Pesquisa CNT/Sensus: Imagem de Lula permanece positiva e estável

Matéria de Renata Giraldi, na Folha Online:

O índice de aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela população é o segundo melhor desde 2005, aponta pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira. De acordo com a pesquisa, 64% disseram aprovar o presidente. O resultado ficou estável em relação à pesquisa anterior, realizada em abril, quando 63,7% tiveram a mesma opinião. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O índice de desaprovação também ficou estável: 29,8% contra 28,2% do levantamento anterior. Para ler texto completo, clique aqui.

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“As pessoas gostam de sofrer?” É isso o que perguntam aqueles de desaprovam o presidente. Para completar: “Depois de tudo ainda acreditam nele?” A reação é compreensível, sobretudo se feita aos formadores de opinião. Mas ocorre que o resultado da pesquisa não surpreende, pela conjunção de três fatores de fácil percepção: 1) ausência de oposição competente; 2) blindagem eficaz da figura do presidente; 3) o viés populista do bolsa-família.

O terceiro fator é o mais conhecido. Enquanto houver fôlego para a distribuição de dinheiro, a popularidade do presidente tem um piso garantido e elevado. O problema é que tais políticas, sem portas de saída, tendem a aumentar os gastos públicos progressivamente, e cortá-los será um trauma. Mas isso é lá no futuro. Já o segundo fator depende muito do primeiro. As oposições debatem todo e qualquer assunto nos termos definidos pelo governo e pelo PT. Não conseguem demarcar o ponto de ruptura, como fez o presidente Sarkozy na França. Sempre que um escândalo atinge o presidente, os próprios partidos da oposição pedem cuidado e moderação, preocupados com a governabilidade. Assumem o ônus dos erros alheios.

Todas as crises originadas por pessoas do Planalto foram habilmente transferidas para o Poder Legislativo, ou para o Judiciário, ou até para as Forças Armadas, como no apagão aéreo. O resultado dessa pasmaceira é a estabilidade na avaliação de um presidente que chegou a ser considerado carta fora do baralho, uma vez que seu governo patrocinou o maior escândalo político da história do país. Ironicamente, especialistas apontam a economia como o principal fator para os resultados da pesquisas, enquanto o Brasil amarga o penúltimo lugar do crescimento econômico na América Latina.

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