PAC – erros de concepção e conduta

Mírian Leitão, no DN.

Erros nada originais – O PAC foi mal apresentado e mal explicado. O erro começou na concepção da cerimônia. O Planalto deveria ter mostrado mais deferência [aos governadores], fazendo reuniões prévias, por exemplo. Eles tiveram que ficar lá sentadinhos, como alunos na escola, durante duas horas, vendo o governo fazer o seu show. [Os governadores] precisavam ser ouvidos, e não tratados como passivos ouvintes. A cerimônia foi longa, com duas apresentações em powerpoint, para uma platéia muito grande, e isso foi exasperando, sedimentando resistências.

O PAC errou quando entrou em terreno tão minado quanto o FGTS sem pedir permissão. Nesse campo, todo o cuidado é pouco e tudo tem que ser muito explicadinho. O FGTS é uma poupança compulsória; um dinheiro do trabalhador ao qual ele não tem acesso, a não ser em situações extremas, pelo qual recebe remuneração baixa sem liberdade de escolha. O cotista teve duas chances pequenas de escolher a aplicação — nas ações da Vale e da Petrobras. Quem arriscou se deu bem. Mas é totalmente diferente aplicar em empresas rentáveis ou em projetos de retorno mais duvidoso.

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