Inocentes úteis

Dica de filme: A Queda - As última horas de Adolf Hitler (Alemanha/2004). Baseado no relato da secretária do Füher. Obviamente, a figura do chefe a fascinava. A moça, boa e gentil, era, na sua passividade, uma agente do mal. Aliás, na cena final, a própria secretária, já idosa, afirma não ter certeza se sua indiferença era mesmo ingenuidade, pois, no fundo, ela sabia o que acontecia. Alugem, é imperdível.

A lembrança do filme veio a propósito de um artigo publicado no O Povo deste sábado, assinado pelo professor de Economia Política Francisco Teixeira (UECE/Unifor), com o título Economia Solidária. Eis o trecho que me chamou a atenção:

“A economia solidária tem história. Vem de longe, desde os tempos em que os socialistas utópicos acreditavam que poderiam construir uma comunidade de produtores associados em oficinas e fábricas, cooperando como consumidores e administradores de suas próprias atividades. Julgavam que assim poderiam combater a sociedade capitalista, construindo dentro dela uma forma diferente de sociabilidade. Não foram muito longe. Sem tomar o poder político, será inexeqüível construir uma sociedade dentro da sociedade, como assim argumentava Marx, em 1864.”

Sem tomar o poder político? Tomaram sim. Na ex-URSS, na China, no Cambodja, em Cuba… Será possível que as pessoas não entendam o mal causado pela doutrina socialista? Não lhes bastam os mais de cem milhões de cadáveres produzidos no século 20? Este blog, no post Catecismo do Mal, mostrou a essência da formação moral e intelectual do gurus dessa turma:

É como diria Natchaiev, autor do Catecismo Revolucionário que levou Lenin à tomada do poder na Rússia: “Para se chegar aos fins pretendidos, será necessário incrementar o escândalo, o vício e a delação. Tudo deverá ser reduzido ao mesmo denominador comum. Provocaremos convulsões e o fundamental será o povo acreditar que temos consciência dos nossos objetivos igualitários. Espalharemos incêndios, criaremos lendas, daremos armas aos conspiradores. Então começará a desordem! O mundo marchará numa confusão jamais atingida. As trevas cobrirão tudo e a Terra chorará seus antigos deuses!”

Como é possível que alguém defenda isso? Ora, simples. Muitos nem sabem que o fazem, como a secretária de Hitler. Mas é preciso denunciá-los. E a única forma de desmascarar um argumento falso é denunciar seu efeito enganador, não importanto as boas intenções de seus propagandistas.

Lógica injusta

Jornal O Povo:
O Ministério Público do Estado do Ceará, através do promotor de Justiça José Francisco de Oliveira Filho, entrou, na última quarta-feira, com Ação Civil Pública Ambiental com pedido de liminar contra o Município de Fortaleza e o Grupo Jereissati. O MP requer a suspensão da obra de construção da Torre Empresarial Iguatemi. Pela ação, o grupo deverá demolir o que já foi construído do projeto na área do Cocó. Caso o dano ambiental seja irreversível, a multa será no valor de R$ 1,5 milhão. À Prefeitura foi solicitada a anulação da licença concedida pela Secretaria do Meio Ambiente e do Controle Urbano (Semam).

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Eu não entendo lá essas coisas de direito ambiental, mas de lógica sim. Dois dias depois do MP estadual e federal, além do Tribunal de Contas do Município, acusarem a Prefeitura de Fortaleza de improbidade no caso do réveillon, um procurador do estado quer impedir a construção de um prédio comercial que obteve a devida licença para a obra.

Obviamente, o procurador considera que a documentação para a liberação foi concedida de forma irregular. No entanto, ele considera que as partes envolvidas são igualmente responsáveis, o que é um engano. À Prefeitura cabe a análise e a condução de todo o processo burocrático, inclusive com inspeções, se for o caso. Ao interessado cabe cumprir as exigências do emissor legal. Como a acusação não fala em corrupção, a conclusão natural é que a licença, uma vez concedida irregularmente, induziu o licenciado ao erro. Ou seja, a responsabilidade pela aprovação da construção foi unica e exclusiva da Semam. Se é assim, por que cargas d’água o Grupo Jereissati deve pagar multa ou ser penalizado? E por que a Prefeitura não precisa, como agente responsável, pagar multa ao Estado e indenização aos prejudicados? Não faz sentido que o ente lesado pelo poder público seja punido por isso. É mais ou menos como um paciente ter que pagar por um erro médico. Claro que esse raciocínio só vale se for pertinente a acusação.

