu “vários erros” no relacionamento com a base aliada, no primeiro mandato. Para ele, ao propor uma coalizão, o presidente pretende garantir uma base sólida. (…) “O importante agora é não ficar mais vulnerável como ele (o governo) esteve no primeiro mandato, à mercê de partidos cuja tradição ética não era das mais recomendáveis. Nesse processo, a participação do PMDB, sem dúvida, será fundamental”, disse Fernando Ferro ressaltando a necessidade de uma articulação que garanta o apoio da maioria do PMDB ao governo.
Primeiro é bom deixar os eufemismos de lado. Não foram simples “erros” que marcaram a relação do Planalto com a base aliada. Foram crimes. Parlamentares de apoio ao governo recebiam pagamentos regulares para dar sustentação ao governo. O dinheiro era sacado nos caixas do Banco Rural. Na verdade, Lula despreza o parlamento, ao qual já se referiu como casa dos 300 picaretas. Achou que era só pagar, ter maioria, e adeus problemas. Nada indica que o presidente e seu partido passaram a respeitar o Congresso.
Segundo, sobre o papel do PMDB no combate aos problemas éticos, não posso dizer mais do que isso: é uma piada. E sem graça. A rigor, demonstra mesmo que o governo continuará com a mesma metodologia, uma vez que um dos fiadores dessa coalizão será o deputado peemedebista Jader Barbalho, que já foi preso por peculato.
Diário do Nordeste deste domingo
Lula avisa que recriação da Sudene volta a ser prioridade
Brasília – Após quatro anos sem conseguir cumprir uma de suas principais promessas da campanha de 2002, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu priorizar a recriação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, a Sudene. O sinal verde foi dado por Lula depois de uma avaliação pragmática: a necessidade de um fórum para dar voz ao grupo de governadores nordestinos eleitos em outubro.
E quando a Sudene foi prioridade? Amigos, o presidente veio ao Ceará, no começo do seu primeiro governo, para “inaugurar” a “nova Sudene”. Trouxe inclusive o professor Celso Furtado, que morreu sem ver o projeto sair do papel. Era bravata. Em vez de dar explicações sobre o atraso, Lula volta todo faceiro com a mesma promessa. Alguns projetos só existem no porvir.