A imprensa e a proporcionalidade na cobertura dos fatos políticos

Assim como pode ajudar a enxergar, uma lupa pode ampliar o que não tem relevância. Cabe a quem pesquisa saber distiguir o valor dos objetos e das fontes.

Texto do Ex-blog do César Maia.

O PSOL E A IMPRENSA! Quando, em qualquer imprensa do mundo, um partido com 0,58% dos deputados teve a exposição que tem o PSOL aqui no Brasil? No período que tinha uma candidata a presidente com 10% das intenções de voto e disputava sua representatividade parlamentar pela primeira vez se entendia. Mas com 0,58% dos deputados, ou seja, três, ter a cobertura que tem… Ora, é essa mesma imprensa que defende orgânica e corretamente a cláusula de barreira. Mas não a aplica proporcionalmente na cobertura. Claro, todos devem ser cobertos, mas alguma proporcionalidade deve ser observada. No caso do PSOL rigorosamente nenhuma. São cobertos mais que partidos médios e quase igual a partidos grandes. Ou seja: estímulo à política dos franco-atiradores. Desestímulo à Instituição, Partidos Políticos.
***
Não existe um regra explícita de “proporcionalidade na cobertura” para a imprensa, o que não significa que os assuntos e os atores envolvidos não sejam diferenciados. Nessa distribuição, deve prevalecer o bom senso. Assim, partidos com espaços na mídia que não correspondem ao seu tamanho real no jogo político, pode confundir o leitor. Na cobertura esportiva, normalmente um Quixadá não deve ter a mesma cobertura de um Ferroviário, que por sua vez, não deve ser objeto de maior atenção do que Fortaleza e Ceará. A cobertura política deve ter critérios análogos. A rigor, dos partidos nanicos, PCdoB e PSOL são os que têm maior destaque na imprensa – quase exclusividade – não obstante sua inexpressiva representatividade. Não por acaso são partidos de esquerda, o que denota uma espécie de seleção eletiva que privilegia siglas com determinado talhe ideológico.
***
O PSOL do Ceará rompeu com a prefeita Luizianne Lins e o PT, e deverá lançar candidato próprio. Eis uma informação de interesse público, desde que acompanhada dos devidos senões. O PSOL não tem peso político para influir na gestão de Luizanne. O candidato Renato Roseno, presidente da sigla que já disputou o governo do estado, pode lhe roubar alguns votos. E João Alfredo? Bom, geralmente, político sem mandato não conta.

A imagem que construímos – jornal alemão fala em "lei da selva" no Brasil

Zé Carioca – personagem criado pela Disney, caricatura dos brasileiros: pobre, alegre, malandro esperto e, no fundo, boa gente. Junto com mulatas sambando, era a síntese da nossa imagem no exterior. Hoje não é mais o emblema do país á fora. Agora são os traficantes.

Notícia veiculada pelo jornal alemão Der Tagesspiegel relata a crescente onda de violência na cidade, que levou o governo federal a enviar ao Estado tropas da Força Nacional de Segurança. A análise das causas é superficial e um tanto preconceituosa. Entre os motivos que explicariam a situação, o jornal elenca o fato de que “os brasileiros acreditam apenas na lei da selva”. Mas, infelizmente, essa é a imagem que temos. Nos cinemas está em cartaz um filme no qual turistas desavisados que vem ao Brasil são vítimas da violência. “No ano passado, 48 mil pessoas morreram vítimas de facadas ou tiros, três vezes mais do que em acidentes de trânsito”, explica o jornal.

Confiram o título da matéria e a tradução em vermelho:

Ipanema brennt – Es herrscht Krieg in Rio de Janeiro: Drogendealer, Mafia und Polizei ringen um Macht.

Ipanema queima – traficantes, mafiosos e policiais lutam pelo poder no Rio de Janeiro.

WordPress Themes