Tasso Jereissati, em nome do PSDB nacional, critica PAC e anuncia posição contrária ao uso do FGTS
Por Ana Paula Scinocca, no Estadão desta sexta:
A primeira reunião da Executiva do PSDB do ano foi marcada por uma série de críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em especial ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e às declarações dadas ontem pelo ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, que deixou escapar que o Planalto não está preocupado em aprovar as reformas política e tributária.“Um partido que dizia ter (foco) nas reformas tributária e política, depois de todos os escândalos de corrupção, agora diz que as reformas não têm mais importância. Isso é mais um engano. É um verdadeiro absurdo”, reagiu o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). Recém-chegado da Europa, Tasso fez duras críticas ao PAC e à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu anteontem em apenas 0,25 ponto porcentual a taxa básica de juros, a Selic. Depois de quase duas horas de reunião, na sede do partido, em Brasília, o tucano anunciou que o PSDB vai apresentar na semana que vem um documento com críticas ao PAC de Lula, classificado por ele de “embrulho bonito sem nada dentro”. “O PAC é uma série de equívocos, uma peça publicitária, é inócuo”, afirmou. O presidente do PSDB também sinalizou que seu partido deverá votar contra pontos do programa no Congresso, tais como o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para investimentos em infra-estrutura.
O PSDB, vez por outra, age como oposição, o que deveria ser constante. Depois de quase aderir à candidatura do petista Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara Federal, o partido pode ter a oportunidade de marcar diferenças com o governo – única forma de se apresentar como alternativa para o eleitorado. O PAC é tão inconsistente que desconstruí-lo é, além de uma obrigação, uma moleza. Quanto a Tasso, depois de um período de disputas internas, com parlamentares desautorizados falando em nome do partido, parece ter voltado ao comando da sigla, pelo menos formalmente, com apoio de FHC.
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