Queremos conjugar no futuro do presente ou do pretérito?

Alguns futurólogos e adivinhos, de tanto viverem o futuro, esquecem-se do presente e do passado.

Leiam o post abaixo deste. O Brasil ficou para trás, se comparado aos países emergentes que fizeram as devidas reformas, exugaram suas máguinas administrativas e adotaram rígido controle de gastos. Agora leiam alguns trechos de um artigo publicado ontem, no O Povo, assinado pelo futurólogo e deputado federal José Pimentel (PT-CE), aquele que foi designado para operar um dos maiores estelionatos eleitorais da história, no papel de relator da reforma da Previdência, condenada e combatida pelo PT durante os anos de oposição. Com esse histórico de credibilidade, Pimentel anuncia novos amanhãs cheios de expectativas e previsões para investimentos que serão feitos pelo inconsistente Plano de Aceleração do Crescimento – PAC. Ou seja, em vez de dar satisfações sobre o que fez (no caso, pelo que não fez), o fiel deputado promete mais e muito. Notem que os discursos governistas vivem um eterno futuro do presente (investirá, fará, transformará), enquanto suas ações agonizam num frustante futuro do pretérito (cresceria, poderia, queria). O texto acusa como entraves para o crescimento justamente as medidas tomadas pelos países quem crescem, anuncia um fabuloso investimento em infra-estrutura de 504 bilhões de reais, e depois confessa que o Estado, que para precisa ser grande e forte, instirá apenas 67 bi, ficando o resto com a gananciosa… iniciativa privada.

ESTADO VOLTA A PLANEJAR E DEFINIR POLÍTICAS – Lula inicia o seu segundo mandato com o lançamento do PAC. É a volta do Estado que planeja, aponta caminhos, define políticas e incentiva novos investimentos. (…) A expectativa de investimento em infra-estrutura até 2010 é R$ 503,9 bilhões, sendo R$ 67,8 bilhões com recursos do Orçamento e o restante proveniente das estatais e da iniciativa privada. Somente em habitação serão investidos R$ 106 bilhões, beneficiando quatro milhões de famílias. O saneamento básico receberá R$ 40 bilhões em investimentos. Estão previstas as obras de integração do rio São Francisco a bacias hidrográficas do Nordeste, além de sua revitalização. Em todo o país, serão investidos R$ 274,8 bilhões em infra-estrutura energética. O Ceará receberá recursos para o Canal da Integração, duplicação da BR 222, Metrofor, reforma do Aeroporto Pinto Martins, Transnordestina, melhorias nos portos de Fortaleza e Pecém, além de projetos de biodiesel e gás natural. Em todo o país, serão recuperados 42 mil quilômetros de rodovias. Para ler o texto completo, clique aqui.

Brasil: o emergente que submerge

Notícia postada do site Invertia, originária da BBC Brasil

O Brasil está ficando para trás em relação a outros países emergentes, alerta nesta quarta-feira o diário econômico The Wall Street Journal (WSJ). O jornal diz que a decisão da agência de risco Standard & Poors’s de conceder o status de grau de investimento à Índia na sua tabela de classificação de risco “deixou o titã latino em um clube solitário”. Rússia e a China, as duas outras potências emergentes da economia mundial, também já gozam do status. Para o WSJ, “déficits crônicos, crescimento econômico lento e um clima desfavorável aos negócios” devem manter o Brasil em posição inferior ao dos concorrentes “num futuro previsível”. Segundo o jornal, a economia indiana tem crescido a uma média anual de 8% nos últimos três anos, puxada pelos setores de indústria e serviços. No mesmo dia em que a S&P elevou a nota da Índia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse em Londres que o Brasil não precisa crescer ao mesmo ritmo indiano.

