Do blog do Fernando Rorigues
STF derruba a cláusula de barreira epartidos nanicos continuam com regalias – O STF (Supremo Tribunal Federal) acaba de julgar a constitucionalidade de parte da lei 9.096, de 1995, e acaba de jogar a “cláusula de barreira” na lata do lixo. Ou seja, os partidos nanicos, ideológicos e/ou fisiológicos, poderão continuar a ter amplo acesso a dinheiro público, tempo no rádio e na TV, bem como a ter estruturas de lideranças dentro dos Poderes Legislativos (federal, estaduais e municipais). Regalias não compatíveis com os votos que recebem nas urnas, mas agora garantidos pela mais alta Corte de Justiça do país. A cláusula exigia que cada partido tivesse 5% dos votos para deputado federal em todo o país e 2% em pelo menos 9 unidades da Federação.
Folha On line – A oposição conseguiu derrotar o candidato da base aliada Paulo Delgado (PT-MG) para a vaga de ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) que cabe a Câmara dos Deputados indicar. Em votação secreta, o plenário da Câmara escolheu por 172 votos Aroldo Cedraz (PFL-BA) para a vaga. (…) Para evitar a derrota, a base aliada chegou a realizar uma eleição com 213 deputados para escolher o nome de Delgado.
A vitória de Lula no segundo turno da eleições foi compreendida por muita gente como uma demonstração incontestável de força. Este blog nunca endossou tal pensamento, por entender que, no caso específico da reeleição, não vencer no primeiro turno é sinal de fraqueza. Um bom governo vence a parada de uma vez. Isso é que é demonstrar força e credibilidade. Do contrário, significa que ele é visto com desconfiança por boa parte do eleitorado, e que lhe falta capital político para interagir com a opinião pública. Nessa situação, o governo reeleito tende a fazer mais concessões para atrair aliados e compensar o desgaste que sofre. Via de regra, os partidos fisiológicos percebem rapidamente esse flanco aberto e tratam de se oferecer como parceiros da governabilidade, deixando claro, no entanto, que irão cobrar mais caro pelo apoio. É para atender essa demanda por cargos e verbas que o PT perderá espaço no ministério de Lula. A vitória de um oposicionista para o TCU, que servirá para a base aliada chantagear o Planalto nas eleições para a presidência da Câmara dos Deputados, é a materialização desse processo. Esse fato, junto com o apagão aéreo, sinaliza que o segundo governo de Lula começa sob o signo da falta de articulação política e da ausência de rumos bem definidos. É a mais pura exposição da fragilidade política de um governo que já nasce envelhecido.
De Dom Corleone a Roberto Justus, a regra é a mesma: o chefe é quem manda.
Sérgio Gabrielli (Petrobras) obedece o seu superior hierárquico, o ministro da Minas e Energia Silas Rondeau (quem?), que obedece a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que obece o presidente Lula da Silva. É assim que funciona o organograma de decisório da crise do gás. Com inteligência, astúcia e altivez, a senadora Patrícia Saboya cercou esses subordinados no intuito de pressionar o comando do Planalto. Afinal, seria muita ingenuidade acreditar que tantos subalternos assumissem uma posição sincronizada sem a aprovação do chefe. É que ela não se submete ao “Centralismo Democrático” da esquerda. Sua fidelidade serve antes aos cearenses.
Fábio Campos – O Povo desta quinta
SENADORA ARRANCA COMPROMISSO DO GOVERNO – Estavam na audiência da Comissão do Senado o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, e o presidente da Petrobras. O tema central era a relação do Brasil com a Bolívia, mas, de forma pertinente, Patrícia Saboya introduziu o caso da siderúrgica. Foi a oportunidade para fazer um detalhado relato histórico dos acontecimentos diante de dois personagens chave. A senadora mostrou o contrato, leu suas cláusulas, apresentou fotografias e, enfim, disse quem estava rompendo um compromisso. Disse que além do Ceará, o presidente da República estava sendo desrespeitado. (…) Cristão novo no debate (seja bem vindo) o ministro Silas Rondeau assumiu o compromisso que precisávamos: uma reunião com os empreendedores privados, a Petrobras, o Governo do Ceará e o Governo Federal.