Maquiavel às avessas
Maquiavel (1496-1527): Ao contrário do que muitos pensam, ele não pregava o vale-tudo.
Do blog do Reinaldo Azevedo
“Acabou a novela. Tudo para o ano que vem. Aldo sofre mais uma derrota – Acabou! Fica tudo para ser decidido em 2007: verba indenizatória, 14º e 15º salários. Depois da grande, foi mais uma pequena derrota para Aldo Rebelo, que insistia em votar alguma coisa agora. O PT, que ajudou a aprovar o mega-reajuste, rejeitado pela sociedade, tirou a escada. E deixou o aliado falando sozinho. O presidente da Câmara foi quem mais se queimou nesse processo. Sai dele cheio de escoriações, tanto públicas como, digamos, corporativas.”
É verdade que Aldo não seria louco de bancar, sozinho, uma idéia nascida por acaso na sua cachola vazia. Obviamente, houve articulação e apoio. Variáveis foram calculadas. Reeleger um aliado do Planalto para a presidência da Câmara, comprar mais influência junto a seus pares assumindo individualmente a impopular proposta de aumento, seriam ganhos maiores do que as possíveis repercussões negativas na opinião pública. Cálculo errado, como vimos.
O pensador florentino Nicolau Maquiavel dizia que o bem deveria ser feito aos poucos, de forma que seus dividendos perdurassem, e que o mal deveria ser feito de uma vez só, para ser esquecido o mais rápido possível. Vai ver que de uma lógica similar surgiu a tal proposta de 90% de aumento. Maquiavel, no entanto, nunca disse que o mal poderia ser praticado indiscriminadamente, ou ilimitadamente. Existem limites até para o maquiavelismo…
Aldo se queimou, sim. Porém, “nunca antes neste país” vimos o legislativo ser tão desmoralizado. A sensação que toda a corrupção emana do parlamento é falsa, enfraquece a democracia, e, por tabela, estimula (ou reforça) o voluntarismo do poder executivo.











