Um direitista, com muito orgulho

Nem todos querem revolução, nem todos querem subverter a ordem em nome de uma aventura. Existem valores e princípios que a sociedade, ou parte dela, deseja preservar, como a família e o Estado de Direito. Esse é o papel da direita no debate político.

A vitória do conservador Nicola Sarkozy nas eleições presidenciais da França, país cuja intelectualidade, assim como no Brasil, busca fazer da esquerda a força política que detém o monopólio da ética (impostura monumental), é a prova de que há espaço para a direita reagir e se fortalecer, com argumentos próprios e claros.

No Estadão de hoje, uma artigo assinado pelo jornalista francês Gilles Lapouge resume bem o espírito de revisão dos franceses. No Brasil, o referendo sobre a proibição da venda de armas e a reaçao à tentativa do governo descriminalizar o aborto, demonstram que a sociedade brasileira aprova valores caros à direita, embora não tenha consciência formal disso.

Um direitista, com muito orgulho
O que é novo na brilhante vitória de Nicolas Sarkozy não é o fato de que é um homem de direita. Salvo François Mitterrand, todos os presidentes franceses do pós-guerra foram de direita – Georges Pompidou, Valéry Giscard d’Estaing, Jacques Chirac. O que é inédito é que Sarkozy, sem complexo nem vergonha, se declara de direita. E tem orgulho disso. Com voz emocionada, Sarkozy celebra os valores da direita: o trabalho, a honra, a pátria, a educação, a autoridade, a família. Se esta eleição marca alguma ruptura, é exatamente nessa reivindicação de uma direita tranqüila, de uma direita gloriosa, de uma direita conquistadora que não tem a consciência pesada.

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