Para o filósofo Sócrates (foto), “se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, seria honesto ao menos por desonestidade”. Sócrates combatia o relativismo dos sofistas, para os quais a verdade e a prática da virtude dependiam das circunstâncias. Segundo a visão socrática, o conhecimento não pode estar preso ao imediatismo, e as vantagens das boas ações se consolidam no bem estar comum e no longo prazo. Pois é, a lógica do bom filósofo deverir guiar os oposicionistas em Brasília. A vantagem que podem auferir é a da credibilidade (ponto em que andam carentes) e da independência, qualidades essenciais para quem deseja se credenciar como alternativa de poder.
Ao que parece, nem tudo está perdido. O apoio de alguns tucanos à candidatura do petista Arlindo Chinaglia (o preferido de José Dirceu e mensaleiros) adiantou o debate que a sigla pretendia fazer no final do ano, para uma reavaliação dos objetivos e do programa do PSDB.
Uma nota de repúdio da Juventude Tucana, presidida pela cearense Kamyla Castro, ganhou espaço e repercussão na imprensa, publicada ou comentada em veículos como Folha de São Paulo, Correio Brasiliense, Diário do Nordeste, Ceará Agora, Blog do Reinaldo Azevedo etc. FHC e Tasso Jereissati já haviam, discretamente, demonstrado incômodo com as articulações do deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA). A Juventude do partido foi direto ao ponto, e indiretamente lembrou que política não pode ser apenas pragmatismo (ou no caso, oportunismo), pois existem princípios – finalmente alguém falou de princípios. FHC falara de opinião pública, numa tentativa de intimidar os entusiastas de Chinaglia. A carta, naturalmente, não beatifica o partido, mas tem o mérito de lembrar aos profissionais da política que eles devem satisfações aos seus eleitores e aos militantes que ainda restam no partido. Os grifos abaixo são meus.
“A Juventude do PSDB vem tornar pública sua indignação com a atitude de alguns membros do nosso partido apoiar o candidato do PT, Arlindo Chinaglia à Presidência da Câmara dos Deputados.
Apoiar o PT é reverter as lutas, os discursos e as tantas conquistas do nosso partido. Eleger Chinaglia é fortalecer o PT de José Dirceu, Marcos Valério e todo o seu bando. Fechar acordo com o PT é esquecer as bandeiras da ética e coerência, princípios sempre defendidos pelo PSDB.
Nós, jovens sociais democratas, continuamos a defender a bandeira do Brasil decente. Não acreditamos que assumindo uma vice-presidência na mesa diretora da Câmara dos Deputados, com um presidente do PT, o PSDB vá afincar o mérito da conquista da proporcionalidade! Somos oposição ao PT e fazemos honestamente uma oposição responsável.
Nesse sentido, vimos solicitar o bom senso de todos para que não venhamos compactuar com tal situação, decepcionando mais ainda os brasileiros que já estão tão iludidos com o Lula – presidente eleito que já inicia mais um governo com as chuteiras penduradas para um jogo que não sai do zero a zero.
Na defesa de nossos compromissos, cabe a nós continuarmos no papel de opositores, vigilantes, propositivos, determinados em corrigir o que está errado.”