Dois pesos, duas medidas, e uma fraude

Soldados do exército boliviano, acompanhados pelo presidente Evo Morales, ocupam e expropriam instalações da Petrobras na Bolívia. Governo brasileiro e estatal não lamentaram prejuízos. Preferiram cobrar dos cearenses.
Valor Econômico de hoje:
Petrobras pode perder até US$ 1 bi com usina no Ceará – O prejuízo da Petrobras com o fornecimento de gás à usina de aço da Ceará Steel, se não for encontrada uma fórmula de reajuste do valor, pode chegar a US$ 1 bilhão. Essa cifra é superior ao total previsto para o empreendimento, orçado em US$ 800 milhões, de acordo com dados da estatal.

Ah, bom. E só descobriram isso depois das eleições, é claro. A desculpa oficial para o estelionato eleitoral está ganhando corpo e as manchetes do sul. Todo contrato está sujeito a variações e renegociações, mas esse caso é diferente. O tal reajuste no valor do gás foi uma violenta imposição do governo boliviano, que ainda roubou os ativos da Petrobras instalados no seu território. Quanto custou essa perda? Mais ou menos que US$ 1 bilhão? Ninguém disse ainda. Obviamente, o governo brasileiro deveria ter acionado os tribunais internacionais para negociar um preço justo, amparado em estudos técnicos. Em vez disso, preferiu defender o presidente boliviano e espetou a conta nos cearenses. Ou seja, o Planalto foi omisso diante dos caprichos de estrangeiros e agilíssimo na hora quebrar contratos de investimentos feitos no Brasil. Repito: o prejuízo da Petrobras não é resultado do contrato feito com o Ceará, mas da omissão da estatal e do governo brasileiro frente a agressão dos bolivianos.

Supersalários deveriam ser indexados pelo salário mínimo

Jornal O Povo

Conselho libera supersalários de procuradores e promotoresUma polêmica decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), aprovada ontem, fura o teto [salarial] determinado pelo CNJ [Conselho Nacional de Justiça] e garante a promotores e procuradores o direito de manterem um salário de R$ 22,1 mil. Eles receberão o teto do funcionalismo da União, que é de R$ 24,5 mil. O procurador-geral Antonio Fernando de Souza recorrerá no STF contra a medida.

Não quero entrar no mérito jurídico da ação. Mas esse negócio de certas categorias profissionais pagas com dinheiro do contribuinte decidirem quanto irão receber de salário pode até ser legal, mas é imoral. E na prática, é assim que tem funcionado. Por mim, todo e qualquer salário pago pelo Erário deveria ter como índice a variação do salário mínimo. Pronto. Os salários do juízes, dos prefeitos, dos deputados, dos promotores, dos ministros, ou do presidente da República, só poderiam aumentar o mesmo percentual que o salário mínimo. Aposto que haveria mais empenho para melhorá-lo.

Dois pesos, duas medidas, e uma fraude

Soldados do exército boliviano, acompanhados pelo presidente Evo Morales, ocupam e expropriam instalações da Petrobras na Bolívia. Governo brasileiro e estatal não lamentaram prejuízos. Preferiram cobrar dos cearenses.
Valor Econômico de hoje:
Petrobras pode perder até US$ 1 bi com usina no Ceará – O prejuízo da Petrobras com o fornecimento de gás à usina de aço da Ceará Steel, se não for encontrada uma fórmula de reajuste do valor, pode chegar a US$ 1 bilhão. Essa cifra é superior ao total previsto para o empreendimento, orçado em US$ 800 milhões, de acordo com dados da estatal.

Ah, bom. E só descobriram isso depois das eleições, é claro. A desculpa oficial para o estelionato eleitoral está ganhando corpo e as manchetes do sul. Todo contrato está sujeito a variações e renegociações, mas esse caso é diferente. O tal reajuste no valor do gás foi uma violenta imposição do governo boliviano, que ainda roubou os ativos da Petrobras instalados no seu território. Quanto custou essa perda? Mais ou menos que US$ 1 bilhão? Ninguém disse ainda. Obviamente, o governo brasileiro deveria ter acionado os tribunais internacionais para negociar um preço justo, amparado em estudos técnicos. Em vez disso, preferiu defender o presidente boliviano e espetou a conta nos cearenses. Ou seja, o Planalto foi omisso diante dos caprichos de estrangeiros e agilíssimo na hora quebrar contratos de investimentos feitos no Brasil. Repito: o prejuízo da Petrobras não é resultado do contrato feito com o Ceará, mas da omissão da estatal e do governo brasileiro frente a agressão dos bolivianos.

