Terra sem lei, faroeste cabloco

O Brasil é o campeão em homicídios, com uma taxa de 50 mil mortes por ano. Estatisticamente, é mais perigoso ser brasileiro e morar no Brasil do que ser norte-americano e viver no Iraque. Portanto, a violência é o maior problema do país. Mas com a ausência e a ineficiência histórica dos poderes públicos, era de se esperar o surgimento de milícias ilegais. Os atentados aos ônibus no Rio de Janeiro foram um “protesto” de traficantes contra grupos ilegais de segurança privada.

A situação é assustadora. O presidente Lula afirmou, na cerimônia de posse, que se tratava de terrorismo (concordo), e depois, inusitadamente, o homem que foi eleito pedindo para que o deixassem “trabalhar” saiu de férias, devidamente protegido pela marinha. Acontece que não existe terrorismo do bem, como queriam os antigos Esquadrões da Morte, que surgiram para eliminar criminosos usando de meios também criminosos. No final, se tornaram uma força sem controle, pois o terror consiste essencialmente em ignorar o Contrato Social e em estabelecer uma rotina de medo através de ações intimidadoras. Existem grupos que acreditam ter o direito de fazer “justiça” com as próprias mãos em nome de uma causa que julgam superior, e se concedem um poder ilimitado sobre as vidas das pessoas. Até os traficantes fazem isso em nome de uma suposta luta contra as “injustiças sociais”. Nesses casos, não importa o mérito, mas sim o método que iguala todos no crime. É a falência do Estado. Daí em diante é a barbárie. Leiam carta recebida pelo Ex-Blog do César Maia e vejam a que ponto chegamos.

Este Ex-Blog recebeu de um para-militar – que se autodenomina autodefesa comunitária – um e-mail e o transcreve ajustando apenas os termos:

“(…) Uma comunidade onde nós estamos presentes, é um condomínio fechado para efeito de segurança, e aberto para efeito de circulação das pessoas. Portanto, melhor que os da Barra da Tijuca que são fechados para tudo. A diferença é que a segurança é feita por contrato informal com as pessoas e empresas. É bom que se saiba que muitos condomínios fechados, empresas e obras, nos usam através de empresa de vigilância, pois sabem que estarão muito mais seguros. As empreiteiras preferem contratar mão de obra nas comunidades que nós ocupamos, pois sabem que todos os nossos trabalhadores são 100% honestos. Pergunte a elas.”

Olhos fechados? Imprensa deve ouvir empreiteiras responsáveis pelo metrô de SP

A cobertura do desabamento nas obras do metrô de São Paulo tem se restringido à vítimas e seus parentes. Tudo bem, faz parte, mas do jeito que está, parece até que aconteceu um terremoto ou uma tsunami, o que não foi o caso. Aquilo não foi um desastre natural, foi um acidente produzido pela engenhosidade humana. Existem empresas responsáveis pelas obras, e é preciso saber o que elas alegam, e se assumem o compromisso de indenizar as vítimas. Essa demora em ouvir as empreiteiras – poderosas anunciantes – pode sugerir proteção. O Ex-Blog do César Maia tem razão (veja abaixo): a imprensa não esperou laudo técnico para ir cobrar declarações das empresas aéreas no caso do apagão. Ter os olhos bem abertos num caso, mas fechados no outro, gera desconfiança.

No Ex-Blog do César Maia.

A CRATERA DO METRÔ DE SP! – Grande Imprensa poupa Grandes Empreiteiros, que tem a concessão da gestão futura da linha 4, e que são os responsáveis – em conjunto- pelas obras, da linha 4 do metrô de SP. No apagão aéreo, grande imprensa cobriu diferente as responsabilidades privadas.

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