Charge

Por J. Marcos, no Diário do Aço (MG)

Caos aéreo: oposição voando

Ninguém deve esperar que o maior acidente aéreo da história do país vire um caso de polícia. Isso não vai acontecer. Trezentas pessoas morreram e dificilmente alguém responderá criminalmente por isso. Dessa forma, é imperioso entender que as implicações políticas do caso devem ser canalizadas para produzir efeitos práticos, uma vez que o governo é inoperante diante do medo generalizado causado pelo caos aéreo.

Prevendo essa possibilidade, os governistas se apressaram em acusar de “exploração indevida”, qualquer menção à responsabilidade das autoridades públicas no caso. O ideal, o bom mesmo, é que todos chorem seus mortos em silêncio obsequioso, esperando laudos e perícias, desculpas e tergiversações. Mas em vez de reagir, a oposição aceita a manobra retórica e – percebam – POLÍTICA.

Leiam o alerta de Olavo de Carvalho, no Diário do Comércio:
Não havendo uma direita capaz de liderar a revolta popular contra o pior governo brasileiro de todos os tempos, essa revolta será muito provavelmente capitalizada pelo mesmo esquema esquerdista que o gerou. Se o próprio Lula tiver de ser sacrificado para esse fim, não haverá aí surpresa nenhuma. Criar o fantoche custou caro, mas quem vai pensar em economizar dinheiro numa hora dessas?

Ciro, Tasso e Aécio: o xadrez sucessório

Revista Veja dessa semana, por Felipe Patury:
Estranho no ninho 1 – Tasso Jereissati, presidente do PSDB, disse aos senadores do seu partido que Ciro Gomes joga para a platéia quando se lança à sucessão de Lula. Ciro sonha ser vice numa chapa encabeçada por Aécio Neves. E Tasso, como era de esperar, é um entusiasta dessa solução. Estranho no ninho 2 – Agora, é o PDT que assedia o governador Aécio Neves. Em sua mineirice, Aécio não diz que sim nem que não e nem mesmo que talvez.

Blog do Wanfil
O mundo da política é prodigioso na produção de “balões de ensaio”, que são notícias e especulações cujo objetivo é analisar as reações do público para situações futuras, ou a veiculação cauculada de informações falsas para confundir adversários e forçá-los a tomar decisões erradas. O trabalho do analista político consiste em separar as primeiras das segundas, baseado, de preferência, na boa teoria política, na perspicácia e na lógica, além de fontes seguras.

Sobre a notícia de Veja, uma coisa é certa: a informação não surgiu à toa. Faz parte, e a revista certamente cumpre o seu papel. Pode ser uma ação combinada entre os aliados Tasso e Ciro, para repercutir no PT. Pode ser o PSDB buscando azedar as relaçãoes entre o PT e o PSB. Ou quem sabe, seja uma questão interna do PSDB, fruto da disputa entre Aécio e Serra. De concreto, o desejo de Aécio e Ciro em postularem a cadeira de Lula.Por fim, pode ser que Ciro prepare um afastamento do PT. O xadrez da sucessão começou.

Não somos racistas

Sobre a questão das cotas raciais no Brasil e no Ceará (leia post abaixo), uma boa leitura, com tabelas e gráficos bem estruturados, é o livro Não Somos Racistas, lançado no final do ano passado pelo jornalista e sociólogo Ali Kamel, que é também diretor de jornalismo da Rede Globo.

O livro alerta o leitor justamente para o perigo de perdermos a noção positiva da miscigenação de raças que houve no Brasil, devido ao pensamento bicolor que busca dividir o país apenas entre brancos opressores e negros oprimidos. Num país em que no pós-Abolição jamais existiram barreiras institucionais contra a ascensão social do negro, num país em que os acessos a empregos públicos e a vagas em instituições de ensino público são assegurados apenas pelo mérito, num país em que 19 milhões de brancos são pobres e enfrentam as mesmas agruras dos negros pobres, instituir políticas de preferência racial, em vez de garantir educação de qualidade para todos os pobres e dar a eles a oportunidade para que superem a pobreza de acordo com os seus méritos, é se arriscar a pôr o Brasil na rota de um pesadelo: a eclosão entre nós do ódio racial, coisa que, até aqui, não conhecíamos”, afirma Kamel.

Os cearenses são racistas?

No jornal O Povo deste domingo, o jornalista Fábio Campos informa: No bojo da reforma da Constituição estadual, está um pacote com duas emendas estabelecendo cotas raciais no ensino superior do Ceará. Uma é da OAB. Outra é de autoria do deputado estadual Dedé Teixeira (PT). As duas serão discutidas em audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia da Assembléia, agendada para 13 de agosto.

A coluna de Campos continua: Quem já se posiciona acerca da polêmica questão é o professor Tarcísio Pequeno, professor titular da UFC e consultor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Pequeno considera a política de cotas “absurda e inepta” e faz uma provocação à seção local da Ordem dos Advogados do Brasil: “Porque a OAB não adota desde já o sistema de cotas, de 50%, no seu exame para o credenciamento de advogados? Reforma começa em casa. Não fazê-lo é uma flagrante inconsistência”. Com a palavra, a OAB. Comentário: a Universidade é o espaço do conhecimento. Uma coisa é política de inclusão social. Outra é o ensino superior. A entrada no terceiro grau deve ser meritória e não um direito. É assim no mundo inteiro. O problema está exatamente nesse ponto: em vez de melhorar a escola pública para que os mais pobres possam disputar vagas nas universidades públicas, o País começa a instituir cotas raciais. Pior quando isso é feito num País onde o conceito de raça é impreciso. Fosse sério, as cotas seriam de renda e não pela cor da pele.

Blog do Wanfil
Já perceberam que quase todo mundo adora fazer caridade e reparar injustiças com dinheiro público? Assim é fácil e todos ficam felizes, embora os problemas continuem no mesmo lugar, insolúveis. Campos acerta o alvo. A questão de cotas nas universidades esconde dois problemas: 1) as pessoas não são barradas no ensino superior pela origem racial; mas pela precariedade de suas condições sociais – ou seja, não entra porque é pobre e precisou estudar em escola pública; 2) transformar um caso de ineficiência do estado, incapaz de fornecer ensino fundamental de qualidade, em questão racial, é transferir um problema real para o terreno de uma hipótese equivocada.

WordPress Themes