Lente da verdade
O deputado Clodovil Hernandes (PTC-SP) e a deputada Cida Diogo (PT-RJ), protagonizam, desde a semana passada, uma briga pessoal cujo palco é o Congresso Nacional. O episódio era para ser irrelevante, mas a deputada insiste em transformar o caso numa causa pública em defesa das mulheres, contra a discriminação sexual e outras bandeiras que não têm nada a ver com o fato. O deputado Clodovil adora falar bobagens com um ar de sapiência de fazer inveja ao presidente Lula, outro eminente acaciano. Não raro, é chato e mal educado. E esse é o seu crime. Mas como o parlamentar é um sujeito que atrai atenções, vira um alvo perfeito para quem deseja aparecer patrulhando o pensamento alheio.
Transformar problemas pessoais em questões sociais é um fenômeno típico desses dias de vigilância politicamente correta. Critique um negro, e você é racista; discorde de um gay, e a acusação de homofobia é automática; peça leis mais duras contra criminosos e classificação de reacionário é inevitável. E quanto mais as reações causam barulho, patrocinadas por grupos organizados, mais receosos ficam as pessoas de emitir simples opiniões, mais controladas e dóceis elas ficam. É a ditadura das minorias. Querer fazer de um indivíduo a representação de um grupo é pura arrogância.
Sobre a briga dos deputados, vale à pena ler parte do artigo “Mulheres ofendidas”, da jornalista Christina Fontenelle, publicado no site do Diego Casagrande.
O deputado havia dito que “as mulheres ficaram muito ordinárias, ficaram vulgares, cheias de silicone e hoje em dia as mulheres trabalham deitadas e descansam em pé”. (…) O deputado pronunciou uma frase que se encaixaria como verdade para muitas mulheres. Para outras não. Mas, o fato é que Clodovil emitiu eminentemente uma opinião pessoal. E está ficando cada dia mais difícil e perigoso emitir opiniões pessoais a respeito do que quer que seja. (…)
Ofensa por ofensa às mulheres, entretanto, na minha opinião, ficou mais qualificada na atitude histérica da deputada Cida Diogo quando, aos prantos, subiu à mesa diretora da Câmara, informando ao deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), que presidia a sessão, que Clodovil havia falado palavras de baixo calão a ela dentro do plenário. Ora, a nobre deputada não luta por direitos iguais entre homens e mulheres? Mulheres não podem ouvir palavrões? Mas, o pior mesmo foi a histeria. É de costume ancestral dizer que mulheres, quando lhes findam os argumentos, desandam a chorar para “vencer” as disputas. (…)
O líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio (RJ), tomou a “dor das mulheres” e protocolou, no último dia 11 de maio, na presidência da Câmara uma representação contra o deputado Clodovil Hernandes por quebra de decoro parlamentar. (…) Para o líder do PT, “O deputado Clodovil desrespeitou de forma veemente a Constituição Federal, o Código de Ética e o Regimento da Câmara, incorrendo, sem prejuízo da responsabilização pela prática de crime, em quebra de decoro”. Eu vou omitir neste artigo o nome de algumas dezenas de colegas do deputado Luiz Sérgio que poderiam ser enquadrados nos crimes apontados por sua excelência, por práticas bem piores e muito mais lesivas ao Estado brasileiro. Não por delicadeza, não. É que, no momento, não tenho condições financeiras de ser processada.
2 Comentários
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By Kelly de Castro, 17/05/2007 @ 10:27
Olá Wanderley,
fiquei sabendo do seu blog após visitar o blog do Lúcio Alcântara. E concordo com vc e com a jornalista Christina Fontenelle. Não é chorando que conseguiremos respeito,e nem gritando mudaremos a opinião de quem quer que seja. Ficarei atenta ao seu blog. Parabéns.
Kelly
By Wanderley Filho, 20/05/2007 @ 19:17
Valeu, amiga.