A maioridade penal e a generalização da culpa
Se todos somos culpados, então niguém é inocente. Num mundo assim, a autoridade moral para combater o crime é nula, e a intenção de proibir a ação dos indivíduos violentos, uma injustiça.
“Falhamos: ‘Está estabelecido na Constituição que a rede de proteção à criança é responsabilidade de todos nós, da família, do Estado, da sociedade. Isso não é cumprido. Falhamos. Digo com vergonha, mas sem medo de errar’.”
As intenções da senadora Patrícia Saboya certamente são boas. Este Blog já elogiou o seu trabalho na defesa dos interesses do Ceará mais de uma vez. No entanto, a declaração da parlamentar é por demais genérica. Dá margem para que qualquer gestor público diga que não pode fazer nada, que somente no futuro as coisas irão se ajeitar. Se assemelha às análises sociológicas das nossas universidades, mas é irrelevante do ponto de vista operacional. Segurança pública é dever do Estado, e socializar a culpa dificulta a cobrança de responsabilidades, um dos deveres do Senado.
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