Resta uma esperança 2

O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) oficializou a sua candidatura à presidência da Câmara Federal na noite de ontem. O parlamentar representa um grupo independente no Congresso chamado de Terceira Via, e de quebra, pode reunificar temporariamente a bancada tucana e os partidos da oposição.

A vitória de Fruet é improvável, no entanto, não é essa a questão. O que importa agora é firmar posições. O Congresso brasileiro está desmoralizado, e sua autoridade institucional começa a trincar (o que pode gerar um excesso de poderes para o Executivo). Aldo foi o presidente da Câmara mais submisso desde a redemocratização – não deixa de ser irônico, portanto, ver suas pretensões minguarem pelas mãos daquelas a quem serviu –, e Chinaglia não passa de um preposto de José Dirceu, o responsável operacional político pelo mensalão. Fruet tem história limpa, é servidor de carreira e representa hoje, uma alternativa política e, principalmente, moral. Sua candidatura serve, no mínimo, para denunciar o engodo das outras duas.

Resta uma esperança 1

Para o filósofo Sócrates (foto), “se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, seria honesto ao menos por desonestidade”. Sócrates combatia o relativismo dos sofistas, para os quais a verdade e a prática da virtude dependiam das circunstâncias. Segundo a visão socrática, o conhecimento não pode estar preso ao imediatismo, e as vantagens das boas ações se consolidam no bem estar comum e no longo prazo. Pois é, a lógica do bom filósofo deverir guiar os oposicionistas em Brasília. A vantagem que podem auferir é a da credibilidade (ponto em que andam carentes) e da independência, qualidades essenciais para quem deseja se credenciar como alternativa de poder.

Ao que parece, nem tudo está perdido. O apoio de alguns tucanos à candidatura do petista Arlindo Chinaglia (o preferido de José Dirceu e mensaleiros) adiantou o debate que a sigla pretendia fazer no final do ano, para uma reavaliação dos objetivos e do programa do PSDB.

Uma nota de repúdio da Juventude Tucana, presidida pela cearense Kamyla Castro, ganhou espaço e repercussão na imprensa, publicada ou comentada em veículos como Folha de São Paulo, Correio Brasiliense, Diário do Nordeste, Ceará Agora, Blog do Reinaldo Azevedo etc. FHC e Tasso Jereissati já haviam, discretamente, demonstrado incômodo com as articulações do deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA). A Juventude do partido foi direto ao ponto, e indiretamente lembrou que política não pode ser apenas pragmatismo (ou no caso, oportunismo), pois existem princípios – finalmente alguém falou de princípios. FHC falara de opinião pública, numa tentativa de intimidar os entusiastas de Chinaglia. A carta, naturalmente, não beatifica o partido, mas tem o mérito de lembrar aos profissionais da política que eles devem satisfações aos seus eleitores e aos militantes que ainda restam no partido. Os grifos abaixo são meus.

“A Juventude do PSDB vem tornar pública sua indignação com a atitude de alguns membros do nosso partido apoiar o candidato do PT, Arlindo Chinaglia à Presidência da Câmara dos Deputados.

Apoiar o PT é reverter as lutas, os discursos e as tantas conquistas do nosso partido. Eleger Chinaglia é fortalecer o PT de José Dirceu, Marcos Valério e todo o seu bando. Fechar acordo com o PT é esquecer as bandeiras da ética e coerência, princípios sempre defendidos pelo PSDB.

Nós, jovens sociais democratas, continuamos a defender a bandeira do Brasil decente. Não acreditamos que assumindo uma vice-presidência na mesa diretora da Câmara dos Deputados, com um presidente do PT, o PSDB vá afincar o mérito da conquista da proporcionalidade! Somos oposição ao PT e fazemos honestamente uma oposição responsável.

Nesse sentido, vimos solicitar o bom senso de todos para que não venhamos compactuar com tal situação, decepcionando mais ainda os brasileiros que já estão tão iludidos com o Lula – presidente eleito que já inicia mais um governo com as chuteiras penduradas para um jogo que não sai do zero a zero.

Na defesa de nossos compromissos, cabe a nós continuarmos no papel de opositores, vigilantes, propositivos, determinados em corrigir o que está errado.”

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