Não estou a insinuar que o procurador José Francisco esteja agindo de má-fé, que ele seja uma espécie de Luiz Francisco, o procurador federal que fez sucesso no governo FHC e que agora sumiu. Nada disso. Apenas registro que, conforme foi noticiado, a argumentação que baseia a referida Ação Civil Pública me parece um tanto açodada e ilógica.

Teatro de horrores

De Pedro Dias Leite, na Folha de São Paulo - Na primeira aparição em mais de duas semanas ao lado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é preciso ter o “cuidado de evitar que pessoas sejam execradas publicamente antes de serem julgadas”. O apoio público de Lula a Renan acontece um dia após uma reunião entre os dois, no Planalto, em que o senador pediu ajuda do petista para salvar-se no Conselho de Ética. (…) “A democracia garante que todos, sem distinção, são inocentes até prova em contrário e que, portanto, todos precisam ter um julgamento com a maior lisura possível, para que não se cometa nenhum erro de omissão e nenhum erro de exagero em qualquer das nossas instituições”, disse Lula, ontem.

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O melhor comentário sobre as afirmações do presidente em defesa de Renan Calheiros, foi do prefeito do Rio, César Maia (DEM), no seu informativo eletrônico: O QUE É ISSO LULA????!!!!!! Em boa parte dos casos, a justiça decide apenas qual a pena. Não, haver ou não condenação. Aliás, é assim em todos os crimes com flagrante. Esses marginais que espancaram a trabalhadora doméstica? Ainda não foram condenados. Servem como exemplo, Lula? Pare de falar besteira. O que antes passava como arroubos e improvisações, cinco anos depois é grotesco. Vai se perdendo o respeito!

Sobre a capacidade de Renan e seus pares submeterem o Senado Federal a um vexame histórico, leiam o esse trecho do blog do Reinaod Azevedo, da Revista Veja: …A desfaçatez e o festival de trapalhadas que seus aliados protagonizam, mesmerizando e paralisando a Casa, fazem supor, e indícios não faltam, que ele cobra dos aliados o apoio até a última gota de vergonha na cara. Ou, então, abrirá a sua caixa de Pandora. A conclusão é uma só: boa parte do Senado e o governo Lula são reféns de Renan.

Enfim, uma boa notícia para o Ceará

“Sempre discutimos em termos de idéias e com respeito mútuo. E é assim que entendo a veemência da intervenção do senador Tasso. Mais uma vez prevaleceu a sua capacidade de discernimento, de análise, de diálogo e de entendimento que foi tão importante para construir essa proposta”, disse Mercadante durante o debate da matéria, ao analisar a atuação de Jereissati. (Jornal O Estado)

A delcaração é do
do senador Aluísio Mercadante (PT-SP), ao comentar a aprovação do projeto que disciplina as Zonas de Processamento de Exportação - ZPEs, uma das quais será instalada no Porto do Pecém, no Ceará.

Prevaleceu o acordo entre o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmado por votação simbólica. “Quem ganha com isso é o País, que tem pressa em crescer para reduzir sua pobreza”, disse Tasso comemorando a aprovação do projeto por ele defendido desde quando era governador do Ceará.

Eis um exemplo de conduta política produtiva do governo e da oposição.

Caso Réveillon - Filme repetido

Se não houver jeito e as investigações se confirmarem, eis o destino do secretário de Turismo de Fortaleza. Como consolo, companhia não vai faltar. Para lá foram José Genuíno, Valdomiro Diniz, José Dirceu, Hamilton Lacerda e aloprados do dossiê fajuto, José Adalberto Vieira (o homem dos dólares na cueca), enfim, um monte de gente. É a solução final para preservar os chefes.

