Veias abertas da mesmice
O urugaio Eduardo Galeano, autor de Veias Abertas da América Latina, publicado em 1970. A América Latina como mero peão dos países desenvolvidos é uma tese que a esquerda não consegue superar. Eles pararam no tempo.
Entrevista publicada no O Povo com o professor colombiano Gerson Galo Ledezma Meneses, doutor em História pela Universidade de Brasília – UNB. Vejam como desperdiçamos o nosso dinheiro com o ensino superior. Sou historiador formado pela UFC, e tudo o que li nas respostas de Gerson não passa de uma reformulação do livro Veias Abertas da América Latina, do uruguaio Eduardo Galeano, ou seja, o mesmo discurso ideológico de 10, 20, 30 anos atrás. Resumindo, diz que a esquerda é uma grande solução para os problemas da humanidade, que o capitalismo fracassou, que tudo de ruim é culpa dos EUA. Vejam alguns trechos reproduzidos em vermelho, acompanhados por comentários meus em azul.
Para entender a América Latina do começo do século XXI, precisamos entender a América Latina do fim do século XX, quando se insere a questão do neoliberalismo. Essa esquerda promove uma resposta contra o neoliberalismo que se instaura especialmente a partir do Consenso de Washington, do final da década de 1980.
Resposta ao neoliberalismo? Aonde? A rigor, não existe NENHUMA política fiscal, tributária, ou social estabelecida pela esquerda latino-americana. Nada. As políticas compensatórias, tipo Bolsa-Família, foram copiadas (e pioradas) dos liberais ingleses. A esquerda não consegue e talvez não possa apresentar alternativas à responsabilidade fiscal, ao superávit primário e às metas de inflação. O que existe na América Latina é a exploração populista dos ressentimentos e da miséria – atenção agora – criada e mantida pelos próprios latino-americanos. Notem que o professor não resiste e culpa Washington por tudo, até pela agenda dessa esquerda local. É o vício acadêmico do vitimismo. Somos pobres e eles ricos, e isso dói para esse pessoal.
Então, acho que se algum movimento no século XX conseguiu captar a essência da América Latina para promover mudanças de cunho social é o populismo. Hoje, o populismo volta. Parece-me muito chave a figura de Hugo, onde o populismo revive no século XXI para mostrar que realmente a tentativa dele é, pegando todos os setores da sociedade, fazer uma revolução. Uma revolução que se pretende de baixo para cima. E não como se pretendeu em Cuba e na União Soviética, onde se pretendeu fazer uma revolução de cima para baixo.
É a primeira vez que vejo alguém celebrar o populismo como uma forma de progressismo. O populismo é um atraso típico das sociedades mais carentes de liderança moral e intelectual, é a fé no messias governamental que irá mudar a realidade por decreto – nisso, o socialismo se parece muito com populismo. Outra semelhança: Chavez já é um ditador. Já a velha distinção do socialismo ideal com o modelo soviético, não passa de um mecanismo de defesa automático das esquerdas para não ter que responder pelos próprios atos.
Mas, de todas as maneiras, não podemos perder de vista que todos esses projetos estão sendo baseados em um mundo capitalista. Então, tem que estar em comunicação com o capitalismo mundial. Ele (Chávez) sabe que sem os EUA que compram petróleo não pode fazer uma revolução. Agora, o que ele pretende é que pelo menos a cultura não seja vendida e comprada no interior da Venezuela. É uma pretensão de usar aquilo que tem de bom no capitalismo para poder instaurar a revolução social.
É a desculpa para explicar como a falta de idéais do socialismo para a economia real obriga a esquerda a aderir a princípios capitalistas. Usar o que tem de bom do capitalismo (e da democracia), para instaurar a revolução foi o mote usado por Lênin e Mao, e aperfeiçoado por Gramsci, mas onde foi posto em prática terminou em miséria, totalitarismo e trauma.
2 Comentários
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By Anonymous, 28/01/2007 @ 5:16
Comentários muito bons. Parabéns!
By Anonymous, 28/01/2007 @ 5:17
Muito boa a sua leitura do cara de boné Che… Parabéns!