A ansiedade por uma agenda positiva e a imposição da realidade
Jornal O Povo
ENXUGAMENTO – Governo propõe corte menor – Apesar de projetar inicialmente uma economia de 25% com cargos comissionados, o governo acabou apresentando um projeto de reforma administrativa que só reduz cerca de 8% das despesas. (…) Logo no primeiro dia de governo, em entrevista coletiva minutos após a posse de Cid Gomes (PSB), o chefe de gabinete, Ivo Gomes, e os secretários da Fazenda, Mauro Filho, e da Casa Civil, Arialdo Pinho, anunciaram que 25% dos gastos com cargos comissionados na estrutura do Estado seriam cortados. Dez dias depois, alguns secretários enviaram suas propostas de corte em suas pastas. No entanto, quando a mensagem chegou à Assembléia para ser votada, a surpresa ficou por conta do anexo I do artigo 90, que determina o corte de apenas R$ 378 mil mensais em gastos com cargos comissionados de um total de R$ 4,6 milhões gastos mensalmente.
Taí um exemplo de como a ansiedade e a precipitação podem comprometer as ações de um governo. Pela segunda vez desde que assumiu há menos um mês, o governo é obrigado a rever posições anunciadas anteriormente. Primeiro foi a questão do caixa estadual e o pagamento dos salários dos servidores, agora é o caso dos servidores comissionados.
Uma votação consagradora após uma campanha apimentada com denúncias, pode exaltar os ânimos dos vencedores que tendem a exagerar na vontade de acertar. Por isso, nos meses que se seguem da vitória à posse, é importante que os membros do futuro governo administrem as expectativas geradas no calor da disputa. Coisas como “não haverá milagres”, ou “no inicío iremos estudar a situação”. É a hora de baixar a bola. Anunciar um corte de 25% dos comissionados sem ter a noção exata da máquina é uma imprudência que pode custar caro. O governo afirma que novos cortes serão feitos nas secretarias de Educação e Saúde, as pastas mais com maior número de servidores. Mais expectativas. Eliminar 8% deles já deveria ser entendida como uma ação positiva, indicativo de austeridade, mas não foi o caso por conta da expectativa gerada em discursos inflamados. Fica agora a sensação de frustração.
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