A Montanha Mágica
A Montanha Mágica, de Thomas Mann. A mística de Davos alude à reflexão e ao desfio do saber, sem, no entanto, esquecer da idiotia e das trevas da ignorância.
No clássico da literatura universal A Montanha Mágica, o escritor alemão ganhador do prêmio Nobel Thomas Mann narra as descobertas de um personagem que foi à aldeia de Davos-Platz passar uma temporada num sanatório Berghof. É o jovem Hans Castorp, que durante sete anos entra em contato com pessoas de diversas partes do mundo também presentes na montanha, aprende e refaz idéias, debate o humanismo e reflete sobre a filosofia moderna, tudo com base em muita leitura e estudo. Eventualmente, figuras limitadas e pretensiosas, no estilo novos ricos , apareciam para divertir os demais com suas gafes e pretensões arrogantes.
Agora, no século XXI, a realidade nos prega uma peça e nós, brasileiros, enviamos o nosso representante oficial, o presidente Lula, para falar em nome da nação no Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente na mesma Davos, na Suíça. O operário aposentado ainda jovem, sem formação acadêmica, filho de uma mãe que, nas palavras dele “nasceu analfabeta”, tornado presidente de um país responsável por apenas 1% do comércio mundial, vai ao Fórum ensinar capitalismo e democracia para o mundo. A quantidade de bobagens e obviedades, todas pronunciadas em tom acaciano, só não causa mais vexame porque o Brasil, assim como a América Latina, goza de uma inédita (nunca antes…) irrelevância no concerto das nações. Quando o assunto é países emergentes, todos querem ouvir os chineses e os indianos.
Uma breve pesquisa no site da Folha Online, podemos ver que Lula já disse que os juros não podem baixar por mágica, mas que o déficit da Previdência não o preocupa; depois afirmou que o nosso problema não é a falta de crescimento, e sim a má distribuição de renda. Como sempre, ele tenta reproduzir comentários que escuta de assessores e mistura tudo num pensamento confuso. Vejam a inconsistencia das afirmações citadas. Uma vez que os juros não baixam principalmente pelo impacto negativo do déficit da Previdência nas contas públicas, esta não pode ser desprezada como algo secundário. São questões interligadas tratadas com descaso. E sobre crescimento econômico, ele pode ocorrer com concentração de renda, mas é impossível distribuir renda sem crescimento econômico. Ou seja, não dianta querer um sem prover o outro. Essa amostra bem ilustra o despreparo do presidente, que não consegue formular um discurso capaz de se manter coerente por pelo menos uma semana.
Lula é aplaudido pelos presentes e ganha o noticiário brasileiro. Fala em nome dos pobres e faz a alegria dos europeus que se divertem com o bom selvagem, tal qual o relato de Rosseau. O presidente já propôs um Fome Zero mundial, com apoio de roqueiros envelhecidos, já sugeriu a criação de um imposto sobre as armas, que seria gerido ninguém sabe como. Todos disseram achar tais idéias bacanas, mas na prática ninguém lhe deu ouvidos e tudo foi esquecido. É sempre assim, não poderia ser diferente.
1 Comentário
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By wubin1123, 27/01/2007 @ 13:50
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