Dica de leitura: Stalin - A Corte do Czar Vermelho

As ideologias podem, muitas vezes, funcionar como verdadeiras prisões do pensamento, limitando visões e adaptando interpretações dos fatos, para se amoldarem ao discurso teórico. E quando uma idelogia predomina hegemonicamente sobre as outras, inclusive nas universidades, o debate político corre o risco de perder vitalidade, até o ponto de se transformar em pura propaganda doutrinária.

A sutil impressão de que esquerdistas são inerentemente bons e direitistas são maus, por exemplo, não decorre de constatação determinada pelo exame de fatos concretos. Resulta antes de um processo de distorção e manipulação das informações, submetidas o crivo da propaganda ideológica. É, em suma, uma criação de pensadores esquerdistas, que conta com a omissão dos pensadores direitistas (esses, no Brasil, só gostam de discutir economia).

Por isso a leitura de obras que nos ajudem a contrapor essa catequização do pensamento torna-se cada vez mais necessária. O livro STÁLIN – A CORTE DO CZAR VERMELHO, do jornalista argentino Simon Sebag Montefiore, Companhia das Letras, 2006, é uma preciosa oportunidade de aprender que a suposta pureza ideológica da esquerda não tem amparo na História. Trata-se de uma monumental pesquisa sobre a intimidade do núcleo do poder na União Soviética, sob a bandeira do comunismo. As fontes variam entre cartas, diários, bilhetes, jornais, revistas, entrevistas, livros, documentos oficiais, confissões e biografias. O cruzamento dessas informações foi compilado em 860 páginas de fácil leitura.

Não há julgamentos ou comparações ideológicas no livro, mas a narração objetiva dos fatos daquele período ajuda a evidenciar que o discurso comunista da igualdade plena é a capa que pode esconder uma natureza intrinsecamente desigual, violenta, e opressora. Via de regra, intelectuais de esquerda preferem renegar o passado como se fosse um desvio de conduta de indivíduos, que nada tem a ver com a ideologia. Mas na verdade, longe de ter sido um acontecimento fortuito da história, em todos os lugares onde esse sistema foi implantado, o terrorismo de Estado, a morte, a violência, o medo, a pobreza extrema da população, o totalitarismo e a ditadura, tudo isso se manifestou simultaneamente em níveis incomparáveis. Cuba, China, Camboja, com seus líderes Fidel e Che, Mao Tse-Tung, e Pol-Pot, apenas confirmam que os acontecimentos funestos ocorridos da Rússia de Stálin não foram meros acidentes de percurso. Tudo o que rejeita a primazia do indivíduo, a liberdade, a moral e a democracia, até os dias de hoje, se mostrou essencialmente maligno.

Passagens do livro Stálin – A corte do czar vermelho

Entre 1931 e 1932, cerca de 5 milhões de pessoas morreram de fome na Ucrânia. A fome aconteceu para que o governo socialista levantasse “dinheiro a fim de fabricar fundidores de ferro-gusa e tratores”. O líder soviético Stálin, nunca esquecera o ensinamento do revolucionário Lênin: “O camponês deve passar um pouco de fome”. (Pág. 114)

Sobre a hipótese de haver divergências no sistema: “Uma revolução sem pelotão de fuzilamento não faz sentido”. – Lênin. (Pág. 114)

Comentário de Stálin ao saber que Hitler havia massacrado seus adversários no partido nazista, no episódio conhecido como a Noite dos Longos Punhais, em 1933: “Você soube o que aconteceu na Alemanha? Que sujeito esse Hitler! Esplêndido! Essa é uma façanha que exige muita habilidade!” Stálin também mandou assassinar seus opositores (Pág. 163)

Justificando a prisão de um milhão e meio de poloneses e o fuzilamento de outros 700 mil, todos com a autorização de Stálin, Iejov, chefe da polícia secreta (NKVD) disse: “Melhor ir longe demais do que não ir longe o suficiente”. (Pág. 265) Obs. Quando os massacres passaram a constranger o governo, Stálin mandou matar Iejov, a quem culpou por tudo.

“Quem vai lembrar de toda essa gentalha dentro de dez ou vinte anos? Quem lembra agora dos nomes dos boiardos de que Ivan (o Terrível) se livrou? Ninguém… O povo sabia que ele estava se livrando de todos os seus inimigos. No fim, todos ganharam o que mereciam”. Stálin, sobre suas vítimas (Pág. 268)

Instruções escritas de Stálin para um interrogatório, no Terror de 1937: “Bater, bater! Está na hora de espremer este cavalheiro e forçá-lo a contar sobre o seu pequeno negócio sujo. Onde ele está – numa prisão ou num hotel?”. “A prática do NKVD do uso da pressão física [...] permitida pelo Comitê Central (era um) método totalmente correto e oportuno”. (Pág. 283)

“Se vivêssemos em um Estado capitalista, eles estariam falando de nós no Parlamento e nos jornais” – Vorochílov, ministro e membro do partido, escarnecendo a democracia em carta para Stálin. (Pág. 285)

Ordem de Stálin, emitida às 23h38 de 20 de julho de 1937: “O Comitê Central concorda com suas propostas sobre processar e fuzilar ex-trabalhadores da fábrica de tratores”. Vinte operários foram fuzilados, acusados de sabotagem e lentidão no trabalho.