Mas onde diabos arrumaram esse Guido Mantega? A capacidade de criar constrangimentos desse senhor parece não ter limites. E quando um ministro da Fazenda fala besteira, é bom termos em mente que isso nunca sai de graça. No mínimo, ele posterga investimentos com seus gracejos inoportunos. Quem vai investir num país no qual a autoridade econômica desdenha da competência alheia e comemora a própria incompetência? Quem vai apostar num país cujo governo – Mantega fala em nome dele – diz que não precisa crescer? Enquanto Lula vai ao Fórum Econômico Mundial ensinar capitalismo aos homens mais ricos do mundo, sua administração condena o país à estagnação.

O mundo vive um período de prosperidade inédito pelo volume de riqueza e pela duração, e países como Índia, Rússia, Irlanda, Argentina, Chile e Turquia estão aproveitando. Com a média de crescimento em torno de 2,5%, o Brasil não consegue nem sequer absorver os jovens que anualmente entram no mercado de trabalho. E antes que culpem os “500 anos de exploração”, Lula disse em sua posse que agora não pode mais ser comparados com outros, só com ele mesmo.

Troca de favores

Blog do Eliomar

E o P-Sol, que deverá votar em branco no primeiro turno das eleições para presidente da Câmara dos Deputados, poderá votar em Aldo Rebelo (PCdoB -SP), atual presidente da Casa, no segundo turno. Segundo assessores do deputado federal não reeleito João Alfredo, dirigente do partido no Ceará, o P-Sol vai se reunir nesta quinta-feira em Brasília para aprovar essa decisão. Por que apoiar Aldo? Porque ele fez trabalho de pressão em favor da queda da cláusula de barreira, no que a turma de Heloísa Helena escapou.

Os membros do P-Sol gostam de posar de monopolistas da ética, imunes aos encantos do poder. É um filme velho, que busca mistificar uma ideologia. Heloísa Helena não foi expulsa do PT por se indignar contra os mensaleiros, nem por condenar o aparelhamento do Estado. Foi por questões internas, numa disputa com José Dirceu. Apoiar Aldo Rebelo para a reeleição na presidência da Câmara Federal, significa coonestar com o presidente do legislativo mais servil que já houve, que manobrou para livrar a cara dos mensaleiros e que propôs o aumentão de quase 100% para os deputados e senadores. João Alfredo fala em gratidão. Deveria falar em lisura, em compostura, em independência, em magistratura. Mas se o parâmetro fosse a conduta pessoal, o histórico, a reputação, o P-Sol teria que apoiar Gustavo Fruet, que apesar de não ser ladrão, é tucano. E isso é demais para os nossos queridos radicais. Sabem como é, Aldo agiu conforme um entendimento que despreza a moral burguesa, foi, antes de ser altivo, disciplinado. Fruet defende que os aumentos salariais dos deputados não ultrapassem a inflação, e defende que as investigações sobre a conduta de deputados que renunciaram para se candidatar de novo continuem. Não há saída honrada que não seja o voto em Fruet. Não se deixem enganar, o P-Sol é o PT de ontem.

Nepotismo

Jornal O Povo

Antes de entrar no auditório do Pleno para a solenidade [posse do novo presidente do Tribunal de Justiça], o governador Cid Gomes (PSB) declarou que só vai exonerar seu irmão Ivo Gomes (PSB), da chefia de seu gabinete, mediante uma decisão judicial. “O Ivo não recebe salário do Governo. Ele é deputado estadual e recebe salário como deputado estadual. Por isso não enxergo aí nenhum favorecimento, ao contrário, ele está em um sacrifício colaborando com a administração. Até que tenha uma questão julgada em relação a isso, não vou exonerá-lo. Eu não enxergo nepotismo e vou agir dessa forma”, afirmou.

Questionado sobre o possível mau exemplo que a postura pode causar nas administrações do Interior, abrindo precedente para que os prefeitos se sintam à vontade para contratarem seus parentes, ele disse: “Vamos ver. Estou ciente de que não há nenhuma prática de nepotismo no Governo. Nepotismo é você contratar parentes, sem qualificação, geralmente em número demasiado, para ocupar funções por favorecimento”, disse.

