Quando a Redução de Danos é uma droga
Um artigo assinado pela senhora Raimunda Félix de Oliveira, Coordenadora da Política Municipal de Redução de Danos de Fortaleza, foi publicado O Povo de quinta (05/07). O título é sucinto: Redução de Danos (clique aqui para ler versão completa), e fala sobre a distribuição de seringas para viciados em drogas. Vejam trechos:
“[O Programa de Redução de Danos] reconhece o direito e o dever de escolha e estimula a responsabilidade de cada pessoa; realização de ações de educação em saúde que promovam novos modos de relação com as drogas. (…) A distribuição de kits de redução de danos são um dos recursos para acessar usuários que não podem, não querem ou não conseguem parar de usar drogas. O conteúdo dos kits varia conforme o programa, porém a maioria contém seringas, ampolas com água para diluir, recipientes para preparar, lenços umedecidos para desinfecção e camisinhas, material informativo com explicações sobre a necessidade de não compartilhar seringas e de usar o preservativo nas relações sexuais.”
Não sei o que seriam “novos modos de relação com as drogas”. Talvez seja uma maneira mais, digamos assim, segura de as consumir. É isso? Até onde entendo, usar drogas SEMPRE É UMA OPÇÃO! Os que se tornam dependentes, naturalmente, arcam com uma das terríveis consequências dessa escolha. E devem, claro, ser ajudados da forma CORRETA. Garoto, ainda na escola, fui apresentado à maconha, e na universidade novamente. Em ambos os casos minha decisão foi não experimentá-la para evitar a possibilidade do vício. Virei o “careta”. Na segunda vez, argumentei dizendo preferir cerveja, que possui controle de qualidade, gera impostos, além de ser menos danosa, desde que você não seja alcóolatra. A resposta dos maconheiros: “Você é um institucionalista”. Pois é. No fundo, os que posam de bem pensantes e que gostam de um baseado ou de uma carreira, sei lá eu, glamourizam o uso de drogas como “combate ao sistema”, uma espécie de inconformidade. Querem tranformar o crime do qual são adeptos numa ideologia política. Mas voltemos ao texto da coordenadora, que já me desviei.
Que direito de escolha é esse? De fato, o usuário de drogas fez uma opção, mas ela não pode ser legitimada como se fosse uma decisão inofensiva à sociedade. Trata-se de crime grave! De financiamento do crime organizado! De colocar armas nas mãos das crianças utilizadas pelos traficantes! Por que ajudar, com dinheiro público, quem escolheu a marginalidade?
A senhora Raimunda, provavelmente, tem boas intenções. Mas vocês sabem como é o ditado a respeito: delas, o inferno está cheio. A redução de danos é um dever moral, claro. Mas deve ser trabalhada no sentido de desestimular as causas desse mal. Em praça pública, o negócio é distribuir informativos demonstrando o perigo que essas pessoas causam a si e aos outros. De resto, a proposta tem que ser trabalhada em CENTROS DE RECUPERAÇÃO e em AMBIENTES DE SAÚDE, onde os alvos certos, aqueles que, usando o seu direito de escolha desejam se recuperar, podem ser atendidos. Pergunto: Quanto centros de recuperação são financiados e mantidos pelo SUS ou pela Prefeitura? Distribuir kits de seringa para viciados é banalizar a redução de danos. É a solução fácil que não resolve nem ameniza o problema.
Para terminar, que já me estendi, refaço uma indagação que postei no dia 25 de junho passado (Redução de danos ou apologia às drogas?): E se alguém morrer de overdose consumindo drogas com seringas fornecidas pela Prefeitura? Isso não é crime? É redução de danos? É legítimo?