PSDB no governo Cid – Análise
Imbróglio – óleo sobre acrílico de John Peart. As cores se misturam, as formas se alteram, mas a imagem resulta de uma técnica calculada.
Leiam os próximos três posts abaixo. Dão conta da adesão do PSDB estadual ao governo de Cid Gomes, inclusive com direito a, por enquanto, uma secretaria. Há boatos sobre uma segunda pasta que ficaria com os tucanos. Mas deixemos de lado as especulações e lidemos com os fatos. Não há surpresa alguma nisso. Como disse o deputado Heitor Férrer (PDT), só um tolo acreditaria que o PSDB faria oposição a Cid. No entanto, o pedetista erra nas motivações, ao dizer que os tucanos agiram guiados por um adesismo fútil e automático capaz de reunir os ex-companheiros supostamente rompidos. Na verdade, para que o PSDB de Tasso fizesse oposição a Cid Gomes (ou ao cirismo), seria necessário que a duas forças fossem adversárias, que ambas comungassem de valores contrários e inconciliáveis, ou ainda que tivessem histórias distintas. Essa conjunção de fatores não existe entre os dois grupos, pelo contrário, ela sempre se fez nítida em relação ao PT, esse sim, aliado circunstancial dos Gomes. Esse é o nó da questão, e não é tão difícil desatá-lo.
O jornalista e filósofo Olavo de Carvalho escreveu no Jornal do Brasil (clique aqui para ler), que “para saber a filiação ideológica de qualquer político brasileiro, não pergunte em que ele crê, mas com quem ele anda, a quais pressões e injunções ele é sensível, em quais esquemas de ação coletiva está metido.” O conselho cai como uma luva para avaliarmos as alianças partidárias celebradas nas últimas eleições estaduais. O PSDB rachou com o desentendimento de seus líderes Tasso e Lúcio. Os jornais afirmam que Tasso desejava manter a aliança com Ciro, mas que Lúcio não topou. O PT, fragilizado pelos escândalos nacionais e locais, não teve força para lançar um candidato próprio. O PSB de Cid sabia das possibilidades de vitória, mas precisava do apoio de uma sigla que pudesse garantir estrutura e tempo de propaganda. Foi essa conjuntura especial baseada em cálculos de curto prazo que possibilitou o arranjo das coligações estaduais. O inusitado não é o embarque do PSDB no governo de Cid, mas a união que pôs lado a lado, antigos rivais como Luizianne Lins e Mauro Filho, por exemplo. Seguindo o conselho de Carvalho, podemos concluir que esse foi um roteiro previsível. Com quem sempre andou o cirismo no Ceará?
1 Comentário
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By Luiz Henrique Falcao, 29/12/2006 @ 8:22
O senador Tasso e o Dep. Ciro sao homen que assima de tudo colocam o Ceará afrente de qualquer diferença o que o tornam tao ligados. Ja o PT gosta do poder para poder fazer o ilicito fato comprovado no Governo Lula e a a falta de preparaçao de Luiziane na administraçao de Fortaleza, so querem esta la, para poder aparelhar o Governo e sugar dinheiro para o Partido e em beneficio proprio. Nao foi atoa que quando viram em Cid uma oportunidade de chegar ao poder nao pensaram duas vezes o apoiaram. Cid agora mostra muita personalidade e coloca seu toque pessoal ao governo, sempre pensando do Ceará primeiro.