O verdadeiro alvo do referendo – ou Imagem é tudo

Quem acompanhou o noticiário sobre a realização do referendo proposto pela Prefeitura de Fortaleza acerca de uma construção privada, sabe da inviabilidade jurídica da consulta. Além do empreendimento ser perfeitamente legal, como atesta a própria Prefeitura, a opção configura distorção abusiva da lei, com o intuito de perseguir adversários.

Sendo inviável o referendo da forma que foi sugerido, outras leituras rapidamente apareceram: teria sido vingança, fruto de um impulso colérico da prefeita contra o tucano Tasso Jereissati, em virtude do escândalo do Reveillón ; ou uma pegadinha para ver quem os Ferreira Gomes apoiariam; ou apenas uma denúncia contra a “legislação permissiva” e a favor da ecologia etc. Pode ser que essas questões tenham influenciado a decisão de Luizianne Lins, mas se foram, figuram apenas como adornos decorativos, como acessórios, pois o principal motivo é outro.

A perguntas que devemos nos fazer são: 1) O que faz uma autoridade constituída arriscar a própria reputação numa batalha impossível de ser vencida? 2) Que ganham seus partidários com isso?

A resposta é simples. Quem age assim sabe possuir a simpatia dos formadores de opinião, que se recusarão a ver algo desabonador no ato, salvo honrosas exceções. No máximo, e muito a contragosto, dirão que foi um erro bobo. Hoje mesmo, no O Povo, a procuradora Élia Rocha, do Ministério Público estadual, assina artigo acusando o Shopping Iguatemi de ter destruído parte do Parque do Cocó. Ora, a região era uma salina… No mesmo jornal, um anúncio do shopping apresenta o geólogo Reginaldo Leal, uma das maiores autoridades do Estado no assunto, constatando que o espaço foi “esplendorosamente” recuperado. Isso nos dá uma idéia de quanto o assunto já fugiu de sua questão central, que é a legalidade da proposta e, mais a fundo, os objetivos políticos que a impulsionam.

Quanto à segunda indagação, seus partidários conseguem aquilo o que na verdade sempre quiseram: difamar o inimigo, como estratégia política, desgastando-o, invertento os papéis, para transformar os agredidos em agressores da lei. De quebra, o grupo político de Luizianne consegue fazer sombra a um outro assunto, esse sim, mal explicado: as contas do Reveillón da capital.

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