Palpite? Não. É Teoria Política!

Ainda sobre o caso do “fogo amigo” de esquerdistas contra a Prefeitura, vejam que a minha tese de ação coordenada continua repercutindo na imprensa. No post Aliados criticam gestão municipal. Não é crise, é ação planejada (clique para ler a íntegra), de 31 de novembro passado, antecipei que o referido episódio obedecia a uma estratégia de disfarçe. Leiam nota da coluna Comunicado, do Diário do Nordeeste desta terça.

Para bons entendedores Primeiro, foi Sérgio Novais, vereador, presidente estadual do PSB e principal articulador da candidatura de Luizianne Lins (PT) à Prefeitura de Fortaleza em 2004. Escolhendo cuidadosamente a palavra, ele chamou de ´inapta´ parte do secretariado da prefeita. Depois, foi Tin Gomes, presidente da Câmara Municipal e também aliado de Luizianne. Este, mais comedido no discurso, falou da necessidade de reformas no estafe da chefe do Executivo sem enfatizar nenhum adjetivo. A última agora é do Diretório do PT de Fortaleza. Sob o comando de outro aliado de Luizianne – o vice-governador eleito, Francisco Pinheiro –, a instância municipal chamará o secretariado a falar de suas ações. Pois bem, há quem reclame que a prefeita ainda não tratou publicamente do assunto. A pergunta é: com tantos interlocutores privilegiados se pronunciando, precisa mesmo Luizianne dizer o que quer?

Movimento estudado

Diário do Nordeste desta terça.

O governador Lúcio Alcântara ao ser indagado qual o verdadeiro motivo do seu rompimento com o senador Tasso Jereissati, disse, na TV Diário, ontem: “Não fui eu que rompi com ele (Tasso). Ele que, naquela declaração (no início de abril deste ano), rompeu comigo”. (…) E prosseguiu: “A mim foi apresentada uma proposta, presentes o senador Tasso, o ex-ministro Ciro Gomes, para que nós apoiássemos o Cid, que seria o candidato com o compromisso de apoiar o Geraldo Alckmin, e me foi oferecida a vaga de candidato a senador. Eu disse que não seria candidato a senador e disse: estou de acordo, mas vou ficar no governo. Isso até facilita a composição, porque terá mais uma vaga para contemplar um outro grupo político e fortalecer a candidatura do Cid”.

Políticos nunca “desabafam” em entrevistas marcadas. Eles mandam recados, buscam objetivos, sinalizam intenções, enfim, obedecem a um cálculo prévio. Podem até errar, mas a lógica é essa. O rompimento do senador Tasso com o governador Lúcio é objeto de variadas versões, e a rigor, nesse momento, saber quem tem razão é o que menos importa. A diferença agora, passadas as eleições, é que Lúcio admite que teria se prontificado a apoiar Cid Gomes, que em troca apoiaria Alckmin. Observem que a declaração se deu após Ciro Gomes ter dito, em entrevista, que não perdoaria Lúcio pelas acusações que este fez ao irmão do deputado do PSB, na campanha eleitoral. Provavelmente, a versão apresentada pelo governador tem relação com seus projetos futuros, especialmente com a sua saída do PSDB para outro partido. Tudo indica que essa é uma tentativa de Lúcio de reestabelecer canais de interlocução com o próximo governador – ligado ao governo federal, do qual Tasso é adversário. É o xadrez da política.

Jogo do Contente

Personagem do livro de Eleonor H. Porter, a menina Pollyanna era uma otimista incurável. Sua fé no progresso era produto de uma esperança afirmativa. Sua esperança não era devaneio, nem alheamento dos que negam a realidade. No fundo, era vontade de mudar o mundo. Já o otimismo dos nossos empresários não passa de uma aposta forçada.

