Catecismo do mal

Sergei Netchaiev -1847-1882 - Essa foto, de baixa qualidade, é uma das poucas imagens na Internet desse anarquista russo, famoso por suas atitudes terroristas. Influenciou muitos militantes, entre eles Lênin, a trilharem esta via através de sua obra O catecismo revolucionário, onde prioriza métodos de guerrilha e de formação de grupos de afinidade com intenções revolucionárias. A figura do mártir revolucionário que usa de quaisquer meios para os fins desejados, tem grande destaque nos seus escritos.

Tenho que confessar: está cada vez mais difícil acompanhar e comentar os escândalos de corrupção e incompetência, que agora se sucedem semanalmente. Há também a questão da violência, que no Brasil exibe números muito superiores que de muitas guerras civis. Uma sensação de impotência e desolação toma conta das pessoas.

Sobre isso, quero compartilhar trecho do texto de Ipojuca Pontes, publicado no site do jornalista gaúcho Diego Casagrande. Segue abaixo, em itálico

E sejamos justos: salvo exceção, a sociedade já perdeu a noção do que seja a palavra decência nos escaninhos do poder. Parte da população considera tudo perfeitamente compreensível, pois “a vida é mesmo assim”, sendo considerado idiota quem não entrar na dança. Nos seus cadernos do cárcere, Antônio Gramsci ressaltava a importância de se usar as prerrogativas da liberdade da democracia representativa para se chegar ao comunismo. Na “guerra de posições” adotada pelo partido hegemônico, o importante, como passo inicial, é pulverizar os valores éticos e morais que alicerçam os pilares da democracia burguesa para, em seguida, esmagá-la sem derramar gota de sangue. Assim, a corrupção, ou o estado aético em vigência, não passa de um instrumento estratégico na “transição para o socialismo”, com o qual seria viabilizado em definitivo o projeto totalitário de poder.

É como diria Natchaiev, autor do Catecismo Revolucionário que levou Lenin à tomada do poder na Rússia: “Para se chegar aos fins pretendidos, será necessário incrementar o escândalo, o vício e a delação. Tudo deverá ser reduzido ao mesmo denominador comum. Provocaremos convulsões e o fundamental será o povo acreditar que temos consciência dos nossos objetivos igualitários. Espalharemos incêndios, criaremos lendas, daremos armas aos conspiradores. Então começará a desordem! O mundo marchará numa confusão jamais atingida. As trevas cobrirão tudo e a Terra chorará seus antigos deuses!”

No caso brasileiro, qual é a dúvida?

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