A banalização do crime e da vida
O noticiário local destaca o assassinato dos irmãos Marcelo (26) e Leonardo Moreno Teixeira (24), ocorrido na madrugada de sábado (17/03), numa churrascaria em Iguatu. Foram mortos pelo capitão PM Daniel Bezerra Gomez, com uma arma de uso da polícia. Os jornais informam que, segundo testemunhas, o motivo do crime foi banal. O jornal O Povo publicou matéria com diversos relatos sobre o comportamento agressivo e desequilibrado do policial, trazendo inclusive o testemunho do prefeito de Iguatu Agenor Neto, que confessou evitar andar nos mesmos locais que o capitão.
Houve um tempo que briga de bar era algo comum nas reminicências dos mais velhos. Era um tipo de ritual de afirmação masculina – beber e trocar alguns sopapos. Os brigões geralmente terminavam de ressaca e com pequenos hematomas, no máximo, passavam uma noite no xadrez. Hoje, com a consolidação do sentimento de impunidade, qualquer sociopata covarde anda com um revólver esperando pela menor oportunidade, pelo menor motivo, um olhar que seja, para matar. É certo que a lei lhe facultará mil artimanhas para evitar a cadeia, principalmente se for réu primário. Há casos que o sujeito não passa um dia preso, outros, os criminosos passam apenas alguns meses. E o discurso é que não devemos puní-lo, mas recuperá-lo. E assim, todas as semanas, um crime bárbaro choca a sociedade.
Vivemos, literalmente, numa espécie de terra sem lei, expressão usada não por acaso nos filmes de faroeste, onde todos portavam armas à cintura para garantir a própria proteção. Pelo menos existiam os mocinhos… O negócio é o seguinte. Cuidado com o sujeito da mesa ao lado, ou com o motorista do carro parado no sinal, ou o pedestre, o ciclista, o vizinho, o colega, o guarda… Cuidado! Eles podem estar armados, prontos para destruir a sua vida e de seus familiares, e nada vai acontercer com eles para intimidar outros assassinos. Todos sabem onde comprar um revólver irregular. Sei que parece exagero. Mas infelizmente não é. O mal e vida foram banalizados, sob o olhar complacente das nossas autoridades. Basta ver como os gastos com seguranças foram percentualmente reduzidos no orçamento federal e estadual. O Brasil registra uma média de 50 mil mortes violentas por ano (fora o que não é registrado). Três vezes mais que a guerra do Iraque. A violência é o principal problema do país hoje, mas vivemos de discutir a texa selic. Em vez de construir mais presídios e endurecer as leis para constranger os violentos, falamos em penas alternativas. violência é o principal problema do país, e a impunidade é mãe dela.
2 Comentários
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By Keyla, 26/03/2007 @ 15:33
Um absurdo o que aconteceu com esses jovens. Senti forte dor quando ví o depoimento de seu pai e da noiva de um deles. Absurdo maior termos que clamar por Justiça. Deixo a perguna no ar: quem evitou a exposição desse crime em nível nacional?
By Keyla, 26/03/2007 @ 15:35
Abusurdo o que aconteceu com essa gente de bem. Deixo a perguna no ar: porque não foi transmitido em cadeia nacinal?