Siderúrgica não é favor
O presidente Lula estará amanhã em Fortaleza. Segundo os jornais locais – todos eles – uma grande expectativa sobre um provável anúncio da siderúrgica agita o mundo político. Oposição e situação não arriscam um comentário definitivo. A ordem é esperar para ver.
Sobre isso, o experiente jornalista Alan Neto, do O Povo, escreveu na coluna semanal Vale-Tudo: “O presidente Lula, que estará aqui terça, na abertura de um evento, deverá dar um ponto final na irritante novela da siderúrgica para o Ceará. Todos acreditam que sim. Quem confiar levante o braço. Só tem uma coisa. Se, mais uma vez, Lula empurrar com a barriga, como fez com a Sudene, corre o risco de ser vaiado.”
Eu também só acredito vendo. Não se trata de má vontade, é experiência. Há cinco anos o Ceará não vê uma obra federal. A refinaria foi para Pernambuco e o Metrofor parou. No entanto, depois que o presidente conseguiu defender Renan Calheiros, duvido que hajam vaias. Como eu já disse, o país está entorpecido.
Sim, uma promessa vaga pouco significará. Mas é preciso atentar para outro aspecto do imbróglio. Do jeito que a coisa é tratada pelos aliados de Lula no Ceará, parece que uma decisão favorável ao fornecimento do gás pela Petrobrás é benevolência governamental, quase uma caridade, fruto da corajem do presidente. Isso é uma tremenda inversão de papéis. Na verdade, Lula é DEVEDOR e o Ceará CREDOR de um contrato moral. Cumprir promessas não é favor, é quitar compromissos, é obrigação.
Comentando sobre a siderúrgica neste blog, sugeri, há muito tempo, o filme “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte. O personagem Zé do Burro morreu para cumprir a promessa que fizera ao santo. Ele dava valor à palavra empenhada.