Tucanos no muro

Ficar escondido atrás do muro, espiando os acontecimentos por cima, é uma maneira evitar riscos e de não assumir compromissos. Tal procedimento pode garantir, num primeiro instante, pequenas vantagens. Mas com o tempo, a imagem que se consolida é a da falta de convicções, e consequentemente, a do descrédito.

O programa Ronda do Quarteirão tem sido alvo de uma discussão sobre a política de segurança no Ceará. O governo Cid Gomes elaborou um edital para a compra de veículos para o patrulhamento nas ruas. O texto exige tantas especificidades, que somente o carro Hilux pode contemplá-las.

O deputado Heitor Férrer (PDT) critica o edital alegando o princípio da economicidade, ou seja, o parlamentar afirma que existem carros semelhantes e mais baratos que poderiam ser usados. Já o deputado Nelson Martins (PT), líder do goerno na Assembléia, defende o edital, com o argumento de que as exigências visam um serviço de maior qualidade.

O distinto público pode concordar ou não com esses deputados e seus partidos. O eleitor pode conferir, às claras, a atuação dos seus representantes. Mas… E os tucanos?

O que pensam os tucanos cearenses? Ensaiaram um defesa tímida do programa, mas depois sumiram. Parece que aguardam para ver o que acontece. Mais uma vez reforçam a impressão de que são eternos indecisos. Pode ser medo; é mais provável, no entanto, que seja quase um automatismo, um mau-hábito. Querer agradar a todos é sempre um erro.

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