Amigo da onça

Os jornais do Ceará noticiam a mais recente crise do PT local. Vamos ao caso. O governador Cid Gomes (PSB), apoiado pelos petistas, anunciou um aumento de 3,5% para os servidores públicos. Diante da reclamação dos sindicatos, grupos do partido ensaiaram uma rebelião contra o governo, pedindo um aumento maior. No entanto, o que parece novidade e disputa, é truque velho. Explico: Quando oposição, o PT exigia aumentos impossíveis para qualquer categoria, principalmente os funcionários públicos, que têm mais poder de greve por conta da estabilidade. O objetivo era constranger o governo adversário, enganando a opinião pública. Uma vez eleito (o partido fez o vice-governador) – os petistas não concedem o que pediam aos outros (eram valores inexequíveis), e ainda por cima oferecem percentuais menores do que aqueles que crmiticavam.

O mais bonito vem agora. Quando sente que a ação governamental pode lhe causar prejuízos na imagem, a sigla trata de dar voz a uma dissidência interna qualquer (para isso existem as tais correntes). Logo depois, parte dos filiados busca a imprensa para dizer que não concorda com o próprio governo. Falam e falam, mas nunca rompem. A lógica é simples: deixar para o parceiro o ônus da governabilidade, e portanto das decisões impopulares, para ficar apenas com o saldo positivo – se houver um.

O PT não aceita comprar briga pelos outros. Nunca será para Cid o que o PPS foi para Tasso, pelo simples fato que sua vocação é ter o poder sozinho.

Nunca antes ou antes nunca?

O jornalista Themístocles de Castro e Silva assina um artigo publicado sábado (7) no jornal O Povo que merece registro pela lucidez e lógica. Sob o título “O fiasco de uma visita”, o texto do experiente articulista analisa os efeitos da visita presidencial ao Ceará. Confiram uma parte:

Esse tal PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) é mais uma lorota do governo Lula. Por que, nos primeiros quatro anos de mandato, não cuidou do crescimento do País? Pelo contrário, foi nesse período que o Brasil, em matéria de crescimento, só não conseguiu superar o Haiti. Se não cresceu, não há nada a acelerar. Diante do fracasso dos primeiros quatro anos, o governo criou o “mais planejado programa de investimentos já feito no País”. É a falsa retórica do “nunca se fez isso”, quando o governo fracassou até no programa de tapar buracos nas estradas.

PS. Este blog afirmou que o discurso de Lula não passou de uma nova rodada de promessas. É o governo do eterno porvir, cujos verbos são cantados sempre no futuro do presente: faremos, investirá, inaugurará, queremos. O tempo passa e o “nunca antes” das falas do presidente tornam-se, paulatinamente, em “antes nunca”.

Comunicado

Problemas de acesso à internet impediram a atualização do blog. Tudo resolvido, vamos em frente.

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