Site do jornalista Diego Casagrande – terça-feira.
Empresários estão mais otimistas para 2007 – O percentual de empresários que acreditam que o PIB (Produto Interno Bruto) crescerá em 2007 é maior quando comparado ao ano passado: 64% contra 56%, respectivamente. A constatação é da Serasa, em pesquisa realizada entre os dias 28 de outubro e 8 de novembro. Na análise por setor, também há um consenso de que 2007 será melhor do que 2006. Os empresários de instituições financeiras (bancos, financeiras, seguradoras e outros) são os mais otimistas, com 75% dos entrevistados apostando no crescimento econômico, ante 70% em 2006. Os empresários ligados à indústria são os menos otimistas: 62% acreditam na expansão da economia no próximo ano, contra 54% em 2006.

Tradução: Não dá para piorar mais.
Eis a essência do nosso otimismo, excetuando-se as entidades financeiras, que por serem as fiadoras de um Estado perdulário, sabem que vão continuar lucrando como nunca. A verdade é que o Brasil só cresce quando comparado consigo mesmo. Além do mais, sempre que um índice fica abaixo das previsões, como será o caso do PIB brasileiro de 2006, a expectativa de melhoria no ano seguinte aumenta, pois o baixo desempenho de hoje se transforma na base de comparação deprimida de amanhã. Mais ou menos assim: saindo de 0 para 1, o aumento é de 100%. Se a pergunta fosse: Você acha que o Brasil será o país que mais crescerá na América Latina? Ou entre os emergentes? Ou entre as nações de língua portuguesa? A resposta seria NÃO. Sem reformas que possibilitem um profundo corte nos gastos da máquina pública (iclusive nas políticas assistencialistas e na previdência), todos sabem, ficaremos no fim da fila.

Supersalários deveriam ser indexados pelo salário mínimo

Jornal O Povo

Conselho libera supersalários de procuradores e promotoresUma polêmica decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), aprovada ontem, fura o teto [salarial] determinado pelo CNJ [Conselho Nacional de Justiça] e garante a promotores e procuradores o direito de manterem um salário de R$ 22,1 mil. Eles receberão o teto do funcionalismo da União, que é de R$ 24,5 mil. O procurador-geral Antonio Fernando de Souza recorrerá no STF contra a medida.

Não quero entrar no mérito jurídico da ação. Mas esse negócio de certas categorias profissionais pagas com dinheiro do contribuinte decidirem quanto irão receber de salário pode até ser legal, mas é imoral. E na prática, é assim que tem funcionado. Por mim, todo e qualquer salário pago pelo Erário deveria ter como índice a variação do salário mínimo. Pronto. Os salários do juízes, dos prefeitos, dos deputados, dos promotores, dos ministros, ou do presidente da República, só poderiam aumentar o mesmo percentual que o salário mínimo. Aposto que haveria mais empenho para melhorá-lo.

Palpite? Não. É Teoria Política!

Ainda sobre o caso do “fogo amigo” de esquerdistas contra a Prefeitura, vejam que a minha tese de ação coordenada continua repercutindo na imprensa. No post Aliados criticam gestão municipal. Não é crise, é ação planejada (clique para ler a íntegra), de 31 de novembro passado, antecipei que o referido episódio obedecia a uma estratégia de disfarçe. Leiam nota da coluna Comunicado, do Diário do Nordeeste desta terça.

Para bons entendedores Primeiro, foi Sérgio Novais, vereador, presidente estadual do PSB e principal articulador da candidatura de Luizianne Lins (PT) à Prefeitura de Fortaleza em 2004. Escolhendo cuidadosamente a palavra, ele chamou de ´inapta´ parte do secretariado da prefeita. Depois, foi Tin Gomes, presidente da Câmara Municipal e também aliado de Luizianne. Este, mais comedido no discurso, falou da necessidade de reformas no estafe da chefe do Executivo sem enfatizar nenhum adjetivo. A última agora é do Diretório do PT de Fortaleza. Sob o comando de outro aliado de Luizianne – o vice-governador eleito, Francisco Pinheiro –, a instância municipal chamará o secretariado a falar de suas ações. Pois bem, há quem reclame que a prefeita ainda não tratou publicamente do assunto. A pergunta é: com tantos interlocutores privilegiados se pronunciando, precisa mesmo Luizianne dizer o que quer?