No início da 2ª Guerra Mundial, Stálin, que nesse momento estava em desvantagem contra os alemães, editou a Ordem nº 270: “Ordeno que (1) [...] quem se render deve ser considerado um desertor maligno cuja família deve ser presa como a de um transgressor do juramento e da pátria. Esses desertores devem ser fuzilados no local”. (Pág. 425)

Quando Churchill disse que Deus estava do lado dos Aliados, Stálin gracejou: “E o diabo está do meu lado. O diabo é comunista, e Deus um bom conservador!”.

“Bata neles até que confessem! Bata, bata, e bata de novo. Ponha-os nos ferros, moa-os até transformá-los em pó!”. Stálin, paranóico, ordenando a tortura de seus antigos médicos, acusados de serem espiões judeus a serviço dos EUA. (Pág. 697)

“[Estou] mergulhado até os cotovelos de sangue”. Nikita Khruchióv, sucessor de Stálin. (Pág. 724).

O regime socialista na ex-URSS foi responsável por:

20 milhões de pessoas mortas;

28 milhões deportadas, da quais;

18 milhões escravizadas nos Gulags (campos de concentração).

Redução da maioridade penal

Comentário de Reinaldo Azevedo em seu blog (o destaque é meu):

“A proposta aprovada ontem na Comissão de Constituição e Justiça do Senado nem chega a ser, a rigor, a redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos, em sentido amplo. Valeria para os crimes considerados hediondos: estupro, seqüestro, tráfico, tortura, terrorismo… Mas a grita dos setores chamados “progressistas” já começou. (…) Sempre que se pensa numa medida mais dura contra a violência — a redução da maioridade penal ou as pulseiras eletrônicas de monitoramento —, levantam-se vozes para gritar: “Isso não resolve” ou para lembrar as supostas origens sociais da violência, o que não passa, no fundo, de preconceito contra pobre disfarçado de humanismo. O que quer dizer “resolver”? Eliminar a violência? É claro que não elimina. Trata-se de medidas de repressão, intimidadoras, que aumentam um pouco a margem de controle da sociedade. Não é uma panacéia. A redução da maioridade penal não vai impedir, por exemplo, o narcotráfico ou o tráfico de armas; também não vai aumentar o controle sobre as nossas fronteiras; não fará circular menos armas de fogo ilegais. Disso todos sabemos. Mas vai impedir que um assassino de 17 anos seja posto na rua depois de um ou dois anos de internação.

A redução da maioridade penal para estes crimes graves é uma medida principalmente contra a impunidade e só secundariamente contra a violência urbana — e as sociedades têm o direito de punir aqueles que a traumatizam com um comportamento que não é aceitável segundo os padrões da democracia”.

Argumentos contra a redução da maioridade penal são inconsistentes

Jornal Diário do Nordeste:
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A votação foi apertada por 12 votos a 10. A Proposta de Emenda à Constituição ainda precisa passar pela votação em dois turnos no Plenário do Senado e depois segue para Câmara.Segundo a Senadora Patrícia Saboya (PSB), a redução é um retrocesso, pois apenas 1% dos homícidios são cometidos por adolescentes. Ela afirma que ‘Dados derrubam o mito de que adolescentes são perigosos. Redução da maioridade não diminuiria o problema da impunidade, que beneficia adultos e não adolescentes”.

Jornal O Povo
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Hélio Leitão(sic) [ele é presidente da OAB-Ceará], os parlamentares estão fazendo uma análise baseada apenas na emoção da sociedade que está clamando por soluções rápidas e fáceis.

Blog do Wanfil
O pensamento da senadora e do advogado é distorcido, apesar da boa intenção. Influencia de certo progressismo que vê o bandido como vítima e a vítima como responsável pela criminalidade. É a lógica segundo a qual, criminosos são compelidos ao crime em função das desigualdades sociais ou dos desajustes familiares. Se todos são vítimas, ninguém é culpado, e a punições, portanto, injustas. O indivíduo nunca é responsável pelo que faz. Obviamente isso é um engano.