Confiram notícia publicada no blog do jornalista Eliomar de Lima:
CASO RÉVEILLON - PREFEITA JÁ ADMITE ABRIR INQUÉRITO ADMINISTRATIVO E AFASTAR SECRETÁRIO DE TURISMO - A prefeita Luizianne Lins (PT) anunciou, nesta quinta-feira, que deverá abrir um inquérito administrativo para apurar todo o processo em torno do réveillon da cidade, que acabou sendo alvo de ação civil pública com pedido de processo por improbidade administrativa solicitada pelos ministérios públicos federal e estadual à Justiça Federal. Esses organismos, após investigação que se desenrolou desde o fim de março último, solicitaram ação civil pública contra o secretário de Turismo de Fortaleza, Henrique Sérgio Abreu, e mais 15 nomes (pessoas e empresas que atuaram na realização da festa).

(…) Ela fez questão de dizer que confia totalmente na inocência do secretário Henrique Sérgio, mas reiterou que, caso a Justiça Federal acate o pedido de abertura de processo por improbidade administrativa, discutirá as providências.

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A situação complicou para a prefeita. A acusação de interesse eleitoral da oposição (o que é ligítimo, diga-se) caiu por terra, pois as instituições responsáveis pela apuraçao do episódio são eminentemente técnicas. Uma coisa já é certa e comprovada: a festa do réveillon não observou as leis de probidade administrativa. Por isso, a movimentação política agora é para tentar blindar a prefeita, transferindo a responsabilidade das irregularidades ao secretário de Turismo. É a estratégia de culpar subalternos, como se esses agissem às escondidas.

No começo, Luizianne desdenhou do caso, afirmando, categoricamente, não haver possibilidade de escândalo. Agora, diante das conclusões do MP e TCM, ela ensaia um recuo. Se o negócio apertar, não duvidem, a prefeita irá alegar que foi traída. Qualquer semelhança com o presidente Lula não é mera coincidência.

Colaboração do leitor

Este post é uma colaboração do estudante de jornalismo Güs Vieira, da Agência FA7. O blog agradece o apoio.

Cargos de confiança e corrupção

Há quase dois anos, em meio à crise do mensalão, o governo Lula prometeu reduzir o número dos chamados “cargos de confiança”. Esses cargos públicos, preenchidos por indicação política, representam a porta de entrada para a corrupção. [E para o aparelhamento da máquina por um partido].

Por esse motivo, os países desenvolvidos se empenham cada vez mais em reduzir e controlar esses cargos. Enquanto França e Reino Unido, possuem 500 e 700, respectivamente, cargos desse tipo, o Brasil disponibiliza nada menos que 21.440 vagas para apadrinhados políticos. E esse número vai aumentar.

Recentemente o governo não só anunciou a criação de mais 660 cargos, como pretende reajustou em até 139% os salários dos ocupantes destes postos. Economistas e analistas políticos condenam o loteamento de cargos por vários motivos. O custo é alto: R$528 milhões a mais por ano, a partir de 2008. Além disso, afastam os técnicos e funcionários de carreira de carreira, geralmente mais leais às necessidades da população do que a padrinhos políticos. [Não custa lembrar que o PT cobra um "dízimo" ao seus filiados que ocupam cargos de confiança].

Réveillon mal contado

Jornal Diário do Nordeste:
Caso Réveillon: Secretário de Turismo é denunciado à Justiça - Representantes dos Ministérios Públicos Federal e Estadual apontam irregularidades nos contratos do réveillon.

TCM inclui também a prefeita - O presidente da Corte de Contas municipais, Ernesto Sabóia, afirmou que até o próximo mês estará concluindo a tomada de contas especial em relação ao réveillon de Fortaleza, acrescentando que a principal diferença entre as investigações do TCM e do Ministério Público é a citação da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, no rol de responsáveis sobre os gastos com a festa do réveillon da Capital cearense.

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Ora, ora. O caso, tratado pela Prefeitura como futrica política da oposição, parece ser mais do que uma “celeuma”, expressão com a qual alguns jornalistas se referiram ao episódio. Até agora não se sabe como esse dinheiro foi gasto, embora a conta seja simples: basta que os custos anunciados batam com os recibos. Recursos não contabilizados? Delúbio Soares poderia ajudar a explicar.