É bom lembrar que no Ceará houve um tempo em que a regra era o governante empregar inúmeros parentes, a maioria sem a qualificação necessária para os cargos, com altos salários, e muitas vezes, empregando também parentes de cônjuges. Era comum também que esses parentes nem sequer comparecessem nas repartições, pois estavam empregados em outros lugares. Jornalistas, inclusive. Recebiam sem trabalhar. O caso era tão escandaloso, a prática tão disseminada, que quando Tasso Jereissati foi assumiu, um dos seus primeiros atos foi demitir essa parentada e exigir que os servidores batessem o ponto. Muita gente ainda não perdoa o ex-governador por ter perdido a boquinha.

Cid gomes nomeou um parente para trabalhar diretamente com ele. O governador afirma que seu irmão não recebe salário pago pelo governo e lembra que Ivo Gomes é um profissional qualificado, além de deputado estadual. Poderia ainda argumentar que o cargo de Chefe de Gabinete pede um nome de total confiança e sintonia com o governador. O problema é que para exigir a proibição do nepotismo (nomeação de parentes para cargos públicos), é preciso ter uma autoridade lastreada pelos fatos, ou seja, é preciso não nomear parentes, sob hipótese alguma. O caso atual difere dequeles outros citados acima, por isso é preciso ter cautela. Não se trata de corrupção, mas, digamos assim, de pudor, de prevenção. Demitir Ivo agora poderá soar como uma demonstração de fragilidade; mantê-lo pode servir, como disse a reportagem, de exemplo. Dadas as circunstâncias, Cid acerta em dizer que aguarda um pronunciamento oficial sobre o caso, deixando claro que não exclui nenhuma opção. A seu favor, o governador conta com o fato de não possuir opositores, que poderiam constrangê-lo.

Charge

Por Clauro, no Imparcial (SP)

Eles não coram a face, eles não desistem nunca

Do site Ceará Agora.

Duelo
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O PSDB e PT disputam a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, de olho no programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os senadores Tasso Jereissati e Aloizio Mercadante já comunicaram a suas respectivas bancadas o interesse no posto. Para garantir a posição pretendida, o PT articula um bloco de 27 senadores com os partidos menores da base aliada, dentre eles o PSB, o PR e o PCdoB. Os tucanos ameaçam fazer uma retaliação, ao formar um bloco de 31 deputados com o PFL.

Notem bem. A Camara Federal tem dois candidatos saídos da base aliada. Arlindo Chinaglia é o preferido de José Dirceu e dos mensaleiros, Aldo Rebelo é o atual presidente e quer a reeleição como prêmio por sua servidão ao Planalto. Enquanto isso, no senado, vemos Aloísio Mercadante tentando ressucitar a carreira, já que a reputação não dá mais. Para quem já esqueceu, Mercadante foi o canditado do PT ao governo de São Paulo cujos assessores tentaram fraudar as eleições com o dossiê fajuto. As tímidas investigações o colocam na condição de responsável objetivo pelo episódio, ainda que ele, assim como Lula, alegue não saber de nada. Mercadante, o economista tido como autoridade na área e que previu o fim do Plano Real, o político que defendia aumentos de 100% para o salário mínimo quando estava na oposição, assim como os mensaleiros, aposta na impunidade e no esquecimento. Eles não desistem nunca.

Autismo intelectual

Ainda sobre a entrevista com o historiador colombiano Gerson Ledezma, doutor pela UNB (Brasília) e que leciona na UFC, cabe ressaltar que suas idéias (vejam post abaixo) expressam o pensamento hegemônico nas universidades brasileiras, dominadas pelo marxismo/gramcismo. Por isso somos irrelevantes não só economicamente, mas também intelectualmente. Não é à toa que a América Latina caminha hoje na contramão da história, embalada pelo populismo e pelo nacionalismo estatista.

Vejam o comentário do filósofo Olavo de Carvalho sobre essa situação.