O argumento de que adolescentes não são perigosos porque somente 1% deles cometem crimes é inapropriada. O percentual de idosos criminosos também é pequeno e nem por isso alguém defende que os velhinhos tenham salvo conduto para matar. Ou os albinos, devem cometer menos crimes ainda, e isso não os libera da repressão da lei. O menino João Hélio foi morto por um marmanjo de 16 anos, e não há estatística que mude o fato.

Quanto a alegação de que a emoção invalida o debate não passa de uma opinião pessoal do presidente da OAB-CE. Como determinar quando questões sociais e morais devem ser tratadas? Quem define os limites da emoção? E quem disse que o racional sempre é melhor que o emocional? A partir de quantos crimes um adolescente é punido emocionalmente? Qusndo um cliente com a honra questionada busca um advogado, impulsionado pela emoção da indignação, o que Leitão recomenda? Que não busque reparação? Que entenda os motivos do agressor? Incrível.

Magoou

O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), fez duras críticas ao senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), após o tucano ido ao encontro do presidente Lula, no Palácio do Planalto, a pedido deste. Um dos assuntos tratados na conversa foi a viabilização da siderúrgica prometida pelo petista.

Arruda acusou o golpe e declarou, numa entrevista, que Tasso deveria ter trazido a siderúrgica antes, pois foi governador do Ceará por 12 anos. Não é para menos, poios ficou a impressão que o verdadeiro interlocutor dos interesses cearenses em Brasília é Tasso, um oposicionista. Mas haviam outras formas de defender a posição. Bastava dizer que já sabia. Em vez de reforçar a cobrança, Inácio critica gratuitamente. Vale lembrar que o comunista não foi recebido nem pela ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil - levou um tremendo chá de cadeira.

Uma das marcas do governo Jeressati foi o investimento em infra-estrutura. Obras não faltam para comprovar: estradas, porto, aeroporto etc. Quem mostrou obras que não existem foi Lula no programa eleitoral. E uma delas foi a tal siderúrgica. Promessas que renderam votos ao presidente e aliados, como Inácio.

Lembrando. O também comunista Aldo Rebelo foi o presidente da Câmara dos Deputados mais servil da história da República. Fez de tudo para travar, postergar, procrastinar, as investigações sobre o mensalão. Candidato à reeleição, esperava o apoio agradecido de Lula. Levou uma rasteira e o eleito, com o apoio do presidente, foi Arlindo Chinaglia, do PT. O preço da submissão é o desprezo. Agora não adianta bater o pé.

Resposta a um desabafo

Candido Portinari: Dom Quixote Atacando um Rebanho de Ovelhas [1956] / Desenho a lápis de cor (clique na imagem): Rebanhos são conduzidos sem que niguém manifeste opinião pessoal ou exerça julgamentos próprios. Às vezes, tentar dispersá-los é como lutar contra moinhos de vento; às vezes é inevitável e imprescindível.

Um leitor deste blog escreveu o seguinte:
“Acabei de me formar e passar em um concurso (…). Mal entrei e já senti o clima do Lulismo, o sufocamento (pra não dizer intolerância) de opiniões diversas a que não seja a deles. Se digo a minha opinião, sou tachado NEOLIBERAL. Depois da primeira rotulagem, a gente se cala. Não quero ser sabotado no trabalho. (…) A CUT, atrávés do sindicato, envia uns folhetos que são distribuídos nas assembléias que (…) com conteúdo fora do dia-a-dia dos trabalhadores da empresa. (…) Por essas e outras ainda não me sindicalizei, não concordo com o pagamento de 2% do salário, gostaria de ver os gastos do sindicato. E ainda não concordo com sua “política”. (…) Ainda no primeiro dia de palestra, eles falam como devemos agir em dia de greve. Me senti tratado como mais um em um rebanho. Na primeira assembléia eles perguntaram se nós queríamos que a carga horária que já de 7h30min fosse diminuída para 6 hs e ainda queriam que o trabalho as segundas fosse voluntário. (…) Quais os conselhos que você dá pra conviver com os petralhas e você acha que devo ou não me sindicalizar?

É um relato fiel de como a patrulha do pensamento único age nas empresas estatais e nos sindicatos. Trata-se de uma fórmula velha, reacionária, que mescla obscurantismo e má-fe. Consiste em cooptar os que ingressam na categoria usando o discurso da defesa dos interesses coletivos, para fazer deles meros ativistas de partidos políticos de esquerda. No movimento estudantil também é assim. É a privatização das entidades de classe. Um desvirtuamento. A rigor, tais entidades existem para representar determinado grupo profissional e zelar pelos princípios gerais da classe, ou seja, condições de trabalho, liberdade de opinião, dissídio coletivo, ajuste salarial, entre outros, não importando a cor, o sexo, a idade, a filiação partidária ou a ideologia dos seus membros. No entanto, na prática, quem não proclamar voto nos candidatos da esquerda é mal visto e rotulado de 1) alienado; 2) traidor; 3) neoliberal; 4) burguês; 5) direitista. Muitas vezes pode haver sobreposição de rótulos. A idéia é intimidar as vozes dissonantes. Se mesmo assim o sujeito teimar em querer pensar de forma autônoma, aí outras medidas podem ser tomadas, como 1) isolamento; 2) boicote, 3) sabotagem. Nesses casos, os caminhos para as promoções ou para o bom desempenho das funções ficam mais difíceis.