Exercício mental
Imaginem a Câmara Municipal se isso acontece quando Juraci Magalhães era prefeito e Luizianne Lins vereadora. Imaginem as acusações que ela faria, projetando-as para o presente. Não descontem nada, nenhum adjetivo. Pronto. Muito provavelmente essas acusações bem explicariam o que aconteceu no réveillon.

Duas caras

Notícia postada no Blog do Eliomar de Lima:
Quem deve estar numa tremenda saia justa depois que o aumento salarial do Estado foi anunciado pelo governador Cid Gomes - linear de 3,55% - é o líder do governo na Assembléia Legislativa, Nelson Martins (PT). E quem não se lembra dos pronunciamentos cáusticos de Nelson a cada período de reajuste? Em 17 de junho de 2004, por exemplo, ele defendia em seu site de notícias um aumento de 30% para a categoria, quando naquele período o governo concedeu 5%. Em seu site também Nelson defendeu no dia 29 de junho de 2005 um aumento de 14%, mas o Estado acabou oferecendo 6%. Em 2006, em artigo veiculado no O POVO, o hoje líder do governo apregoava 16,6% como um bom percentual, mas o governo concedeu 6%.

Agora, pelo visto, Nelson Martins sabe a diferença do que é fazer discurso na oposição e estar com a responsabilidade de ser governo.

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Nelson Martins pedia 30% de aumento e agora oferece 3,5%. As informações revelam uma fraude perpetrada anos à fio. Um truque, ou nas palavras do presidente Lula, uma bravata. No Brasil, e isso é sintomático, é comum imaginar que a desonestidade relaciona-se apenas aos crimes que envolvam dinheiro.

As oposições de outrora que pediam reajustes impraticáveis não aprenderam a lição com a experiência no poder. Aliás, essa é a desculpa delas. Na verdade, seus membros sempre souberam que pediam o imposível apenas para constranger os adversários. E isso é desonestidade. Agora que são governo, falam em responsabilidade como se fosse algo novo. Mudam de discurso e de postura sem dar explicações, sem reconhecer que estavam errados. Isso também é desonestidade. E que ninguém se iluda! Quando voltarem ao papel de opositores, os bravateiros retomarão as cobranças descabidas, alegando que não fizeram porque foram sabotados pelas elites rancorosas, ou algo assim.

O inusitado disso tudo é que os tucanos não podem explorar a incoerência, pois também apóiam o governo Cid Gomes. A omissão, em certos casos, também pode ser uma forma de desonestidade.

Artigos indicados

Seguem abaixo os links para dois artigos que merecem divulgação. O primeiro, do filósofo Olavo de Carvalho, trata da engenharia moral que ampara a retórica de um esquerdista. O segundo, do advogado Hugo Bellini, aborda a questão do referendo proposto pela prefeita de Fortaleza, com ironia e lógica. Para conferir ambos os textos na íntegra, basta clicar nos títulos.

Como debater com esquerdistas - por Olavo de Carvalho, filósofo, no Diário do Comércio.

O revolucionário [esquerdista] sente-se membro de uma supra-humanidade ungida, portadora de direitos especiais negados ao homem comum e até mesmo inacessíveis à sua imaginação. Quando você discute com um esquerdista, ele se apóia amplamente nesses direitos, que você ignora por completo. A regra comum do debate, que você segue à risca esperando que ele faça o mesmo, é para ele apenas uma cláusula parcial num código mais vasto e complexo, que confere a ele meios de ação incomparavelmente mais flexíveis que os do adversário. Para você, uma prova de incoerência é um golpe mortal desferido a um argumento. Para ele, a incoerência pode ser um instrumento precioso para induzir o adversário à perplexidade e subjugá-lo psicologicamente. Para você, a contradição entre atos e palavras é uma prova de desonestidade. Para ele, é uma questão de método.

Onde fica a lei? - por Hugo Bellini, advogado, no jornal O Povo.

