Escolinha de doutrinação ideológica
“O ensino será ministrado com base nos princípios da liberdade – de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber – e do plurarismo de idéias e de concepções pedagógicas.” Constituição Federal, art. 206, II e III. Pois é… Nossos intelectuais precisam escolher entre o que determina a Carta ou o ativismo político-partidário.
Jornal O Povo:
O Encontro Regional de Estudantes de Comunicação (Erecom), que acontece de hoje até domingo no campus do Benfica, coloca em pauta o tema Cirandas – Um novo movimento superando as opressões.
Trata-se de uma entrevista com a professora de Ciências Sociais Alba Carvalho, da UFC, responsável por abrir os debates do encontro. A professora, que também integra uma tal Rede Universitária de Pesquisadores sobre a América Latina (Rupal) e do Laboratório de Estudos Marxianos (Lemarx), acredita que há uma indiferença da sociedade brasileira em relação às formas de “opressão”. Para ler a íntegra, clique aqui.
Definitivamente, a universidade pública brasileira abdicou do debate de idéias para aderir ao engajamento explícito e desavergonhado da doutrinação ideológica. Nem encontro de estudantes escapa à sanha da catequese do pensamento praticado abertamente em saula de aula por esses “agentes de influência”. A entrevista não passa de um resumo meia-bomba da Ideologia Alemã, de Karl Marx. O encontro, a começar pela terminologia dos temas propostos, é na essencialmente uma celebração do marxismo, pura propaganda conceitual. É… Tem gente que não consegue viver sem um opressor pra chamar de seu. O discurso de sempre, com a velha crítica ao capitalismo e a renovação da fé no mantra da luta de classes como explicação para as mazelas da alma humana. Opressão? Por que não falar nas forças criativas e empreendedoras liberadas pelo capitalismo? E o que os organizadores propõem? A volta do absolutismo monárquico ou a implantação do socialismo, sistema político e econômico fracassado, responsável por um democídio sem precedentes na história da humanidade? Coitados desses alunos. Provavelmente nunca irão saber que existem correntes de pensamento alternativas à doutrinação que lhes fazem. Pergunte a um deles o que pensam sobre da incompatibilidade entre liberais e conservadores dentro da direita. Não vão saber, pois direita, para eles, existe apenas como pecado.
A formação de militantes partidários na universidade pública condena o pensamento brasileiro a repetição automática de palavras de ordem inócuas. Hoje existe uma unanimidade sobre certas “interpretações”que apenas mistificam os problemas sociais brasileiros. Antonio Gramsci (comunista italiano) ensina que para o movimento de esquerda o intelectual não é definido pela erudição, mas pelo engajamento político. Não sou um intelectual; não por falta de vontade, mas de mérito, de disciplina mesmo. Apenas eu flutuo na órbita do conhecimento. Mas confesso que não quero a companhia da maioria dos nossos intelectuais. Antes só do que mal acompanhado. Sem eles, ou apesar deles, descobri Adam Smith, Eric Voegelim, Carlos Rosseli, Ortega y Gasset, Alexis de Tocqueville, Arnold Toynbee, Paulo Mercadante, José Guilherme Merquior, Roberto Campos e outros. Efetivamente, os intelectuais militantes podem atrapalhar a busca pela evolução do pensamento.