Troca de favores

Blog do Eliomar

E o P-Sol, que deverá votar em branco no primeiro turno das eleições para presidente da Câmara dos Deputados, poderá votar em Aldo Rebelo (PCdoB -SP), atual presidente da Casa, no segundo turno. Segundo assessores do deputado federal não reeleito João Alfredo, dirigente do partido no Ceará, o P-Sol vai se reunir nesta quinta-feira em Brasília para aprovar essa decisão. Por que apoiar Aldo? Porque ele fez trabalho de pressão em favor da queda da cláusula de barreira, no que a turma de Heloísa Helena escapou.

Os membros do P-Sol gostam de posar de monopolistas da ética, imunes aos encantos do poder. É um filme velho, que busca mistificar uma ideologia. Heloísa Helena não foi expulsa do PT por se indignar contra os mensaleiros, nem por condenar o aparelhamento do Estado. Foi por questões internas, numa disputa com José Dirceu. Apoiar Aldo Rebelo para a reeleição na presidência da Câmara Federal, significa coonestar com o presidente do legislativo mais servil que já houve, que manobrou para livrar a cara dos mensaleiros e que propôs o aumentão de quase 100% para os deputados e senadores. João Alfredo fala em gratidão. Deveria falar em lisura, em compostura, em independência, em magistratura. Mas se o parâmetro fosse a conduta pessoal, o histórico, a reputação, o P-Sol teria que apoiar Gustavo Fruet, que apesar de não ser ladrão, é tucano. E isso é demais para os nossos queridos radicais. Sabem como é, Aldo agiu conforme um entendimento que despreza a moral burguesa, foi, antes de ser altivo, disciplinado. Fruet defende que os aumentos salariais dos deputados não ultrapassem a inflação, e defende que as investigações sobre a conduta de deputados que renunciaram para se candidatar de novo continuem. Não há saída honrada que não seja o voto em Fruet. Não se deixem enganar, o P-Sol é o PT de ontem.

Nepotismo

Jornal O Povo

Antes de entrar no auditório do Pleno para a solenidade [posse do novo presidente do Tribunal de Justiça], o governador Cid Gomes (PSB) declarou que só vai exonerar seu irmão Ivo Gomes (PSB), da chefia de seu gabinete, mediante uma decisão judicial. “O Ivo não recebe salário do Governo. Ele é deputado estadual e recebe salário como deputado estadual. Por isso não enxergo aí nenhum favorecimento, ao contrário, ele está em um sacrifício colaborando com a administração. Até que tenha uma questão julgada em relação a isso, não vou exonerá-lo. Eu não enxergo nepotismo e vou agir dessa forma”, afirmou.

Questionado sobre o possível mau exemplo que a postura pode causar nas administrações do Interior, abrindo precedente para que os prefeitos se sintam à vontade para contratarem seus parentes, ele disse: “Vamos ver. Estou ciente de que não há nenhuma prática de nepotismo no Governo. Nepotismo é você contratar parentes, sem qualificação, geralmente em número demasiado, para ocupar funções por favorecimento”, disse.

É bom lembrar que no Ceará houve um tempo em que a regra era o governante empregar inúmeros parentes, a maioria sem a qualificação necessária para os cargos, com altos salários, e muitas vezes, empregando também parentes de cônjuges. Era comum também que esses parentes nem sequer comparecessem nas repartições, pois estavam empregados em outros lugares. Jornalistas, inclusive. Recebiam sem trabalhar. O caso era tão escandaloso, a prática tão disseminada, que quando Tasso Jereissati foi assumiu, um dos seus primeiros atos foi demitir essa parentada e exigir que os servidores batessem o ponto. Muita gente ainda não perdoa o ex-governador por ter perdido a boquinha.

Cid gomes nomeou um parente para trabalhar diretamente com ele. O governador afirma que seu irmão não recebe salário pago pelo governo e lembra que Ivo Gomes é um profissional qualificado, além de deputado estadual. Poderia ainda argumentar que o cargo de Chefe de Gabinete pede um nome de total confiança e sintonia com o governador. O problema é que para exigir a proibição do nepotismo (nomeação de parentes para cargos públicos), é preciso ter uma autoridade lastreada pelos fatos, ou seja, é preciso não nomear parentes, sob hipótese alguma. O caso atual difere dequeles outros citados acima, por isso é preciso ter cautela. Não se trata de corrupção, mas, digamos assim, de pudor, de prevenção. Demitir Ivo agora poderá soar como uma demonstração de fragilidade; mantê-lo pode servir, como disse a reportagem, de exemplo. Dadas as circunstâncias, Cid acerta em dizer que aguarda um pronunciamento oficial sobre o caso, deixando claro que não exclui nenhuma opção. A seu favor, o governador conta com o fato de não possuir opositores, que poderiam constrangê-lo.

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