Amigo da onça
Os jornais do Ceará noticiam a mais recente crise do PT local. Vamos ao caso. O governador Cid Gomes (PSB), apoiado pelos petistas, anunciou um aumento de 3,5% para os servidores públicos. Diante da reclamação dos sindicatos, grupos do partido ensaiaram uma rebelião contra o governo, pedindo um aumento maior. No entanto, o que parece novidade e disputa, é truque velho. Explico: Quando oposição, o PT exigia aumentos impossíveis para qualquer categoria, principalmente os funcionários públicos, que têm mais poder de greve por conta da estabilidade. O objetivo era constranger o governo adversário, enganando a opinião pública. Uma vez eleito (o partido fez o vice-governador) – os petistas não concedem o que pediam aos outros (eram valores inexequíveis), e ainda por cima oferecem percentuais menores do que aqueles que crmiticavam.
O mais bonito vem agora. Quando sente que a ação governamental pode lhe causar prejuízos na imagem, a sigla trata de dar voz a uma dissidência interna qualquer (para isso existem as tais correntes). Logo depois, parte dos filiados busca a imprensa para dizer que não concorda com o próprio governo. Falam e falam, mas nunca rompem. A lógica é simples: deixar para o parceiro o ônus da governabilidade, e portanto das decisões impopulares, para ficar apenas com o saldo positivo – se houver um.
O PT não aceita comprar briga pelos outros. Nunca será para Cid o que o PPS foi para Tasso, pelo simples fato que sua vocação é ter o poder sozinho.