Socialismo sonso

Quando um cego que não quer enxergar se propõe a conduzir outros cegos igualmente ansiosos de nada ver, a cores do mundo não passam de mero detalhe insignificante.

O senhor Gilvan Rocha, presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP, que, confesso, não conheço o trabalho, nem sei a quem é ligado, assina um artigo entitulado Socialismo estapafúrdio, no jornal O Povo. Trata-se de uma pérola da inversão dos fatos afim de proteger os utopias pueris e macabras do esquerdismo do contato com a realidade dos fatos. Trechos do texto do senhor Rocha seguem em vermalho, acompanhados de observações minhas em azul.

Após a revolução Russa, em 1917, assistimos a uma caminhada desastrosa rumo ao socialismo. Primeiro, foi a derrota na Europa Ocidental, o que teve como conseqüência a asfixia da Rússia-soviética redundando na ascensão do stalinismo cujo fundamento era a esdrúxula tese da construção do socialismo num só país, distorcendo os princípios socialistas.
Não existe um “princípio socialista” imaculado. Rocha fala da tese marxista do internacionalismo para, de cara, insinuar que o stalinismo foi uma fraude do socialismo, o que é um erro. O stalinismo foi a efetivação do socialismo. A idéia central do texto se revela já nesse parágrafo, e consiste em reavivar a frágil tese de que existe um socialismo perfeito que nunca foi praticado, em detrimento das experiências sangrentas que conhecemos. A rigor, os tais princípios socialistas puros nunca aconteceram, nem na Rússia de Stálin, nem no Camboja de Pol Pot, nem na China de Mao, nem em Cuba, a fazendona de Fidel. São os mais belos argumentos para o assassinato e para a intolerância.

[...] Essa é a nossa realidade. O mundo sendo destruído por um capitalismo exaurido, enquanto a esquerda, por sua maioria, termina por abraçar o estapafúrdio socialismo do Hugo Chávez, cujo eixo é o anti-americanismo que conduz a uma estranha aliança com a extrema direita encabeçada pela Síria e o Irã; um socialismo que preserva o Estado burguês e não questiona a propriedade privada.
Rocha confessa que esse negócio de Estado burguês, portanto, de divisão dos poderes, de estado de direito, de democracia, assim como a propriedade privada, da qual eu não abro mão, por exemplo, são empecilhos para a utopia igualitária. Se eu fosse ele, não aceitaria ser um trabalhador assalariado, capacho de um patrão malvado, seria um guerrilheiro, sei lá, das FARC ou do MST. No socialismo que ele afirma distorcido da ex-URSS, não existia propriedade privada, e nem por isso deixou de haver elite e ilhas de luxo e conforto entre os camaradas soviéticos. Existam até ricos, como em Cuba, lastreados pelas propriedades expropriadas (roubadas) na revolução.

[...] Quando tentaram driblar a realidade e chegar ao socialismo, por via parlamentar no Chile, redundou na sangrenta ditadura de Pinochet. Assim foi no Brasil com Goulart; na Guatemala com Arbens; na Espanha com Caballeros e, assim será, todas as vezes quando, em busca de “fáceis” caminhos, se atropelar as leis da História.
Agora pronto. A “sangrenta” ditadura de Pinochet, que matou cerca de 30 mil pessoas (Stálin matou 20 milhões e Mao Tsé-Tung 70 milhões), aconteceu porque os socialistas chilenos não acabaram com esse negócio de parlamento, criação burguesa. É o cúmulo da inversão. Não há experiência socialista na história do mundo que não tenha redundado em morticício volumoso e em desastre econômico. O socialismo foi a doutrina responsável pelo maior número de assassinatos que já houve, foi o marco mais devasso e cruel do século XX. Não existe excessão. Mas isso tudo, segundo Rocha, que na verdade expressa a opinião de uma legião de militantes fanáticos, foi mero desvio acidental. Bom mesmo, para esse pessoal, seria repetir a dose com mais intensidade.

1 Comentário

  • By Ermeson, 09/06/2009 @ 17:18

    Que pena me da ler esse artigo .Talvez seja verdade que muitos morrem mas isso nao quer dizer que Gilvan esteja errado. O que o Sr. faz eh simplesmente culpar essas experiencia mal sucedidas por seus crimes. O sr nao deu nenhum argumento plausivel para explicar porque o socialismo nao funcionou nesses paises. Gilvan sim!!
    A primeira e segunda guerras mundiais foram fatores essenciais para o isolamento politico da Russia e isso eh incontestavel. Querer defender o capitalismo eh fazer a roda da historia ir para traz. Ele ja esta agonizado no sue leito de morte.

Other Links to this Post

Feed RSS dos comentários deste post. TrackBack URI

Deixe um comentário

WordPress Themes