Paradigmas indesejáveis
Por Eliomar de Lima, no O Povo desta terça-feira.
Cota do PT na equipe de Cid Gomes não fica só em cidades
Cartaxo disse que o partido já expôs para o governador eleito Cid Gomes a preferência pelas secretarias da área social
O futuro secretário estadual de Cidades, arquiteto Joaquim Cartaxo, afirmou nesta manhã, ao programa Bom Dia Ceará (TV Verdes Mares), que a cota do PT não deverá se resumir a essa pasta. Cartaxo disse que o partido já expôs para o governador eleito Cid Gomes a preferência pelas secretarias da área social como Educação, Trabalho, Saúde, Esportes e até a área da ecomomia. (…) Cartaxo adiantou ainda que a pasta de Cidades nasce como forma de se adequar ao que existe no plano do governo federal, com objetivo de aumentar o entrosamento de projetos e recursos entre Estado e União.
Cid Gomes já conhece bem o petismo. Quando foi prefeito de Sobral, governou com o partido que continuará seu aliado no governo estadual. Mas é sempre bom ficar alerta para a fome de cargos e de verbas com a qual a sigla vem se notabilizando no plano federal. Essa conversa de preferência pela área social serve como propaganda, cuja mensagem subjacente é a de alardear uma suposta sensibilidade com os pobres que só um partido amigo das ong’s pode ter. Na verdade, trata-se de uma retórica que também serve para camuflar interesses bem mais… pragmáticos, se é que me entendem. Nessas pastas – as ditas sociais – é que o PT, como nenhum outro partido já fez na história do Brasil (nem Getúlio Vargas), conjuga aparelhamento do Estado com proselitismo eleitoral. Nas eleições passadas, vimos como entidades não governamentais entupidas de dinheiro governamental atuaram em prol da reeleição de Lula. Tendo em vista a dificuldade de fiscalizar a execução de projetos sociais, e o fato de que a oposição – que deveria ficar a cargo do omisso PSDB – não incomodará ninguém, o risco de ações inconsequentes (o predidente Lula falou da existência de “aloprados” na sigla) é grande.Se o petismo deseja a área social, é prudente que Cid lhes conceda outra área onde a expertise do partido não tenha causado tantos escândalos.
Outra coisa. Sobre as declarações de Cartaxo, é importante frisar que Cid já avisou, acertadamente, que pretende cortar custos e diminuir a máquina. Portanto, ter a estrutura administrativa do governo federal como modelo é um contra-senso, posto que o aumento do número de ministérios para abrigar companheiros em eleições é de conhecimento público.