Digo ao leitor amigo que cada um sabe até onde está disposto ou é possível ir. O primeiro passo você já deu, que é o de saber preservar a independência do seu pensamento. Agora, é preciso ter consicência de que existe um discurso dominante que não admite contestações, ou como diz o Reinaldo Azevedo, um espírito do tempo que é influente e intolerante, cujos defensores cobram nada menos que o alinhamento automático e servil. De outra forma, o sujeito vira inimigo.

Sobre os sindicatos, eu não me sinto representado por nenhum. O modelo brasileiro é velho e viciado. O pagamento compulsório do imposto sindical e o monopólio da representação são as bases para a transformação dos sindicatos em filiais partidárias. O ideal seria a adesão voluntária e a pluraridade de sindicatos para a mesma categoria.

Aborto: a essência do debate

O aborto voltou a ser tema de debates nos jornais, por conta de um possível plebiscito. Sobre o assunto, já disse que sou contra, pois como cristão, acredito na inviolabilidade da vida. Qualquer vida: a minha e a outros, mas principalmente a dos que estão por nascer, indefesos que são. Esse é o centro da questão, o resto é acessório. Falar em liberdade do direito reprodutivo é deslocar o debate e fugir da incômoda lembrança que, no fundo, discutimos como violar uma vida. Um dos melhores argumentos que li contra o aborto foi escrito pelo jornalista e filósofo Olavo de Carvalho, no jornal do Brasil. Abaixo, reproduzo parte do artigo - clique aqui para ler o texto completo.

“Nem a ciência nem a religião, afirma o editorial da Folha de S. Paulo do dia 15, podem dar uma resposta satisfatória e universal sobre quando começa a vida — se na concepção, ao longo do desenvolvimento fetal ou no nascimento.” A premissa está mal formulada, mas, supondo-se que seja verdadeira em essência, a conclusão que dela decorre para qualquer inteligência normal é a seguinte: Como ignoramos se o feto é um ser humano dotado de vida própria ou apenas uma peça do corpo da mãe, também não sabemos se retalhá-lo em pedaços é homicídio ou não; mas sabemos com certeza absoluta que, no presente estado de empate entre as duas possibilidades, todo aborto é uma aposta cega na inocência de um ato que tem cinqüenta por cento de chance de ser um homicídio. A própria existência da dúvida impõe, como dever moral incontornável, abster-se desse ato até que a dúvida seja dirimida, se é que algum dia o será. (…) Para uma mente sã, qualquer conduta baseada numa dúvida é dúbia em si mesma; e ninguém tem direito à ação dúbia quando ela põe em risco uma possível vida humana.

Quem pode, pode

Por Eliomar de Lima, na coluna Vertical - O Povo

“O primeiro encontro do presidente Lula com o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati, resultou em três medidas concretas e que dizem respeito aos interesses do Ceará. Após ouvir de Tasso um relato sobre o projeto da futura siderúrgica cearense, garantiu a instalação do investimento, com gás natural e tudo. “Com esse compromisso pessoal do presidente, o Ceará toma novo ânimo na concretização de um sonho”, disse Tasso, que ontem esteve no Rio participando de debates no Espia. Outras bom-novas obtidas pelo tucano foram: Lula apoiará o projeto de criação das ZPEs - Tasso é o relator no Senado - e o presidente vai rever vetos impostos ao projeto que recria a Sudene. Jereissati entrou e saiu pela porta da frente do Palácio do Planalto, fortalecido pela postura de oposição responsável e mostrou determinação em defesa dos interesses do Ceará. Quer dizer: deixou a turma cearense da base lulista comendo poeira.”

Tudo bem. Tasso disse aos cearenses o que Lula queria que ele dissesse. Um compromisso respaldado por um adversário, confere maior credibilidade, pois a oposição não deseja fazer propaganda para o governo. Tasso poderia ter dito que o Ceará está cansado de promessas, que há cinco anos não temos obras federais, etc. Mas o senador é objetivo. Talvez Lula tenha percebido que o ônus das promessas que ele fez e faz é dele mesmo. Não sei. Mas para quem gosta de falar em dificuldades técnicas, ficou claro que a palavra final é do presidente. Lula está moralmente obrigado a cumprir o que prometeu. Vale lembrar também que o senador Inácio Arruda, eleito com o apoio do presidente, nem sequer foi recebido pela ministra Dilma Rousseff.

