Projeto das Mudanças 20 anos – parte 3

Hoje em dia, equilibradas as contas do Estado, sedimentado o prestígio do Ceará perante o mercado de investimentos e na própria Federação, políticos sem expressão, nem trabalho, adoram dizer que o modelo do Projeto das Mudanças. A prova seria a vitória de Cid e Luizianne. Como sabemos, Luizianne foi candidata contra a vontade do comando nacional do PT, que apoiou a volumosa campanha de Inácio Arruda. As circunstâncias fizeram dela, uma petista sem projeto de governo delineado, a própria contestação do PT no poder. Eleita prefeita de Fortaleza, Luizianne não promoveu rupturas com o modelo administrativo que combatia.

Quanto a Cid… Vejam parte de um artigo que escrevi em fevereiro de 2006, portanto, antes das eleições passadas.

“Em 2006, tudo faz crêr que o PT cearense, desgastado pelo seu envolvimento direto no episódio do mensalão, pode optar por apoiar o provável candidato do PSB Cid Gomes. (…) Depois de tantos anos lutando nas trincheiras oposicionistas, essa turma só ameaça a tucanada se tirar do bolso um candidato criado pelos… tucanos! É isso. O grupo cirista ganhou dimensão e prestígio estadual graças a parceria que mantiveram com o PSDB de Tasso Jereissati, que os fez beneficiários, sem desmerecer os méritos próprios de cada um, de uma imagem positiva perante o eleitorado. Colaboraram com afinco com os governos estaduais dos tucanos e auferiram dividendos políticos com isso.”

“A esquerda estadual critica o modelo econômico adotado pelos tucanos de forma genérica, não por didatismo, mas por absoluta carência de propostas para uma ação substituta. Eis aí a essência de uma empulhação: se dizem adversários de algo que não sabem como mudar. (…) Assim, sem poder fornecer respostas para as cobranças que fazem aos outros, sem poder falar mal de medidas como a responsabilidade fiscal, a oposição cearense, junto com o PMDB, espera vencer os tucanos com a ajuda dos ciristas, eles mesmos operadores e signatários de primeira hora desse modelo por ela criticado. Esperam, ao indicar os ciristas, poder sugerir aos eleitores, sem criar constrangimentos, que eles podem gerir melhor esse modelo que aí está.”

“No Ceará, gostando ou não, existe um grupo político que assumiu o governo com um projeto baseado em valores bem explicitados, capaz de modular discursos e ações, como o da gestão fiscal austera, e que por isso criou uma marca que o identifica facilmente. Independente de quem ganhe as próximas eleições estaduais, o projeto das mudanças lançado pelo CIC de Tasso Jereissati e Beni Veras ainda não encontrará o seu contraponto nem a sua superação. Não subestimo niguém, muito menos o PT, que é o partido político mais poderoso e rico da história do Brasil, mas também não o superestimo como portador de um novo tempo. Com efeito, as oposições podem até vencer as próximas eleições no Ceará, mas ainda não terão a sua própria marca.”

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