“Ninguém sabe de nada que os outros já não saibam [na universidade]. Ninguém diz nada que os outros já não tenham dito ou estejam ansiosos para dizer. Curiosamente, para quem vive dentro dessa atmosfera, a rarefação mesma do seu conteúdo é fonte de uma tremenda sensação de segurança. A ignorância geral confirma as ignorâncias individuais, que por sua vez a confirmam de volta, produzindo uma impressão de generalizada onissapiência. Daí esse fenômeno impressionante, tipicamente brasileiro, do qual não se encontra similar no mundo: o intelectual acadêmico radicalmente apedeuta, semi-analfabeto, ignorante até do idioma, que é consultado sobre mil e um assuntos, faz discípulos e se torna uma referência indispensável, um maître à penser, um guru.” Para ler a íntegra, clique aqui.

Veias abertas da mesmice

O urugaio Eduardo Galeano, autor de Veias Abertas da América Latina, publicado em 1970. A América Latina como mero peão dos países desenvolvidos é uma tese que a esquerda não consegue superar. Eles pararam no tempo.

Entrevista publicada no O Povo com o professor colombiano Gerson Galo Ledezma Meneses, doutor em História pela Universidade de Brasília – UNB. Vejam como desperdiçamos o nosso dinheiro com o ensino superior. Sou historiador formado pela UFC, e tudo o que li nas respostas de Gerson não passa de uma reformulação do livro Veias Abertas da América Latina, do uruguaio Eduardo Galeano, ou seja, o mesmo discurso ideológico de 10, 20, 30 anos atrás. Resumindo, diz que a esquerda é uma grande solução para os problemas da humanidade, que o capitalismo fracassou, que tudo de ruim é culpa dos EUA. Vejam alguns trechos reproduzidos em vermelho, acompanhados por comentários meus em azul.

Para entender a América Latina do começo do século XXI, precisamos entender a América Latina do fim do século XX, quando se insere a questão do neoliberalismo. Essa esquerda promove uma resposta contra o neoliberalismo que se instaura especialmente a partir do Consenso de Washington, do final da década de 1980.
Resposta ao neoliberalismo? Aonde? A rigor, não existe NENHUMA política fiscal, tributária, ou social estabelecida pela esquerda latino-americana. Nada. As políticas compensatórias, tipo Bolsa-Família, foram copiadas (e pioradas) dos liberais ingleses. A esquerda não consegue e talvez não possa apresentar alternativas à responsabilidade fiscal, ao superávit primário e às metas de inflação. O que existe na América Latina é a exploração populista dos ressentimentos e da miséria – atenção agora – criada e mantida pelos próprios latino-americanos. Notem que o professor não resiste e culpa Washington por tudo, até pela agenda dessa esquerda local. É o vício acadêmico do vitimismo. Somos pobres e eles ricos, e isso dói para esse pessoal.

Então, acho que se algum movimento no século XX conseguiu captar a essência da América Latina para promover mudanças de cunho social é o populismo. Hoje, o populismo volta. Parece-me muito chave a figura de Hugo, onde o populismo revive no século XXI para mostrar que realmente a tentativa dele é, pegando todos os setores da sociedade, fazer uma revolução. Uma revolução que se pretende de baixo para cima. E não como se pretendeu em Cuba e na União Soviética, onde se pretendeu fazer uma revolução de cima para baixo.
É a primeira vez que vejo alguém celebrar o populismo como uma forma de progressismo. O populismo é um atraso típico das sociedades mais carentes de liderança moral e intelectual, é a fé no messias governamental que irá mudar a realidade por decreto – nisso, o socialismo se parece muito com populismo. Outra semelhança: Chavez já é um ditador. Já a velha distinção do socialismo ideal com o modelo soviético, não passa de um mecanismo de defesa automático das esquerdas para não ter que responder pelos próprios atos.

