Carnaval e relativismo cultural
Carnaval: festa rudimentar elevada à condição de arte. Obra do ideário relativista, segundo o qual Chopin, Villa-Lobos, Durval Lelis e Carlinhos Brown, são músicos de igual valor. Tudo se resume a uma questão de gosto.
Como a regra no mundo de hoje é o relativismo que iguala o bom ao ruim, o belo ao tosco, o especial ao vulgar, podemos dizer que o carnaval é uma expressão superior da cultura como se essa fosse uma verdade auto-evidente. Não falo do aspecto moral da festa – que é bem discutível – , mas da sua concepção estética. Experimente dizer a uma platéia formada de sociológos, antropólogos, psicólogos, progressistas e aspirantes a intelectuais em geral, que o carnaval é um fenômeno primitivo, ou que as letras das músicas carnavalescas são pobres e incompreensíveis, e você correrá o risco de ser considerado um terrível conservador elitista que despreza as origens do povo. Afinal, segundo o dogma relativista, questão de gosto não se discute. O ápice da apoteose momesca no Brasil é o desfile das escolas de samba do deflagrado Rio de Janeiro, com ampla cobertura de mídia, dinheiro abundante e sucesso de público. Pois bem. Pesquisei na internet as músicas desse evento grandioso, que tão bem expressa a maturidade do nosso povo alegre e pacífico, trabalhador e inteligente. Eis algumas amostras do que encontrei.
BEIJA-FLOR - "Do Berço Real à Corte Brasiliana"Olodumarê, o deus maior, o rei senhorOlorum derrama a sua alteza na Beija-florOh! Majestade negra, oh! mãe da liberdadeÁfrica: o baobá da vida ilê ifé (...)Um canto pro meu orixá tem magiaMachado de Xangô, cajado de OxaláOgun yê, o Onirê, ele é odaraÉ Jeje, é Jeje, é QuerebentãA luz que bem de Daomé, reino de Dan ESTÁCIO DE SÁ - "O Ti Ti Ti do Spoti"(...) D. João achou bomDepois que o sapoti saboreouDeu pra Dona LeopoldinaA Corte se empapuçou (...)E hoje no quintal da vida sou criançaMe dá que o sapoti é meu IMPERATRIZ - "Teresinhaaa, uhuhuuu!!! Vocês querembacalhau?"(...)Que maravilha o Chacrinha imaginouNo fom fom da sua buzinaUma geração emocionou (...)(...)O choque do gelo do norteCom o fogo ardente do sulImir sonhou, suou e surge a vidaE a Noruega, amanheceu em florMonstros gigantes, raios, vulcõesVikings dos mares (...)SALGUEIRO - "Majestosa África"(...)Odoyá Iemanjá; Saluba Nanã!Eparrei OyáOrayê Yêo, Oxum!Oba Xi Obá