Crise do gás
Por Érico Firmo, no O Povo de hoje.
Negociação travada ameaça siderúrgica – Terminou sem resultado a rodada de negociações entre a Petrobras, o governo do Estado e os investidores da usina siderúrgica do Ceará, a Ceara Steel. Após uma conversa tensa e difícil, no Rio de Janeiro, os representantes do governo e dos investidores reconheceram que o resultado não foi bom. Eles avaliam que a instância técnica em que o assunto está sendo tratado já se esgotou e, agora, solicitaram uma nova reunião para levar a questão diretamente ao presidente da estatal, Sérgio Gabrielli.
Já a audiência que o coordenador da bancada cearense no Congresso Nacional, Inácio Arruda (PCdoB), teria ontem com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi adiada. A previsão é que o encontro, para o qual foi convidada toda a bancada do Ceará, ocorra amanhã, às 18 horas, mas a agenda da ministra ainda não está confirmada.
Esse jogo de empurra visa transformar uma questão política (desenvolvimento regional) em mero entrave técnico. Além de fazer cortina de fumaça para o fato de que houve quebra de contrato unilateral, por parte da Petrobras. De que adianta falar com Sérgio Gabrielli ou Dilma Rousseff? É óbvio que ambos agem respaldados. Se não fosse assim, já teriam sido desautorizados. Ademais, não foram Gabrielli e Dilma que prometeram os investimentos na siderúrgica, foi Lula, chefe deles, quando pedia votos aos cearenses. Os representantes do Ceará deveriam declarar publicamente que não aceitam mais essa ministra como interlocutora. O Ceará está sendo tratado pelo governo federal como pedinte, e não como credor de uma dívida. Parece que eles ainda não perceberam a gravidade da situação. Sem a siderúrgica, ficaremos inviabilizados economicamente. Ou Lula cumpre o que prometeu, ou as lideranças políticas do estado, unidas, voltam e denunciam o estelionato eleitoral para o povo.
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