Referendos são uma importante ferramenta de participação popular e creio que ninguém discordará que os usamos muito pouco no Brasil - embora alguém possa objetar, não destituído de total razão, que sua eficácia por aqui é comprometida pelo fato da maioria da população ter acesso a, quando tanto, uma única fonte de informações (leia-se telejornal) e quase nenhum preparo para analisá-las criticamente, haja vista a “qualidade” da educação oferecida por este país. Mas não serei eu o tacanho a me insurgir contra os meios democráticos de participação popular avocando alguma suspeitada burrice geral e suposto despreparo da população para decidir politicamente.

Covardia e violência não têm classe social

O caso da empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, 32 anos, brutalmente agredida por seis jovens de classe média alta no Rio de Janeiro, revoltou o país. Ao prestar depoimento, um deles tentou justificar o ato, dizendo ter confundido Sirley com uma prostituta.

Em situações como essas, especialistas vão a programas de televisão para explicar quais os motivos que levam jovens endinheirados a cometer crimes. Como resposta, psicólogos, médicos, sociólogos, jornalistas e políticos elencam uma série de possíveis causas: Leniência dos pais, traumas da infância, conflitos da adolescência, desfunções orgânicas e mentais, instabilidade emocional nos lares, cultura da violência, e por aí vai. Claro que esse e muitos outros fatores influenciam, mas devem ser vistos como agravantes ou atenuantes, pois o principal não pode ficar em segundo plano. A verdade é que eles fizeram o que fizeram porque quiseram. E é por isso mesmo que devem pagar.

O crime revolta por conta da covardia. No entanto, não falta quem queira transformar tais atos em luta de classes. Por isso essa conversa de que, um vez ricos, não haveriam motivos compreensíveis. É um vício que nos faz perder um tempo enorme. Se fossem pobres, haveria justificativa? Claro que não, embora muitos afirmem que a pobreza impele jovens ao crime. Repito: O argumento da posição social pode servir como atenuante ou agravante, nunca como determinante. Pobres e ricos avaliam seus atos individualmente, por mais que o meio atue sobre eles. A isso chamamos de foro íntimo.

Para a turma “progressista” que adora culpar a sociedade de consumo por tudo, é preciso encontrar um motivo que não desmistifique a origem social da violência. Se fossem desempregados de algum subúrbio, aí estaria tudo em seu lugar, tudo explicado, seriam agentes de uma revolta contra o sistema de exclusão, uma reação contra a concentração de renda etc. Isso é PRECONCEITO disfarçado de solidariedade! A rigor, o crime cometido contra Sirley desmonta esse discurso.

Os mauricinhos de Brasília devem ser punidos tal como o jovem da periferia que agride para tomar um tênis. O caráter não possui classe social, religião, nem filiação partidária. Há ricos bem nascidos que são criminosos e pobres que são honestos e íntegros. Vejam só que ironia: Eu, que não sou de esquerda, é que prego a igualdade. Cada um deve arcar com as consequências dos seus atos, sem distinção.

Pesquisa CNT/Sensus: Imagem de Lula permanece positiva e estável

Matéria de Renata Giraldi, na Folha Online:

O índice de aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela população é o segundo melhor desde 2005, aponta pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira. De acordo com a pesquisa, 64% disseram aprovar o presidente. O resultado ficou estável em relação à pesquisa anterior, realizada em abril, quando 63,7% tiveram a mesma opinião. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O índice de desaprovação também ficou estável: 29,8% contra 28,2% do levantamento anterior. Para ler texto completo, clique aqui.

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“As pessoas gostam de sofrer?” É isso o que perguntam aqueles de desaprovam o presidente. Para completar: “Depois de tudo ainda acreditam nele?” A reação é compreensível, sobretudo se feita aos formadores de opinião. Mas ocorre que o resultado da pesquisa não surpreende, pela conjunção de três fatores de fácil percepção: 1) ausência de oposição competente; 2) blindagem eficaz da figura do presidente; 3) o viés populista do bolsa-família.

O terceiro fator é o mais conhecido. Enquanto houver fôlego para a distribuição de dinheiro, a popularidade do presidente tem um piso garantido e elevado. O problema é que tais políticas, sem portas de saída, tendem a aumentar os gastos públicos progressivamente, e cortá-los será um trauma. Mas isso é lá no futuro. Já o segundo fator depende muito do primeiro. As oposições debatem todo e qualquer assunto nos termos definidos pelo governo e pelo PT. Não conseguem demarcar o ponto de ruptura, como fez o presidente Sarkozy na França. Sempre que um escândalo atinge o presidente, os próprios partidos da oposição pedem cuidado e moderação, preocupados com a governabilidade. Assumem o ônus dos erros alheios.

