Homem da luta do povo

Duas propostas de emenda à Constituição – uma de iniciativa do senador Marco Maciel (DEM-PE) e outra do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) – que tratam da fidelidade partidária e do final das coligações proporcionais nas eleições em todo o Brasil, deixaram de ser votadas devido pedido de vistas do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE).

As propostas, com pareceres favoráveis do relator Tasso Jereissati (PSDB-CE). Com o pedido de vistas, as matérias serão votadas somente depois do recesso parlamentar de julho, quando se espera a retomada da discussão e votação da reforma política.

Blog do Wanfil
O senador Inácio Arruda, eleito graças ao apoio do presidente Lula, tem se notabilizado pela atuação, digamos, pragmática. Já defendeu o senador Renan Calheiros (afirmou ser tudo uma questão meramente política), foi omisso no caso da siderúgica, e agora tenta postergar a reforma política.

Uma coisa é certa: o sistema partidário no Brasil não serve. Mas o PC do B de Inácio é contra as reformas por se beneficiar da frouxidão reinante, que permite que siglas inexpressivas dividam espaços com partidos maiores. Os partidos de aluguel, que servem apenas a interesses pessoais, existem porque pequenos partidos com tradição (PCDOB e PDT, por exemplo), não querem perder a boquinha, mesmo que não tenham voto.

Se a mensagem de um partido não desperta o interesse de uma parcela significativa da sociedade, que essa sigla se resigne com sua pequenez. Ou então que atualize suas propostas. Não pode é ficar como está. Ô Inácio!

Só não vê quem não quer

ATENÇÃO: O QUE SEGUE ABAIXO NÃO É UMA OPINIÃO! É RESULTADO DE UM ESTUDO RESPEITADO E QUE POSSUI MÉTODO. Depois dizem que é pessimismo, ou inveja. Alguns, mais afoitos, negam e chegam a afirmar que “nunca antes nesse país” houve tanto combate à corrupção.

Leiam notícia da
BBC
Brasil tem pior controle da corrupção em 10 anos, diz Banco Mundial

O controle da corrupção no Brasil atingiu em 2006 o seu pior patamar em dez anos, de acordo com um estudo divulgado nesta terça-feira pelo Banco Mundial (Bird). Segundo o relatório Assuntos de Governança, do Bird, o índice de controle de corrupção “mede a extensão em que o poder público é usado para ganhos privados, incluindo pequenas e grandes formas de corrupção, assim como o ’seqüestro’ do Estado pelas elites e pelos interesses privados”. O índice brasileiro de controle de corrupção caiu para 47,1 em 2006, em uma escala que vai de zero a cem. Em 2000, o país chegou a ter um índice de 59,1.

O estudo do Bird – que faz parte de um projeto que reúne indicadores de boa governança mundial – avaliou 212 países segundo seis critérios diferentes. Além de controle de corrupção, o Brasil também piorou nos últimos anos nos índices que avaliam a eficiência do governo, a qualidade dos marcos regulatórios e a força da lei.

O índice que avalia a eficiência do governo – a qualidade dos serviços públicos, a independência do governo e a implementação de políticas – mostra que o Brasil vem caindo desde 2003. O índice passou de 60,7, naquele ano, para 52,1, em 2006. O índice de eficiência do governo só foi inferior a isso em 1996 (47,4), primeiro ano avaliado pelo Banco Mundial.

(…) O índice da qualidade dos marcos regulatórios – que, segundo o Bird, mede a habilidade do governo de formular e implementar leis que estimulam o setor privado – também caiu no Brasil entre 2003 e 2006: de 62,9 para 54,1. A força da lei – que avalia a confiabilidade da polícia e dos tribunais – também piorou no Brasil, segundo o Banco Mundial. O indicador brasileiro caiu de 50, em 1996, para 41,4, em 2006 – o pior índice da história.

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