Mas, de todas as maneiras, não podemos perder de vista que todos esses projetos estão sendo baseados em um mundo capitalista. Então, tem que estar em comunicação com o capitalismo mundial. Ele (Chávez) sabe que sem os EUA que compram petróleo não pode fazer uma revolução. Agora, o que ele pretende é que pelo menos a cultura não seja vendida e comprada no interior da Venezuela. É uma pretensão de usar aquilo que tem de bom no capitalismo para poder instaurar a revolução social.
É a desculpa para explicar como a falta de idéais do socialismo para a economia real obriga a esquerda a aderir a princípios capitalistas. Usar o que tem de bom do capitalismo (e da democracia), para instaurar a revolução foi o mote usado por Lênin e Mao, e aperfeiçoado por Gramsci, mas onde foi posto em prática terminou em miséria, totalitarismo e trauma.

A Montanha Mágica

A Montanha Mágica, de Thomas Mann. A mística de Davos alude à reflexão e ao desfio do saber, sem, no entanto, esquecer da idiotia e das trevas da ignorância.

No clássico da literatura universal A Montanha Mágica, o escritor alemão ganhador do prêmio Nobel Thomas Mann narra as descobertas de um personagem que foi à aldeia de Davos-Platz passar uma temporada num sanatório Berghof. É o jovem Hans Castorp, que durante sete anos entra em contato com pessoas de diversas partes do mundo também presentes na montanha, aprende e refaz idéias, debate o humanismo e reflete sobre a filosofia moderna, tudo com base em muita leitura e estudo. Eventualmente, figuras limitadas e pretensiosas, no estilo novos ricos , apareciam para divertir os demais com suas gafes e pretensões arrogantes.

Agora, no século XXI, a realidade nos prega uma peça e nós, brasileiros, enviamos o nosso representante oficial, o presidente Lula, para falar em nome da nação no Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente na mesma Davos, na Suíça. O operário aposentado ainda jovem, sem formação acadêmica, filho de uma mãe que, nas palavras dele “nasceu analfabeta”, tornado presidente de um país responsável por apenas 1% do comércio mundial, vai ao Fórum ensinar capitalismo e democracia para o mundo. A quantidade de bobagens e obviedades, todas pronunciadas em tom acaciano, só não causa mais vexame porque o Brasil, assim como a América Latina, goza de uma inédita (nunca antes…) irrelevância no concerto das nações. Quando o assunto é países emergentes, todos querem ouvir os chineses e os indianos.

Uma breve pesquisa no site da Folha Online, podemos ver que Lula já disse que os juros não podem baixar por mágica, mas que o déficit da Previdência não o preocupa; depois afirmou que o nosso problema não é a falta de crescimento, e sim a má distribuição de renda. Como sempre, ele tenta reproduzir comentários que escuta de assessores e mistura tudo num pensamento confuso. Vejam a inconsistencia das afirmações citadas. Uma vez que os juros não baixam principalmente pelo impacto negativo do déficit da Previdência nas contas públicas, esta não pode ser desprezada como algo secundário. São questões interligadas tratadas com descaso. E sobre crescimento econômico, ele pode ocorrer com concentração de renda, mas é impossível distribuir renda sem crescimento econômico. Ou seja, não dianta querer um sem prover o outro. Essa amostra bem ilustra o despreparo do presidente, que não consegue formular um discurso capaz de se manter coerente por pelo menos uma semana.

Lula é aplaudido pelos presentes e ganha o noticiário brasileiro. Fala em nome dos pobres e faz a alegria dos europeus que se divertem com o bom selvagem, tal qual o relato de Rosseau. O presidente já propôs um Fome Zero mundial, com apoio de roqueiros envelhecidos, já sugeriu a criação de um imposto sobre as armas, que seria gerido ninguém sabe como. Todos disseram achar tais idéias bacanas, mas na prática ninguém lhe deu ouvidos e tudo foi esquecido. É sempre assim, não poderia ser diferente.

Socialismo sonso

Quando um cego que não quer enxergar se propõe a conduzir outros cegos igualmente ansiosos de nada ver, a cores do mundo não passam de mero detalhe insignificante.

