Idiotices politicamente corretas

Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”. Às vezes, a burrice não precisa ser unânime, basta ser hegemônica.

Da Folha Online

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a proposta de redução da maioridade penal, que tramita no Congresso. O projeto voltou a ser discutido no Senado após a morte do menino João Hélio Fernandes Vieites, 6, arrastado por um percurso de 7 km em Osvaldo Cruz, na zona norte do Rio. Entre os criminosos havia um menor de 18 anos.

Eu fico imaginando que se a gente aceitar a diminuição da maioridade penal para 16 anos, amanhã estarão pedindo para 15 [anos], depois para 10 [anos] e depois para 9 [anos]. Quem sabe um dia queiram [culpar] até o feto se souberem o que pode acontecer no futuro’, afirmou ele hoje em São Paulo após participar da inauguração de um call center da Atento.”

Já repararam que para todo problema social existe uma solução que todos conhecem e com qual a maioria concorda? Como se uma sabedoria telúrica cobrisse a todos? Curiosmente, apesar do sucesso de público, tais diagnósticos não produzem resultados concretos. Todos admitem o problema, a maioria concorda com as causas e com as fórmulas prontas, e ainda assim nada muda. Acontece que, para essas questões, quando não existem divergências significa que algo está errado.

O que vai acima é a pura expressão do progressismo politicamente correto que adora substituir o enfrentamento dos problemas por discursos de auto-ajuda, e que tomou conta do debate público. Nesse caso, serve ainda para transferir o ônus de ser governo para terceiros. Ora o problema é o Legislativo ou o Judiciário, ora é a economia ou mesmo a história. A defesa de um adolescente sociopata que não vacila na hora de esfolar uma criança é mais do que o presidente Lula falando bobagens; é a explicitação do fato de que já não somos mais capazes de discernir entre o certo e o errado. Cadê o combate ao crime organizado? Cadê desmantelamento do tráfico de armas e de drogas? Os anos de hegemonia cultural (ver o teórico comunista Antônio Gramsci) das esquerdas nas escolas brasileiras anestesiaram por completo a consciência nacional sobre o papel do indivíduo na sociedade. Marcola e Fernandinho Beira-Mar, de acordo com essa concepção, são doces criaturas que se peverteram por conta do capitalismo e, claro, pelo azar de terem nascido antes de Lula ser o presidente.

Agora reparem o final:

“Nós não conseguimos alfabetizar no tempo certo, não conseguimos fazer a reforma agrária no tempo certo.”

Pois é. Então não tem jeito no presente. Só no futuro incerto. Essa é a essência da mistificação comunista: negar os erros e justificar os próprios fracassos vendendo o porvir da felicidade.

Cumprimento das leis: o exemplo vem de cima

O assunto da moda agora é mudar a legislação para acabar com a violência e o crime de uma canetada só. Ótimo, as coisas podem e devem ser aprimoradas, tudo bem, nada contra. Mas, convenhamos, o problema no Brasil é o não cumprimento da legislação, que gera impunidade. Relembrando: os mensaleiros foram reeleitos, Palloci conseguiu imunidade e por isso não está na cadeia, Lula foi eleito com dinheiro sujo, conforme a confissão do seu marqueteiro Duda Mendonça, Valdomiro Diniz sumiu, e a ciosa Polícia Federal não descobriu nem descobrirá de onde veio o dinheiro do dossiê fajuto e dos dólares da cueca. Como dizer a um “adolescente desprotegido” que fumar maconha é errado? Uma república democrática tem como instrumento normativo máximo a constituição, e todos – t o d o s – devem cumprí-la. No entanto… Vejam essas acintosas declarações do presidente Lula, transcritas no blog do Reinaldo Azevedo.

“Reconheço a justeza de todos os pleitos bolivianos”. “Eu não esqueço que somos chefes de Estado de países soberanos, que precisamos agir como chefes de Estado, cada um em defesa de seu país; mas, antes de ser presidente da República, tu, na Bolívia, e eu, aqui no Brasil, nós éramos companheiros no movimento sindical, e não podemos permitir que essa nossa primeira relação seja diminuída porque hoje somos presidentes”.

Entenderam? O presidente da Bolívia – país apto a produzir apenas artesanato – Evo Morales, ordenou a expropriação (roubo) das instalações da Petrobrás naquele país, que eram investimentos legais feitos com o dinheiro dos contribuintes brasileiros, gerando emprego e transferindo tecnologia para os nossos vizinhos. Não satisfeito, Morales impôs ao Brasil um aumento de preço no gás à revelia dos contratos assinados. E qual a nossa reação? Foi a que vimos acima. Diferentemente das privatizações, onde os interessados compram por um preço fixado, investem na ampliação dos serviços e pagam impostos, a agressão de Morales e a pusilanimidade de Lula é que configuram entreguismo. Em nome da soberania da Bolívia, Lula confessa, publicamente, que interesses anteriores e alheios à sua condição de Chefe da Nação orientam o seu governo. As ações de Estado, portanto, se submetem às ações políticas de companheiros. Por lei, a incumbência da defesa dos interesses nacionais é do Presidente da República, que não podem ser definidos por considerações de natureza particular. Mas no Brasil, a lei, para alguns, é apenas um detalhe.

A América Latina, sob a liderança dos bons companheiros Fidel, Chavez e Lula, caminha na contramão da história. Estatização, falta de investimentos, corrupção, enfraquecimento das instituições democráticas, redes de assistencialismo populistas, ineficiência econômica, tudo isso é o prelúdio de um tempo de autoritarismo e mais pobreza.

Para terminar, leiam o comentário de Azevedo.

“Se vocês querem ter uma dimensão do tamanho e da importância do Brasil no mundo, peço que façam um exercício: imaginem um presidente americano, qualquer um, que dissesse dever mais fidelidade à sua condição anterior do que à Presidência da República. No dia seguinte, o Congresso proporia uma moção de impeachment. E ele iria pra casa. No Brasil, faremos o quê?”.

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