Veja aborda polêmica do Reveillon milionário

A revista Veja, principal do país e uma das maiores do mundo, publica na edição dessa semana matéria sobre do Reveillon milionário promovido pela Prefeitura de Fortaleza, e que foi patrocinado com o dinheiro dos contribuintes. Antes que a patrulha da “imprensa burguesa e golpista” comece a vociferar contra a publicação para disfarçar e mudar de assunto, como é de praxe, é bom atentar que Veja ouviu especialistas da área. A conclusão é inequívoca: o preço foi superfaturado. E muito. Se houve corrupção ou improbidade incompetência, isso fica para o Ministério Público, ou para uma improvável CPI na Câmara Municipal.

PS. Prestem atenção nos artigos de opinião dos próximos dias. Não vai haver quem de deixe de propor o controle da imprensa, ou a criação de um Conselho qualquer, onde os “interesses sociais” possam se sobrepor a esses assuntos menores.

Com vocês, o texto de Veja. Os grifos são meus.

Ô forrozinho caro

Prefeita faz festa de 2 milhões de reais e é acusada de superfaturar cachês de artistas
Marcelo Carneiro

Durante a sua campanha à prefeitura de Fortaleza, a petista Luizianne Lins trombou de frente com a cúpula do seu partido (leia-se, naquele tempo, José Dirceu, José Genoíno e companhia). Boicotada pela direção nacional, que apoiava o candidato do PCdoB, ela chegou a ter sua renúncia “anunciada” por Genoíno, então presidente da sigla. Teimou, concorreu e agora, vitoriosa, parece perfeitamente adaptada aos ditames do partido e seu modus operandi. Em dezembro, a prefeita promoveu uma festança na cidade para comemorar a virada do ano. Até aí, nada de mais – não fossem dois problemas. O primeiro é que a farra foi quase toda bancada por dinheiro público. Dos 2,2 milhões de reais que consumiu, apenas 200.000 reais não saíram de órgãos federais. O resto veio do Ministério do Turismo, da Caixa Econômica e do Banco do Brasil. O segundo problema não se resume a uma questão de ética (ou de falta dela): é de natureza criminal mesmo.

Ao analisarem a prestação de contas da festa, vereadores da oposição descobriram que ela estava flagrantemente superfaturada. Um show de Elba Ramalho, por exemplo, que não cobra mais que 100 000 reais por apresentação, saiu por cinco vezes mais. O do sanfoneiro Dominguinhos, cujo cachê é de 50.000 reais, foi contabilizado em 340.000 reais. “Queria saber onde foi parar o resto do dinheiro”, disse o sanfoneiro. A Estrutural, empresa escolhida pela prefeitura (sem licitação, claro) para organizar a festança, diz que tudo não passou de um “erro de lançamento”, já que os valores não se referem só aos cachês – incluem passagens, hospedagem, iluminação, som e segurança. O argumento não convenceu quem entende do negócio. “Mesmo assim, um show como o da Elba não custaria mais do que 250.000 reais”, diz um dos principais produtores de espetáculos do país. E a prefeita, o que diz sobre o episódio? “Nunca vi tanto estardalhaço. Isso é política pura.” A história recente já mostrou a espantosa naturalidade com que petistas misturam o que é do Estado com o que é do governo e do partido. Luizianne Lins, pelo que se vê, aprendeu rápido.

Pague e o seu IPTU e ajude os sem-champanhe da Prefeitura de Fortaleza

Garrafa de champanhe personalizada com a logomarca da Prefeitura de Fortaleza, distribuida “gratuitamente” no polêmico Reveillon de 2007. Não é a sua rua que é feia, o champanhe é que é pouco.

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