América Latina: na contramão da história
A queda do Muro de Berlim, em 1989: símbolo do fim de uma Era. A utopia socialista se transformou na lembrança amarga de um período de terror. O leste europeu ainda cura as cicatrizes da experiência. A América Latina sonha em reeditá-la.
Da Reuters:
O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta quarta-feira que 2007 será o ano da nacionalização do setor de mineração. A decisão é parte de seu plano de devolver os recursos naturais ao Estado bolivianos, iniciado no ano passado com os hidrocarbonetos.Ao ser perguntado sobre a intenção de seu aliado Hugo Chávez de nacionalizar empresas de eletricidade e telecomunicações para aprofundar sua “revolução socialista”, Morales respondeu que cada país tem suas particularidades quanto a este tipo de decisão.”Respeitamos qualquer decisão soberana de qualquer país. Nós, na Bolívia, vamos recuperar nossos recursos naturais. Se o ano passado foi o ano dos hidrocarbonetos, este será o ano da mineração”, assegurou em uma coletiva de imprensa.Morales, um ex-dirigente indígena e cocaleiro, chegou nesta quarta-feira a Manágua para a posse do ex-guerrilheiro sandinista Daniel Ortega como presidente da Nicarágua.
A América Latina vive uma onda de neopopulismo que se dissemina por vários países. No Brasil também. O fenômeno reúne antiamericanismo retórico (na prática, os EUA são o principal parceiro econômico); críticas à elite (com fundo moral, antagonizando os pobres bons contra os ricos – até a classe média – malvados); baixo crescimento aliado à políticas assistencialistas; aumento da dos gastos públicos e da carga tributária; desmoralização do poder legislativo; aversão à liberdade de imprensa e ao mérito intelectual. Agora começam a vingar projetos de estatização de empresas privadas, de aumento dos intrumentos de repressão (compra de armas e criação de grupos especiais de combate) e por fim, a admissão, como fez Hugo Chávez, de um plano para ressucitar o socialismo. Enfim, andamos na contramão dos avanços políticos e econômicos conquistados pelo mundo ocidental nos últimos 20, 30 anos. Estamos retrocedendo.
Na verdade, a América Latina, desde o fim da guerra fria entre a ex-União Soviética e os EUA, viu drasticamente reduzida a sua importância geopolítica mundial. O Brasil, por exemplo, maior e mais rico país da região, é responsável por pouco mais de 1% do comércio global. A região sempre viveu mergulhada em instabilidades políticas, com inúmeros golpes e tentativas, possui pouca tradição democrática, investe pouco em educação, e é a ilha da fantasia da impunidade para os crimes de colarinho branco. O resultado disso é uma população miserável susceptível aos discursos messiânicos de líderes irresponsáveis.
A Venezuela caminha para o socialismo, o sistema político-ideológico que mais matou no século 20 (mais de 100 milhões de mortes), e o mais ineficiente na geração de riquezas. Não ficou claro como será esse socialismo. Mas duvido muito que Chávez parta para uma coletivização total dos meios de produção. É mais provável que tente emular um híbrido entre o modelo Chinês e o Cubano. Capitalismo para produzir bens e socialismo para implantar uma ditadura de cunho personalista. Chávez, junto com Moráles, Fidel, os narcotraficantes das Farcs, o MRI chileno e o presidente Lula e o PT, são signatários do Foro de São Paulo. Lula, inclusive, é seu presidente de honra. Tudo o que está acontecendo está registrado nas atas das reuniões do Foro, e podem ser encontradas lidas no site Mídia Sem Máscara. Um expectro sombrio ronda a América Latina.