O senhor Gilvan Rocha, presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP, que, confesso, não conheço o trabalho, nem sei a quem é ligado, assina um artigo entitulado Socialismo estapafúrdio, no jornal O Povo. Trata-se de uma pérola da inversão dos fatos afim de proteger os utopias pueris e macabras do esquerdismo do contato com a realidade dos fatos. Trechos do texto do senhor Rocha seguem em vermalho, acompanhados de observações minhas em azul.

Após a revolução Russa, em 1917, assistimos a uma caminhada desastrosa rumo ao socialismo. Primeiro, foi a derrota na Europa Ocidental, o que teve como conseqüência a asfixia da Rússia-soviética redundando na ascensão do stalinismo cujo fundamento era a esdrúxula tese da construção do socialismo num só país, distorcendo os princípios socialistas.
Não existe um “princípio socialista” imaculado. Rocha fala da tese marxista do internacionalismo para, de cara, insinuar que o stalinismo foi uma fraude do socialismo, o que é um erro. O stalinismo foi a efetivação do socialismo. A idéia central do texto se revela já nesse parágrafo, e consiste em reavivar a frágil tese de que existe um socialismo perfeito que nunca foi praticado, em detrimento das experiências sangrentas que conhecemos. A rigor, os tais princípios socialistas puros nunca aconteceram, nem na Rússia de Stálin, nem no Camboja de Pol Pot, nem na China de Mao, nem em Cuba, a fazendona de Fidel. São os mais belos argumentos para o assassinato e para a intolerância.

[...] Essa é a nossa realidade. O mundo sendo destruído por um capitalismo exaurido, enquanto a esquerda, por sua maioria, termina por abraçar o estapafúrdio socialismo do Hugo Chávez, cujo eixo é o anti-americanismo que conduz a uma estranha aliança com a extrema direita encabeçada pela Síria e o Irã; um socialismo que preserva o Estado burguês e não questiona a propriedade privada.
Rocha confessa que esse negócio de Estado burguês, portanto, de divisão dos poderes, de estado de direito, de democracia, assim como a propriedade privada, da qual eu não abro mão, por exemplo, são empecilhos para a utopia igualitária. Se eu fosse ele, não aceitaria ser um trabalhador assalariado, capacho de um patrão malvado, seria um guerrilheiro, sei lá, das FARC ou do MST. No socialismo que ele afirma distorcido da ex-URSS, não existia propriedade privada, e nem por isso deixou de haver elite e ilhas de luxo e conforto entre os camaradas soviéticos. Existam até ricos, como em Cuba, lastreados pelas propriedades expropriadas (roubadas) na revolução.

[...] Quando tentaram driblar a realidade e chegar ao socialismo, por via parlamentar no Chile, redundou na sangrenta ditadura de Pinochet. Assim foi no Brasil com Goulart; na Guatemala com Arbens; na Espanha com Caballeros e, assim será, todas as vezes quando, em busca de “fáceis” caminhos, se atropelar as leis da História.
Agora pronto. A “sangrenta” ditadura de Pinochet, que matou cerca de 30 mil pessoas (Stálin matou 20 milhões e Mao Tsé-Tung 70 milhões), aconteceu porque os socialistas chilenos não acabaram com esse negócio de parlamento, criação burguesa. É o cúmulo da inversão. Não há experiência socialista na história do mundo que não tenha redundado em morticício volumoso e em desastre econômico. O socialismo foi a doutrina responsável pelo maior número de assassinatos que já houve, foi o marco mais devasso e cruel do século XX. Não existe excessão. Mas isso tudo, segundo Rocha, que na verdade expressa a opinião de uma legião de militantes fanáticos, foi mero desvio acidental. Bom mesmo, para esse pessoal, seria repetir a dose com mais intensidade.