Todas as crises originadas por pessoas do Planalto foram habilmente transferidas para o Poder Legislativo, ou para o Judiciário, ou até para as Forças Armadas, como no apagão aéreo. O resultado dessa pasmaceira é a estabilidade na avaliação de um presidente que chegou a ser considerado carta fora do baralho, uma vez que seu governo patrocinou o maior escândalo político da história do país. Ironicamente, especialistas apontam a economia como o principal fator para os resultados da pesquisas, enquanto o Brasil amarga o penúltimo lugar do crescimento econômico na América Latina.

Redução de danos ou apologia às drogas?


Artigo publicado no O Povo desta segunda, assinado pelo advogado José Herman, toca num assunto delicado: a relação entre políticas públicas de redução de danos e o consumo de drogas.

O título do texto é Seringas e cachimbos. E o primeiro parágrafo, que reproduzo em itálico, vai direto ao ponto:
Um tal Programa de Redução de Danos (PRD) planeja a ”distribuição de seringas descartáveis e de cachimbos de vidro para usuários de drogas (heroína, cocaína e crack).´´ A medida poderá ser executada em Fortaleza, com o aval do Ministério da Saúde. Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) poderão fornecer, mensalmente, cerca de 4.200 kits às pessoas dependentes de drogas, como medida de “profilaxia dos vírus HIV e da hepatite”. A notícia causa indignação pelo fato de auxiliar de forma direta o uso de drogas ilícitas e pelo desconhecimento dos administradores da saúde em matéria de “prevenção ao uso de drogas”. Em nossa cidade existem clinicas públicas destinadas ao “tratamento” dos dependentes químicos? Onde? Nos Caps, exatamente onde se promoverá a oferta de instrumentos (Kits) para dependentes se drogarem? - Para ler o artigo completo, clique aqui.

O raciocínio de quem defende a distribuição do kit é o seguinte: Uma vez que existem viciados, é inevitável que esses procurem a droga, posto que há oferta, malgrado o combate das forças policiais. Como dependência química é doença, e como os usuários de drogas compõem grupo de risco para doenças infecto-contagiosas, trata-se também de uma questão de saúde pública. Sendo assim, dada a realidade, é preciso que o Estado atue para amenizar os efeitos do problema. Até aí, concordo. O negócio é quando se confunde redução de danos com estímulo ao crime. Tô fora. Distribuir seringas para o consumo de drogas? Isso é apologia pura. Aposto que os traficantes aprovam a medida. Talvez até possam indicar, nos papelotes de cocaína, onde seus clientes podem adquirir o kit.

Não bastassem “cantores” de rap idolatrando o consumo de drogas, agora mais essa. Lugar de reduzir danos é em clínicas de tratamento e através de campanhas informativas que COMBATAM o uso dessas substâncias. Vale lembrar também que o comércio dessas substâncias financia o crime organizado. Uma outra pergunta pode ser feita. Se alguém morrer de overdose consumindo drogas com seringas fornecidas pelo governo, isso não é crime?

Catecismo do mal

Sergei Netchaiev -1847-1882 - Essa foto, de baixa qualidade, é uma das poucas imagens na Internet desse anarquista russo, famoso por suas atitudes terroristas. Influenciou muitos militantes, entre eles Lênin, a trilharem esta via através de sua obra O catecismo revolucionário, onde prioriza métodos de guerrilha e de formação de grupos de afinidade com intenções revolucionárias. A figura do mártir revolucionário que usa de quaisquer meios para os fins desejados, tem grande destaque nos seus escritos.

Tenho que confessar: está cada vez mais difícil acompanhar e comentar os escândalos de corrupção e incompetência, que agora se sucedem semanalmente. Há também a questão da violência, que no Brasil exibe números muito superiores que de muitas guerras civis. Uma sensação de impotência e desolação toma conta das pessoas.

