Aviação – Todos expostos à ineficiência e ao descontrole

Sobre o sistema aéreo brasileiro, o jornalista Alexandre Garcia comentou, dia 06.07.2007, no Bom Dia Brasil:

Aqui, a gente aceita o medíocre em quase tudo, porque não costuma comparar com o que é bom.

Por exemplo, nos Estados Unidos há mais de 30 grandes companhias aéreas; aqui só duas. Lá, quatro mil aviões com mais de 90 lugares; aqui, não chegam a 300. E não conseguimos administrar isso. Imprevidência no crescimento da demanda; amadorismo e descaso no trato com os passageiros, que ainda têm que ter o desprazer de serem chamados de usuários; incompetência para resolver uma crise que já dura nove meses.

Segundo a CPI, o Ministério da Defesa não consegue coordenar os órgãos estatais envolvidos. Talvez seja, quem sabe?, uma missão para a nova Secretária de Ações de Longo Prazo. No país sem trem, o passageiro não tem sequer alternativa, como tem na Europa. Fica na dependência do acaso, do descontrole. Clique aqui para ler o texto original.

Caos aéreo: qualquer acidente levanta suspeitas

Desastres aéreos costumam gerar comoção. Um misto de incredulidade e compaixão toma conta do país. O acidente com o avião da TAM tem levantado inúmeras hipóteses sobre suas possíveis causas. Duas ganharam destaque imediato: falta de estrutura física no aeroporto ou falha do piloto. A rigor, poucas certezas podem ser contabilizadas. Entre elas, destaque para duas: 1) o piloto acelerou a aeronave depois de estar no solo, não se sabe o motivo; 2) a pista NÃO TINHA CONDIÇÕES DE RECEBER VÔOS COM TEMPO CHUVOSO. Essa segunda certeza já implica em sérias responsabilidades.

Contexto
Embora investigações dessa natureza demorem (o acidente com o avião da Gol, ocorrido 10 meses atrás, ainda não foi esclarecido, não obstante os apagões aéreos), é impossível deixar de contextualizar o acidente no ambiente de caos aéreo que todos conhecemos. Há um clima de medo rondando os que precisam voar no Brasil, bem como seus parentes e amigos.

E a simples constatação de que há uma suposição geral sobre a influência da incompetência e o descaso das autoridades no caso, basta para denunciar a fragilidade da administração pública, fazendo do governo federal, que administra os aeroportos e o espaço aéreo, um suspeito.

Culpa
Dessa vez não vai dar para culpar pilotos estrangeiros ou os controladores de vôo. E agora? Depois do acidente da Gol, nada foi feito. Nada. O ministro da defesa, Valdir Pires, é um retumbante fracasso, mas o governo insiste em mantê-lo no cargo e transferir a responsabilidade pela crise no setor a terceiros. Lula já prometeu e cobrou solução inúmeras vezes, mas não sabe o que fazer, a não ser falar, falar, falar.

Anotem aí: é bem provável que apenas o piloto, falecido no acidente, seja o único responsabilizado pelo acontecido.

Teoria da conspiração

Ainda sobre as vaias ao presidente Lula, evento mais que banal na vida de um político comum, mas intensamente perturbador para um populista, é bom perceber que redes de influência trabalham para transformar a insustentável tese de conspiração numa verdade incontestável. É claro que para isso vale distorcer qualquer imagem, pronunciamento, gesto ou coisa que o valha, para produzir uma suposta capaz de “comprovar” a marmota.

Cedo ou tarde, caro leitor, você vai se deparar com algum texto ou mensagem indicando um vídeo do YouTube, onde as vaias teriam sido “ensaiadas”. No fim deste post indico o link para o vídeo, basta clicar nele.

Naturalmente, não é necessário ser gênio para saber que vaia não necessita de “ensaio”. Tivesse sido entoada uma música cuja letra criticasse o governo, seria menos risível a hipótese da manipulação. Mas para gritar apenas a voga U, bastaria uma combinação prévia, de preferência secreta, para que os envolvidos agissem. Não é lógico?

O vídeo, que não mostra um “maestro” indicando momento ou posição, ou algum sinal de comando da locutora, apenas prova que a vaia a Lula na abertura foi a segunda manifestação de rejeição, tão espontânea quanto a primeira, no ensaio.

http://www.youtube.com/watch?v=GlQkKsSwAwY

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