Tasso Jereissati, em nome do PSDB nacional, critica PAC e anuncia posição contrária ao uso do FGTS

Por Ana Paula Scinocca, no Estadão desta sexta:

A primeira reunião da Executiva do PSDB do ano foi marcada por uma série de críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em especial ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e às declarações dadas ontem pelo ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, que deixou escapar que o Planalto não está preocupado em aprovar as reformas política e tributária.“Um partido que dizia ter (foco) nas reformas tributária e política, depois de todos os escândalos de corrupção, agora diz que as reformas não têm mais importância. Isso é mais um engano. É um verdadeiro absurdo”, reagiu o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). Recém-chegado da Europa, Tasso fez duras críticas ao PAC e à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu anteontem em apenas 0,25 ponto porcentual a taxa básica de juros, a Selic. Depois de quase duas horas de reunião, na sede do partido, em Brasília, o tucano anunciou que o PSDB vai apresentar na semana que vem um documento com críticas ao PAC de Lula, classificado por ele de “embrulho bonito sem nada dentro”. “O PAC é uma série de equívocos, uma peça publicitária, é inócuo”, afirmou. O presidente do PSDB também sinalizou que seu partido deverá votar contra pontos do programa no Congresso, tais como o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para investimentos em infra-estrutura.

O PSDB, vez por outra, age como oposição, o que deveria ser constante. Depois de quase aderir à candidatura do petista Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara Federal, o partido pode ter a oportunidade de marcar diferenças com o governo – única forma de se apresentar como alternativa para o eleitorado. O PAC é tão inconsistente que desconstruí-lo é, além de uma obrigação, uma moleza. Quanto a Tasso, depois de um período de disputas internas, com parlamentares desautorizados falando em nome do partido, parece ter voltado ao comando da sigla, pelo menos formalmente, com apoio de FHC.

PAC – erros de concepção e conduta

Mírian Leitão, no DN.

Erros nada originais – O PAC foi mal apresentado e mal explicado. O erro começou na concepção da cerimônia. O Planalto deveria ter mostrado mais deferência [aos governadores], fazendo reuniões prévias, por exemplo. Eles tiveram que ficar lá sentadinhos, como alunos na escola, durante duas horas, vendo o governo fazer o seu show. [Os governadores] precisavam ser ouvidos, e não tratados como passivos ouvintes. A cerimônia foi longa, com duas apresentações em powerpoint, para uma platéia muito grande, e isso foi exasperando, sedimentando resistências.

O PAC errou quando entrou em terreno tão minado quanto o FGTS sem pedir permissão. Nesse campo, todo o cuidado é pouco e tudo tem que ser muito explicadinho. O FGTS é uma poupança compulsória; um dinheiro do trabalhador ao qual ele não tem acesso, a não ser em situações extremas, pelo qual recebe remuneração baixa sem liberdade de escolha. O cotista teve duas chances pequenas de escolher a aplicação — nas ações da Vale e da Petrobras. Quem arriscou se deu bem. Mas é totalmente diferente aplicar em empresas rentáveis ou em projetos de retorno mais duvidoso.

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Combater a violência contra a mulher não significa defender o aborto

Diário do Nordeste – Ministra defende políticas para as mulheres e incentivo ao emprego e à igualdade no mercado de trabalho – A violência fomentada pelo machismo, que persiste no País, é o principal problema enfrentado pelas mulheres brasileiras, que também sofrem com a falta de oportunidades de trabalho, um sistema educacional discriminatório, que reproduz estereótipos; e a carência de políticas que assegurem seus direitos sexuais e reprodutivos (grifo meu). A avaliação é da ministra Nilcéia Freire, titular da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), vinculada à Presidência da República.

