A praga da classe média
O argumento é frágil, pois toma o efeito pela causa. Na verdade, por não oferecer ensino de boa qualidade é a escola pública viu a classe média migrar para a particular. No fim, a classe média paga duplamente ao ser obrigada a sustentar um serviço ruim e ainda buscar a iniciativa privada para fugir dele. A questão então seria: A classe média abandonou a escola pública porque gosta de gastar dinheiro? Porque acha que paga poucos impostos? Porque é esnobe? E os políticos, como ficam? E os professores, são bons? São bem remunerados e estudam? O material didático é adequado ou não? Se não, é por culpa da classe média? Qual o papel da universidade? Nos orçamentos, as verbas destinadas ao ensino superior são proporcionais às do ensino médio e fundamental? Qual a responsabilidade dos pais desses jovens? As políticas compensatórias não bastam para que os filhos dos pobres estudem?
Se tem um lugar comum hoje em dia no Brasil é esse negócio de culpar a classe média por tudo. Chico Buarque, não faz muito tempo, a culpou pela violência. Alguns países já conseguiram eliminar (pela pobreza ou pelo assassinato) suas classes médias. O Cambodja, o Vietnã, a Coréia do Norte, Cuba, a Albânia… Todos se livraram dessa praga, fosse estatizando a propriedade privada (roubando), fosse fuzilando os infelizes. Invariavelmente esses governos combinavam esses métodos. E advinhem? Nenhum melhorou de vida, pelo contrário, afundaram no ostracismo, na violência, na tirania e na corrupação típica das sociedade em que só existem os pobres e uma elite burocrática, que o iuguslavo Milovan Djilas chamou de burgueses sem capital.