Cuidado com as manchetes de jornal

Título da matéria de capa do O Povo: “Luizianne ajusta máquina e prepara reeleição”.

A impressão é de que a reportagem trará os números e as ações do tal ajuste, e que esse, bem sucedido, poderá pavimentar naturalmente o caminho da reeleição. Mas ao lê-la, nada de informações concretas. Nenhum levantamento palpável, nenhuma análise comparativa entre o passado desajustado e o presente corrigido. Vejam trechos:

“A prefeita Luizianne Lins (PT) vem mudando sua atuação nos últimos meses. Na esfera administrativa, mandou acelerar a formatação da proposta de reforma que será enviada à Câmara Municipal.” - “Luizianne reorganizou a base de apoio na Câmara Municipal, montou um calendário de reuniões com a bancada de vereadores petista e criou a figura do secretário de articulação política.” Para ler a íntegra, clique aqui.

Viram? Não houve ajuste, só intenções. O ponto aqui não é julgar a intenção do jornal, claro. Mas alertar os leitores para tomarem cuidado com o que lêem, principalmente as manchetes. Nesse caso, foi uma escolha mal feita. A matéria visa mostrar que a prefeita aje e articula abertamente pensando na reeleição. O título interno é muito mais apropriado que o da capa: “2008 é logo ali”.

Feitos um para o outro

O cientista político brasileiro Mangabeira Unger, professor titular da Universidade Havard, nos EUA, foi convidado para a Secretaria de Ações de Longo Prazo, com status de ministro.

O site do jornalista Cláudio Humberto traz um artigo de Unger, publicado em 2005, na Folha de São Paulo. No texto, o provável ministro afirma categoricamente que o governo Lula é o mais corrupto da história do Brasil. Vejam o primeiro parágrafo:

“AFIRMO que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos.” Para ler a íntegra, clique aqui.

Roberto Mangabeira Unger gosta de posar de mentor intelectual de políticos. Primeiro foi Paulo Brossard, depois Leonel Brizola e por último, Ciro Gomes. Sua idéia é a de que somente governantes populares (ou populistas), podem quebrar os vícios cristalizados nos regimes democráticos e fazer, na marra, as reformas necessárias. Em outras palavras, ele acredita que o apoio popular autoriza a sobreposição do poder Executivo sobre o Judiciário e o Legislativo. Hugo Chaves iria amá-lo.

Lula chama Tasso para encontro. É hora de cobrar a dívida do presidente com o Ceará

Post do Blog do Eliomar

O senador Tasso recebeu o convite hoje pela manhã, durante telefonema do próprio presidente. Neste momento, ele está reunido com a executiva nacional do PSDB, em Brasília.
Antes de entrar para essa reunião, o tucano comentou o convite feito por Lula: “Achei de bom alvitre aceitar o convite como gesto de civilidade e polidez democrática. No entanto, não significa nenhum tipo de aproximação político-eleitoral. Significa a nossa vocação de estarmos sempre abertos ao diálogo”.


Autoridades reunidas em tom de civilidade é algo que não pode ser condenado, claro. O gesto de ambos sinaliza disposição democrática. Ótimo. Mas é bom o senador ir desconfiado. Faz cinco anos que o Ceará não vê uma, apenas uma, obra federal. O petista adora fazer seus interlocutores de meninos de recado, do tipo: “O presidente garantiu que a siderúrgica será instalada”, ou “Lula quer marcar uma reunião entre técnicos e parlamentares”. O negócio é cobrar quem prometeu. O sujeito angariou votos garantindo, com imagens na propaganda eleitoral, a viabilização da siderúrgica. Com omeu avô, descobri que para ser respeitado, é preciso se respeitar. E que a primeira regra para se respeitar, é fazer valer, sempre, a palavra empenhada.

Fama injusta

Um artigo do médico e antropólogo Antônio Mourão, publicado no O Povo, tocou num ponto que demonstra a força do senso comum na luta política. Ele critica o tratamento dispensado pelo governo aos servidores públicos estaduais. No final, com uma ironia, Mourão busca demonstrar a contradição entre as ações e os ideais do Partido Socialista Brasileiro - PSB, do governador Cid Gomes. Não entro no mérito da discussão sobre o funcionalismo, mas vejam como o socialismo é definido no artigo:

“Eleger o servidor público como vilão não pode ser discurso de quem se diz socialista por convicção e designação. Socialismo é a defesa do interesse coletivo. É colocar a máquina pública a serviço dos interesses maiores da comunidade.”

Como o socialismo é a ideologia da esquerda, a conclusão desse pensamento é que o social e a solidariedade possuem partido. Quem não for socialista, não defende o interesse coletivo. Eis um reducionismo ginasiano que vigora no Brasil.