É verdade que o machismo, associado a covardia, pode desencadear violência criminosa que deve mesmo ser combatida. Disso ninguém duvida. No entanto, é bom lembrar que isso não tem nada a ver com “direitos sexuais e reprodutivos”. Aí saímos das regras de convivência para as concepções ideológicas. Uma das maneiras de convencer o público a aderir a uma causa polêmica é associá-la com uma outra de aceitação geral. Trata-se de uma manipulação da linguagem, um turque antigo. Alguém é a favor da violência? Não. Portanto, vinculando o termo violência a qualquer outro, como por exemplo, a proibição do aborto, estamos forçando uma conclusão falsa por analogia: proibir o aborto é uma violência, quando, na verdade, a violência consiste no contrário, na interrrupção da vida. No caso dos “direitos reprodutivos”, é comum associá-los a idéia de liberdade. Quem é contra a liberdade? Mas é importante salientar que falam apenas da liberdade dos reprodutores (abostistas), diga-se, e não dos reproduzidos (abortados). Por isso, é preciso separar as coisas.

Toda essa conversa da ministra Nilcéia tem um objetivo claro, prevista nos documentos produzidos pelo PT: a legalização do aborto em qualquer circunstância e a qualquer momento. Nesse caso, assumem a imprecisa forma retórica de políticas que assegurem os tais “direitos sexuais e reprodutivos”. Sendo mais claro, é o direito de mães e pais arrependidos fazer controle de natalidade matando crianças. Sinceramente, não sei onde esses são direitos cerceados no Brasil. Todos são livres para fazer o que quiserem, até filhos, mas no caso de uma gravidez, ou seja, de uma terceira vida, todos são obrigados a arcar com as consequência do fizeram. O nome disso é responsabilidade, e querer eliminar uma vida para garantir a imprevidência de outras pessoas, é assassinato. É simples ou não é?

Sobre soluções fáceis

“There is always an easy solution to every human problem – neat, plausible and wrong” – “Há sempre uma solução fácil para todo problema humano – clara, plausível e errada”.

Essa frase é de autoria do sarcástico jornalista americano H. L. Mencken (1880-1956) publicada originalmente no ensaio “The Divine Afflatus”, no New York Evening Mail (16 de novembro de 1917).

A ansiedade por uma agenda positiva e a imposição da realidade

Jornal O Povo

ENXUGAMENTO – Governo propõe corte menor – Apesar de projetar inicialmente uma economia de 25% com cargos comissionados, o governo acabou apresentando um projeto de reforma administrativa que só reduz cerca de 8% das despesas. (…) Logo no primeiro dia de governo, em entrevista coletiva minutos após a posse de Cid Gomes (PSB), o chefe de gabinete, Ivo Gomes, e os secretários da Fazenda, Mauro Filho, e da Casa Civil, Arialdo Pinho, anunciaram que 25% dos gastos com cargos comissionados na estrutura do Estado seriam cortados. Dez dias depois, alguns secretários enviaram suas propostas de corte em suas pastas. No entanto, quando a mensagem chegou à Assembléia para ser votada, a surpresa ficou por conta do anexo I do artigo 90, que determina o corte de apenas R$ 378 mil mensais em gastos com cargos comissionados de um total de R$ 4,6 milhões gastos mensalmente.

Taí um exemplo de como a ansiedade e a precipitação podem comprometer as ações de um governo. Pela segunda vez desde que assumiu há menos um mês, o governo é obrigado a rever posições anunciadas anteriormente. Primeiro foi a questão do caixa estadual e o pagamento dos salários dos servidores, agora é o caso dos servidores comissionados.

Uma votação consagradora após uma campanha apimentada com denúncias, pode exaltar os ânimos dos vencedores que tendem a exagerar na vontade de acertar. Por isso, nos meses que se seguem da vitória à posse, é importante que os membros do futuro governo administrem as expectativas geradas no calor da disputa. Coisas como “não haverá milagres”, ou “no inicío iremos estudar a situação”. É a hora de baixar a bola. Anunciar um corte de 25% dos comissionados sem ter a noção exata da máquina é uma imprudência que pode custar caro. O governo afirma que novos cortes serão feitos nas secretarias de Educação e Saúde, as pastas mais com maior número de servidores. Mais expectativas. Eliminar 8% deles já deveria ser entendida como uma ação positiva, indicativo de austeridade, mas não foi o caso por conta da expectativa gerada em discursos inflamados. Fica agora a sensação de frustração.

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