Lógica perturbada
A prefeita acusa a oposição de tramar contra o povo pelo fato de a oposição se opôr a ela (ler o post abaixo). Parece birra, mas não é. Denota uma forma autoritária de ver o mundo, baseada em duas premissas falsas. A primeira idéia que orienta esse tipo de pensamento é o da exclusividade moral da esquerda, um argumento tão verdadeiro quanto uma nota de 13 reais. A mensagem implícita é a de que a oposição somente é bem intencionada quando é de esquerda. Quando é de direita, ou mesmo quando é acusada de ser de direita, é falsária e vil. Existe uma nítida intolerância quando os outros fazem questionamentos sobre as condutas desses “progressistas” no poder. Não pode. Dessa forma, uma oposição boa reconhece a sua própria natureza corrompida e por isso não deve emitir opiniões. Deve fechar mesmo fechar os olhos e tapar a boca, doce e servilmente. Caso contrário, serão taxados de inimigos do povo.
Aí reside a segunda premissa falsa. A prefeita Luizianne REPRESENTA transitóriamente o povo de Fortaleza, o que é diferente de se imaginar a sua síntese encarnada, a quintessência individualizada dos habitantes da capital. Criticá-la ou cobrá-la, portanto, não significa ser contra o povo. É constrangedor ter que explicar isso. Um pouco de humildade não faz mal a ninguém. Em vez de reclamar dos que cumprem o seu trabalho – a oposição -, a Prefeitura deveria apresentar toda a documentação envolvendo o tal reveillon.