Na verdade, as experiências socialistas que o mundo vivenciou produziram efeitos que contrariam esse discurso. Em vez de igualdade, promoveu o surgimento de uma elite burocrática improdutiva; no lugar da democracia e liberdade, consolidou o totalitarismo e ditadura; sem concorrência, as riquezas se transformaram em atraso e miséria endêmica. Isso, e muito mais, aconteceu em TODOS os países que implementaram o socialismo.

Mourão certamente se referia a uma, digamos, formulação filosófica. Mas, convenhamos, uma doutrina que invariavelmente gera resultados inversos à expectativa que inspira, só pode ter problemas de concepção. O fato de o socialismo, apesar de todo o mal que já causou, ainda ser visto como uma crença que possui a exclusividade das boas intenções, é um fenômeno político/psicológico que ainda deve ser melhor estudado.

Desprestígio

Diário do Nordeste

A execução orçamentária da União, no tocante aos recursos empregados no Estado do Ceará, encontra-se na faixa dos 16,66% de valores pagos. Os dados são do relatório de Execução Orçamentária. O índice está dentro do previsto, na avaliação do deputado José Pimentel (PT), único parlamentar cearense membro titular da Comissão Finanças e Tributação da Câmara. Nos primeiros meses deste ano, das liberações voluntárias feitas pelo Governo Federal para o Nordeste, o Ceará recebeu R$ 884 mil, bem menos que os Estados da Bahia, Pernambuco e Maranhão.

NÚMEROS
2,7 Milhões foram liberados para o Estado da Bahia
2 MI de recursos voluntários para o Estado de Pernambuco
Leia mais.

***

Duas observações:

1- Como era mesmo a conversa? A idéia era votar nos candidatos aliados de Lula que eles poderão trazer mais recursos. No primeiro mandato, nada; mas agora, com uma base de apoio forte, tudo fluiria a contento. E, no entanto, o segundo começa assim, a pão e água. Na verdade, uma base coesa pode ajudar, caso exista um plano de governo bem delineado. Na falta de um, o governo de plantão cede às pressões dos estados mais organizados.

2 - Sem o contraponto de um discurso de oposição, o governo Lula precisou apenas dos programas assistencialistas para vencer as eleições no Ceará, com votação recorde. Obra pra quê? Pelo visto, não há motivos para mudar. Talvez uma eleição mais difícil para o governo, e oposicionistas de maior qualidade, gerasse mais respeito do que esses aliados que sabem apenas pedir votos de carona.

Lição de jornalismo: A culpa é de quem cobra explicações e noticia fatos

Era uma vez uma prefeita que só queria fazer o bem e enfrentar o capital. Um dia, ela contratou artistas para uma festinha, e para ajudar esses trabalhadores explorados, pagou-lhes mais do que o normal. Acontece que a burguesia covarde, a imprensa servil e autoridades desocupadas queriam desestabilizar a prefeita e cobraram dela uma prestação de contas.

***
A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), concedeu entrevista especial para o jornal O Povo sábado passado, 14. O discurso é repleto de afirmações categóricas e inconsistentes. Sobre o caso Reveillon, Lins culpou terceiros, disse que não pode controlar tudo, que as matérias são requentadas, que há um complô entre instituições públicas e privadas para desacreditar o seu governo. Resumindo, responsabilizou a empresa responsável, a imprensa e a burguesia pela “celeuma” do superfaturamento. Num momento ímpar, a petista insinua que as autoridades deveriam se ocupar de investigar o mensalão. Abaixo, algumas passagens da entrevista em vermelho, seguidas de comentários meus em azul. Para ler a íntegra, clique aqui.

Arthur Ferraz [O Povo] - Prefeita, nesse aniversário de Fortaleza, a gente imagina várias situações para a cidade. O POVO trouxe hoje uma edição mostrando as promessas que foram feitas, muitas delas ainda não realizadas, problemas e virtudes de Fortaleza. (…) O que podemos esperar de presente para os 282 anos da cidade?
Luizianne Lins - Primeiro lugar, o fato de que essa cidade, inegavelmente, não é mais a mesma de quando assumimos há dois anos. Isso eu não tenho dúvida. Talvez, até, o mais ácido crítico da administração tenha consciência disso. Se não quer ver, aí é outro problema. Acima de tudo, a “Fortaleza Bela” é um outro olhar sobre a cidade e eu acho que todo fortalezense, hoje, tem um outro olhar sobre a cidade. A “Fortaleza Bela”, que é nossa utopia de cidade, que não está, que está para ser. É possível, é concreto, é real. (…).
Porque num sistema capitalista, onde a segregação se dá pela origem do sistema - está na raiz dele -, não se pode enganar o povo de que os problemas, principalmente os da pobreza, serão resolvidos com os recursos públicos municipais. (…).
Vamos lá. Primeiro a prefeita diz que a cidade não é mais a mesma, e que se deve desconfiar de quem não acredita nisso de olhos fechados. Depois diz que o seu projeto é uma utopia de cidade a ser concretizada (?), e termina dizendo que a Prefeitura não pode resolver os problemas do capitalismo malvado. Ora, ninguém pediu isso a ela. Nem isso, nem novos olhares poéticos. A população quer obras, serviços e transparência. Luizianne perdeu uma oportunidade de listar as realizações do seu governo, para dizer que o pouco que poderá fazer será feito no tempo eterno das utopias, ou seja, no futuro.