Sobre isso, quero compartilhar trecho do texto de Ipojuca Pontes, publicado no site do jornalista gaúcho Diego Casagrande. Segue abaixo, em itálico

E sejamos justos: salvo exceção, a sociedade já perdeu a noção do que seja a palavra decência nos escaninhos do poder. Parte da população considera tudo perfeitamente compreensível, pois “a vida é mesmo assim”, sendo considerado idiota quem não entrar na dança. Nos seus cadernos do cárcere, Antônio Gramsci ressaltava a importância de se usar as prerrogativas da liberdade da democracia representativa para se chegar ao comunismo. Na “guerra de posições” adotada pelo partido hegemônico, o importante, como passo inicial, é pulverizar os valores éticos e morais que alicerçam os pilares da democracia burguesa para, em seguida, esmagá-la sem derramar gota de sangue. Assim, a corrupção, ou o estado aético em vigência, não passa de um instrumento estratégico na “transição para o socialismo”, com o qual seria viabilizado em definitivo o projeto totalitário de poder.

É como diria Natchaiev, autor do Catecismo Revolucionário que levou Lenin à tomada do poder na Rússia: “Para se chegar aos fins pretendidos, será necessário incrementar o escândalo, o vício e a delação. Tudo deverá ser reduzido ao mesmo denominador comum. Provocaremos convulsões e o fundamental será o povo acreditar que temos consciência dos nossos objetivos igualitários. Espalharemos incêndios, criaremos lendas, daremos armas aos conspiradores. Então começará a desordem! O mundo marchará numa confusão jamais atingida. As trevas cobrirão tudo e a Terra chorará seus antigos deuses!”

No caso brasileiro, qual é a dúvida?

Eficiência administrativa

Notícia da Agência Estado: Pela 8ª vez, Lula pede o fim da crise nos aeroportos do País. Clique aqui para ler texto completo. Abaixo, o calendário da eficiência governamental.

6 de dezembro de 2006 - Lula pede ação de auxiliares para conter crise
21 de dezembro de 2006 - Lula culpa companhias aéreas por atrasos
23 de dezembro de 2006 - Presidente promete pôr fim à crise em um dia
27 de março de 2007 - Lula pede hora e data para fim da crise
31 de março de 2007 - Lula fala em solução para o problema em 3 dias
2 de abril de 2007 - Lula chama controladores de irresponsáveis e pede solução definitiva
4 de abril de 2007 - Presidente diz que caos não se repetirá

Blog do Wanfil
Sobre o assunto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, ontem, que não há caos aéreo. E que os problemas de atraso são o preço do progresso. Isso mesmo, segundo Mantega, crescemos tanto que não seguramos a onda. Depois dessa, tomo emprestado o título de um artigo de Arnaldo Jabor: Mais respeito com a mentira!

O show de jornalismo do Jornal Nacional e da Veja

Agora o Brasil conhece o decoro de Renan Calheiros, presidente do Senado Federal, bem como a eficiência do Conselho de Ética da instituição.

Não fossem a Editora Abril, com a revista Veja, e a Rede Globo, com o Jornal Nacional, Renan e companhia não teriam com o que se preocupar. Curiosamente, esses são os veículos informativos mais criticados por certos setores, notadamente entre os apoiadores do governo federal. Toda vez que um ou outro insiste em investigar casos de corrupção, são acusados de parcialidade ou de golpistas.

Nas faculdades de comunicação, falar mal de Veja e do JN garante aos acusadores uma reputação de crítico independente. Da mesma forma, elogiá-los não pega bem, e o rótulo de moralista cínico é inevitável. Não que a revista e o telejornal não errem, ou não possam ser criticados. O problema é a predisposição para sempre fazer isso, automaticamente, apenas para reforçar a um discurso influente, o esquerdismo de resultados.

Para os que assumem essa postura, isento são Caros Amigos e Carta Capital, dois noticiosos que, não por acaso, são grandes anunciantes de propaganda governamental. A depender da qualidade e isenção da cobertura jornalística que fazem, os brasileiros pensariam, por absoluta falta de notícias, viver na Finlândia, o país com menor índice de corrupção no mundo. É fuga e servilismo. Veja e Globo neles.

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