Governo para quê? Chamem a comunidade
Papagaios:
Eles não raciocinam, apenas repetem o que lhes ensinam…
Portal G1
Dedicação de professores garante ensino – No ES, professora dá aula para duas classes ao mesmo tempo e faz a merenda. No RN e no PR, diretoras ‘inspiraram’ comunidade a se dedicar às escolas.
Em diversas regiões do país, a dedicação dos professores é fundamental para garantir o ensino. Os educadores assumem múltiplas funções e acabam contagiando pais e alunos. O “Jornal Hoje”, da TV Globo, encontrou uma professora que, simultaneamente, dá aula para duas classes e faz a merenda e duas diretoras que mudaram a rotina das suas escolas. Para ler a matéria completa, clique aqui.
Vejam só. O fato noticiado prova que o sistema educacional brasileiro está no fundo do poço, que nossas crianças têm o futuro hipotecado, que as escolas públicas não possuem, ou não cumprem, procedimentos pedagógicos básicos. Mas a notícia publicada prefere enaltecer a “solução” improvisada, sem disfarçar um certo orgulho pelo jeitinho. Parece que cobrar os verdadeiros responsáveis não é uma atitude, digamos, pró-ativa.
Infelizmente esse tipo de distorção não exclusividade da Rede Globo. Os profissionais da emissora apenas amplificam, passivamente, os automatismos de uma manifestação cultural bem mais abrangente. Ou seja: repetem o que lhes ensinaram. Pensam assim porque não sabem pensar de outro jeito. É o mesmo mecanismo que transforma discriminação racial em luta de classes, reduzindo a questão a um falso litígio entre o branco explorador e o negro explorado; ou terroristas islâmicôs em agentes de resistência ao imperialismo.
Notem o subtítulo da matéria: “No ES, professora dá aula para duas classes ao mesmo tempo e faz a merenda. No RN e no PR, diretoras ‘inspiraram’ comunidade a se dedicar às escolas”. A idéia subjacente é a de que somente o voluntarismo da “comunidade” pode fazer as instituições públicas funcionarem, ao contrário da classe média e das elites econômicas, que sempre torcem pelo fracasso de tudo que possa melhorar o serviço público. Filho de rico estuda em escola particular. A impostura é óbvia, uma vez que a classe média também é vítima dos péssimos serviços ofertados pelo Estado. A diferença é que ela pode, com muito sacrifício, recorrer à iniciativa privada.
É o velho e dissimulado “nós” contra “eles”. Problemas de habitação? Deixa que a comunidade resolve e invade prédios. Propriedade privada é coisa de burguês. Violência? A comunidade tem ONG´s que não aceitam a redução da maioridade penal, pois a culpa é do sistema! E assim, a idéia de democracia representativa derrete sob o calor de tanto ativismo humanista. Cada qual que arrume suas soluções.
Mas… Quem ganha com isso? Vou responder com outra pergunta. Qual partido alega que somente os seus governos são populares? É ele mesmo, vocês acertaram.