Arthur - É isso que eu lhe pergunto. Quando a senhora assumiu a Prefeitura, em janeiro de 2005, se fosse possível fazer uma perspectiva, era essa Fortaleza de hoje a que a senhora esperava ter para a população em 2007?
Luizianne - Nem eu acho que 2007, nem daqui a 2010, nem 2020. (…) Porque o processo de transformação, principalmente estrutural, de uma cidade como a nossa, que vive no semi-árido, que tem ainda o êxodo rural, que recebe 150 mil moradores a cada dois anos, que as políticas públicas muitas vezes não conseguem se adequar devido à velocidade de crescimento. Então, esta cidade que a gente sonha, esta “Fortaleza Bela” que está em construção, daí o slogan da Prefeitura é “você construindo a Fortaleza Bela”, porque nós fortalezenses sabemos que a cidade é bonita e morremos de orgulho dela. Pela beleza, pela hospitalidade. A coisa mais bonita na cidade é o nosso povo. É o povo, o desprendimento, a luta, a garra. Agora, que nós vamos deixar para a cidade uma outra forma de ver a cidade, de administrar o dinheiro público, eu não tenho a menor dúvida. E nesse momento nós vamos entrar nessa fase das grandes obras.

Essa foi para a galera. O povo é lindo e a cidade é também. No entanto, existem problemas de caixa… É muita gente e pouco dinheiro, meu Deus. A ex-vereadora (e ex-deputada estadual) somente agora percebeu que existem dificuldades orçamentárias na capital. Eu já sabia, e nem precisei ser eleito prefeito para descobrir isso. Antes o discurso de seus correligionários era outro: o problema não era falta de dinheiro, era a corrupção. Mais adiante, na resposta, o futuro volta a brilhar num amanhã grandioso. O “vamos entrar nessa fase das grandes obras” lembra certo “espetáculo do crescimento”. Faltam dois anos, vamos ver. Por fim, notem que além de uma “outra forma de ver a cidade”, o fortalezense pode constatar, segundo a prefeita, uma nova forma de administrar o dinheiro público. Talvez seja uma referência ao Orçamento Participativo, que é uma inutilidade. Talvez não seja nada.

Felipe Araújo - Quando a senhora assumiu, a Prefeitura estava numa situação muito debilitada do ponto de vista administrativo e financeiro. Nesses dois primeiros anos, o tom da sua gestão foi de arrumar a casa para que na segunda metade do mandato houvesse essa fase de intervenções urbanas. No entanto, a gente sabe que o segundo semestre de 2008 vai ser voltado para o processo eleitoral. Então, temos aí pouco mais de um ano para realizar obras extremamente relevantes. (…) É tempo suficiente para se realizar tantas obras de vulto?
Aqui não vou publicar a resposta de Luizianne. O próprio jornalista fez isso por ela. Ele é quem afirma que a gestão passada estava debilitada e que a atual resolveu o problema. Não citou valores nem nomes. Se os problemas administrativos e financeiros foram sanados, como ele afirma, é natural supor que haja dinheiro em caixa, e de tal forma, as obras “extremamente relevantes” serão construídas. Relevantes para quem? Para quem perguntou. Quando? No futuro, claro. Reparem no “temos aí pouco mais de uma ano para realizar obras extremamente relevantes”. “Temos” quem? O jornal e a prefeitura? O entrevistador e a entrevistada? É o que chamam por aí de isenção jornalística.