Movimento estudado

Diário do Nordeste desta terça.

O governador Lúcio Alcântara ao ser indagado qual o verdadeiro motivo do seu rompimento com o senador Tasso Jereissati, disse, na TV Diário, ontem: “Não fui eu que rompi com ele (Tasso). Ele que, naquela declaração (no início de abril deste ano), rompeu comigo”. (…) E prosseguiu: “A mim foi apresentada uma proposta, presentes o senador Tasso, o ex-ministro Ciro Gomes, para que nós apoiássemos o Cid, que seria o candidato com o compromisso de apoiar o Geraldo Alckmin, e me foi oferecida a vaga de candidato a senador. Eu disse que não seria candidato a senador e disse: estou de acordo, mas vou ficar no governo. Isso até facilita a composição, porque terá mais uma vaga para contemplar um outro grupo político e fortalecer a candidatura do Cid”.

Políticos nunca “desabafam” em entrevistas marcadas. Eles mandam recados, buscam objetivos, sinalizam intenções, enfim, obedecem a um cálculo prévio. Podem até errar, mas a lógica é essa. O rompimento do senador Tasso com o governador Lúcio é objeto de variadas versões, e a rigor, nesse momento, saber quem tem razão é o que menos importa. A diferença agora, passadas as eleições, é que Lúcio admite que teria se prontificado a apoiar Cid Gomes, que em troca apoiaria Alckmin. Observem que a declaração se deu após Ciro Gomes ter dito, em entrevista, que não perdoaria Lúcio pelas acusações que este fez ao irmão do deputado do PSB, na campanha eleitoral. Provavelmente, a versão apresentada pelo governador tem relação com seus projetos futuros, especialmente com a sua saída do PSDB para outro partido. Tudo indica que essa é uma tentativa de Lúcio de reestabelecer canais de interlocução com o próximo governador – ligado ao governo federal, do qual Tasso é adversário. É o xadrez da política.

Jogo do Contente

Personagem do livro de Eleonor H. Porter, a menina Pollyanna era uma otimista incurável. Sua fé no progresso era produto de uma esperança afirmativa. Sua esperança não era devaneio, nem alheamento dos que negam a realidade. No fundo, era vontade de mudar o mundo. Já o otimismo dos nossos empresários não passa de uma aposta forçada.

Site do jornalista Diego Casagrande – terça-feira.
Empresários estão mais otimistas para 2007 – O percentual de empresários que acreditam que o PIB (Produto Interno Bruto) crescerá em 2007 é maior quando comparado ao ano passado: 64% contra 56%, respectivamente. A constatação é da Serasa, em pesquisa realizada entre os dias 28 de outubro e 8 de novembro. Na análise por setor, também há um consenso de que 2007 será melhor do que 2006. Os empresários de instituições financeiras (bancos, financeiras, seguradoras e outros) são os mais otimistas, com 75% dos entrevistados apostando no crescimento econômico, ante 70% em 2006. Os empresários ligados à indústria são os menos otimistas: 62% acreditam na expansão da economia no próximo ano, contra 54% em 2006.

Tradução: Não dá para piorar mais.
Eis a essência do nosso otimismo, excetuando-se as entidades financeiras, que por serem as fiadoras de um Estado perdulário, sabem que vão continuar lucrando como nunca. A verdade é que o Brasil só cresce quando comparado consigo mesmo. Além do mais, sempre que um índice fica abaixo das previsões, como será o caso do PIB brasileiro de 2006, a expectativa de melhoria no ano seguinte aumenta, pois o baixo desempenho de hoje se transforma na base de comparação deprimida de amanhã. Mais ou menos assim: saindo de 0 para 1, o aumento é de 100%. Se a pergunta fosse: Você acha que o Brasil será o país que mais crescerá na América Latina? Ou entre os emergentes? Ou entre as nações de língua portuguesa? A resposta seria NÃO. Sem reformas que possibilitem um profundo corte nos gastos da máquina pública (iclusive nas políticas assistencialistas e na previdência), todos sabem, ficaremos no fim da fila.

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