A camuflagem serve para encobrir. Parece uma inofensiva paisagem, mas o soldado está lá. Se você não olhar com atenção, não percebe a realidade.
Por Beto Almeida, no site Ceará Agora
O presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, vereador Tin Gomes (MD, ex-PHS), foi reeleito hoje para o biênio 1997-98. A recondução do parlamentar foi por unanimidade (41 votos), fato inédito na história da Câmara Municipal, em que as eleições sempre foram marcadas por disputas acirradas. O vereador Sérgio Novais (PSB) fica como a primeira vice-presidência;José do Carmo (PFL) na segunda vice-presidência; o primeiro-secretário é Luciran Girão (MD, ex-PHS); segundo-secretário, Adelmo Martins (PR, ex-PL), e Jorge Vieira (MD, ex-PHS) como terceiro-secretário.´A posse da nova Mesa Diretora ocorrerá no dia 1º de janeiro de 2007.
Quer saber se existe uma crise política envolvendo a base parlamentar de um governo? É simples. Basta conferir os resultados das matérias tramitadas, que a média de votos pró-governo evidencia o tamanho do apoio que este tem. No episódio da reeleição de Tim Gomes – cuja atuação é elogiada, mas que expressa uma situação política específica – a oposição nem sequer lançou um candidato para mostrar que existe e que se diferencia da situação. E os apoiadores de Luizianne na Câmara, que muitos imaginam viver uma crise, beirando um racha, votaram bem direitinho no candidato dela. Faz tempo que esse blog demonstrou que a suposta crise era, na verdade, um método de ocupação dos espações do debate público. Bate-boca não pode ser confundido com crise política, que é quando o Executivo é sistematicamente derrotado no Legislativo, como, por exemplo, no caso da eleição de Severino Cavalcanti para a Câmara Federal em 2005.

“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”
Rui Barbosa, em discurso proferido no dia 13 de outubro de 1914, no Senado Federal.
by Frank – A Notícia (SC)
Vejam o que este blog publicou sobre o reajuste salarial dos procuradores e promotores, no último dia 05.
“Esse negócio de certas categorias profissionais pagas com dinheiro do contribuinte decidirem quanto irão receber de salário pode até ser legal, mas é imoral. E na prática, é assim que tem funcionado. Por mim, todo e qualquer salário pago pelo Erário deveria ter como índice a variação do salário mínimo. Pronto. Os salários do juízes, dos prefeitos, dos deputados, dos promotores, dos ministros, ou do presidente da República, só poderiam aumentar o mesmo percentual que o salário mínimo. Aposto que haveria mais empenho para melhorá-lo.”
Era questão de tempo para deputados federais e senadores fazerem o mesmo. Como também irão fazer os deputados estaduais e vereadores de todo o país. É o efeito cascata. Mas convenhamos que 90% de reajuste é um absurdo, um escárnio. Se eu fosse dado a fazer campanhas, essa seria uma boa oportunidade para propor uma mudança na lei: “Salário mínimo como indexador de remuneração para os poderes públicos, já!” Assim, a variação dos salários das autoridades remuneradas com dinheiro público deveria obedecer, obrigatoriamente, o percentual de aumento concedido ao salário mínimo. Se este só puder ser reajustado em 6%, por exemplo, os demais deverão ter como teto esse valor de referência. Mas, por algum motivo, acho que eles não aceitariam a proposta.
Foi uma semana produtiva no Congresso Nacional. A CPI dos sanguessugas pediu o indiciamento de peixes pequenos metidos com o superfaturamento de ambulâncias e com o dossiê fajuto contra tucanos. Sobre o único deputado envolvido nesse caso, o cearense José Airton (PT), nenhum sinal de cassação. Por outro lado, mais alguns parlamentares envolvidos no escândalo do mensalão foram absolvidos, não obstante a existência de fartas e eloqüentes provas, inclusive com algumas confissões que em nada resultaram.
Para compensar o estafante ofício de garantir a impunidade geral, Suas Excelências resolveram premiar o próprio esforço com um vertiginoso aumento salarial autoconcedido.
Nos resta como consolo e defesa, a distinção simplória que faz deles, nossos representantes eleitos, seres abjetos, diferentes de nós, demais cidadãos. Como se uma conjunção de fatores misteriosos conspirasse contra a nação e, numa coincidência monumental, tratasse de por no poder justamente a minoria de maus elementos, em prejuízo da maioria dos bonzinhos. Na verdade, o Congresso é o reflexo das nossas escolhas morais, e reconhecer isso é sempre incômodo.