Felipe - Gostaria de colocar um outro assunto. É inegável que, com sua gestão, Fortaleza passou a respirar novos ares do ponto de vista da seriedade no trato com a coisa pública. No entanto, o episódio do Réveillon ainda causa muita celeuma, desperta muita polêmica pela cidade. E, no entanto, a Prefeitura ainda não conseguiu dar plenamente respostas à sociedade nesse sentido. O que falta para que esse episódio seja finalmente esclarecido?
Luizianne - O que eu acho é que há uma intenção de alguns setores da imprensa. Porque você sabe que a imprensa tem dono, a imprensa não é uma coisa livre como a gente sonha como jornalista e como a gente ensina para os nossos alunos. Ela tem donos e servem a interesses, dos donos - em especial. E você tem aí alguns donos da imprensa, juntamente com outros setores, que têm feito questão de desinformar a população e de apostar na desinformação.
De novo Felipe Araújo. De novo não seria necessária a resposta, pois a pergunta já traz embutida a sua própria refutação. Se a atual gestão está acima de qualquer suspeita, o superfaturamento na contratação de artistas no caso Reveillon só pode ser mesmo uma “celeuma”, uma “polêmica”. E se a Prefeitura, tão séria no trato com a coisa pública, como afirma o jornalista, ainda não explicou “plenamente” o episódio, podemos concluir que insistir demasiadamente nos pedidos de esclarecimentos é fruto de um mal-entendido ou de má-fé. Eu teria perguntado como é que se gasta cerca de 500 mil reais com um show da Elba Ramalho, e por quais motivos artistas locais alegam que ter recebido valores menores do que aqueles publicados no Diário Oficial corrigido. Só isso.

Quanto ao floreado da pergunta, o tiro saiu pela culatra. Luizianne reagiu como uma boa petista e responsabilizou a imprensa. A deixa para que a prefeita pudesse acusar os opositores criadores de “celeuma”, se transformou num pito geral, numa acusação generalista e vazia a respeito de “interesses” que ela não especifica. Se existem os “donos da imprensa”, que deliberadamente desinformam a população, os jornalistas que a entrevistaram, funcionários que são de empresa de comunicação privada, e portanto com dono, só podem ser, segundo a lógica da prefeita, serviçais desprovidos de ética. Ou só os donos dos outros jornais têm “interesses”? Bem feito. Para fazer justiça, na seqüência do assunto, outros repórteres, como Érick Guimarães, foram um pouco mais incisivos e pertinentes.

Novidades

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Governo para quê? Chamem a comunidade

Papagaios:
Eles não raciocinam, apenas repetem o que lhes ensinam…

Portal G1
Dedicação de professores garante ensino - No ES, professora dá aula para duas classes ao mesmo tempo e faz a merenda. No RN e no PR, diretoras ‘inspiraram’ comunidade a se dedicar às escolas.

Em diversas regiões do país, a dedicação dos professores é fundamental para garantir o ensino. Os educadores assumem múltiplas funções e acabam contagiando pais e alunos. O “Jornal Hoje”, da TV Globo, encontrou uma professora que, simultaneamente, dá aula para duas classes e faz a merenda e duas diretoras que mudaram a rotina das suas escolas. Para ler a matéria completa, clique aqui.

Vejam só. O fato noticiado prova que o sistema educacional brasileiro está no fundo do poço, que nossas crianças têm o futuro hipotecado, que as escolas públicas não possuem, ou não cumprem, procedimentos pedagógicos básicos. Mas a notícia publicada prefere enaltecer a “solução” improvisada, sem disfarçar um certo orgulho pelo jeitinho. Parece que cobrar os verdadeiros responsáveis não é uma atitude, digamos, pró-ativa.

Infelizmente esse tipo de distorção não exclusividade da Rede Globo. Os profissionais da emissora apenas amplificam, passivamente, os automatismos de uma manifestação cultural bem mais abrangente. Ou seja: repetem o que lhes ensinaram. Pensam assim porque não sabem pensar de outro jeito. É o mesmo mecanismo que transforma discriminação racial em luta de classes, reduzindo a questão a um falso litígio entre o branco explorador e o negro explorado; ou terroristas islâmicôs em agentes de resistência ao imperialismo.

Notem o subtítulo da matéria: “No ES, professora dá aula para duas classes ao mesmo tempo e faz a merenda. No RN e no PR, diretoras ‘inspiraram’ comunidade a se dedicar às escolas”. A idéia subjacente é a de que somente o voluntarismo da “comunidade” pode fazer as instituições públicas funcionarem, ao contrário da classe média e das elites econômicas, que sempre torcem pelo fracasso de tudo que possa melhorar o serviço público. Filho de rico estuda em escola particular. A impostura é óbvia, uma vez que a classe média também é vítima dos péssimos serviços ofertados pelo Estado. A diferença é que ela pode, com muito sacrifício, recorrer à iniciativa privada.

É o velho e dissimulado “nós” contra “eles”. Problemas de habitação? Deixa que a comunidade resolve e invade prédios. Propriedade privada é coisa de burguês. Violência? A comunidade tem ONG´s que não aceitam a redução da maioridade penal, pois a culpa é do sistema! E assim, a idéia de democracia representativa derrete sob o calor de tanto ativismo humanista. Cada qual que arrume suas soluções.

Mas… Quem ganha com isso? Vou responder com outra pergunta. Qual partido alega que somente os seus governos são populares? É ele mesmo, vocês acertaram.

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