Opinião de Lula sobre os aeroportos brasileiros (vídeo)

Assistam ao vídeo no qual o presidente, na campanha pela reeleição, assume a responsabilidade integral pelo estado dos aeroportos, inclusive o de Congonhas.

Nas mãos de Deus

Finalmente o inoperante ministro da Defesa Waldir Pires foi demitido. Suas credenciais para o cargo que ocupava eram a amizade com o presidente e a afinidade ideológica com o PT. No seu lugar, Nelson Jobim, que já foi ministro da Justiça no governo FHC e presidente do STF. É um político do PMDB, vamos ver no que vai dar.
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Na solenidade de nomeação de Jobim, Lula pediu a Deus para que não aconteçam outros acidentes com aviões no mundo. Reconhecendo a impossibilidade do pleito, e como bom ex-sindicalista, ele tentou negociar: Que o próximo acidente não seja no Brasil. Infelizmente, não podendo dar garantias disso, restou-lhe a constatação de que um acidente envolve “muitas coisas”.

Acredito que Deus não interfere em certos assuntos. Aos homens as consequências de seus aotos, essa é a lei. Mas por via das dúvidas, faço o mesmo caminho: Que Deus nos livre de presidentes e ministros incompetentes!

Parece neutro, mas não é

Recebi por e-mail um texto reproduzido no site Último Segundo, do portal IG. É na verdade uma reportagem atribuída ao jornal Valor Online, que discorre sobre as opiniões diferentes a respeito das causas acidente com o avião da TAM. O título é “Abismo social divide opiniões sobre a crise”. Não encontrei a matéria no Valor Online. De qualquer forma, importa destacar que o texto serve de exemplo por contribuir para politizar a tragédia, e a favor do governo, diga-se. Sua introdução sustenta uma teoria política fajuta de que o acidente opõe classes socias, supostamente justificada por uma série de depoimentos de alguns entrevistados. Os depoimentos selecionados variam entre a critica e o apoio ao governo, sempre com a informação de que os críticos votam no PSDB ou nulo, e os defensores votam no PT. Com efeito, essa “isenção”, no fim, sugere que toda critica ao governo possui interesse eleitoral. Transcrevo, em vermelho, algumas passagens do texto, que é longo (para ler o original, clique aqui), entremeadas por comentários meus, em azul.

Pelo céu e pela terra, eles estão conectados a Congonhas. Uns, com maior poder aquisitivo, utilizam-no para comparecer aos seus compromissos de trabalho ou para fazer turismo no País ou no exterior. Outros, que nunca o utilizaram, moram na favela Águas Espraiadas, a mais próxima ao mais movimentado aeroporto brasileiro. (…) No abismo social que as diferencia, uma única passagem de avião custa mais do que o mês inteiro de trabalho dos vizinhos de Congonhas. Esse abismo também está retratado nas opiniões sobre os culpados pela crise aérea.
A proposta do texto reside aí: transformar o acidente numa variante da luta de classes. De um lado, a elite que utiliza serviços aéreos, de outro, a massa que não pode comprar passagens. A última frase, que destaquei em negrito, prepara o terreno para o que vem. O tal abismo social se reproduz nas opiniões colhidas de forma aleatória (ou não) na matéria. Vamos adiante.

Na favela, ao contrário [dos passageiros nos aeroportos], a crise não colou no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para os moradores ouvidos -a maioria de eleitores petistas – o principal responsável é a Infraero, principalmente por ter liberado a pista para pouso antes do completo término da reforma. Medida tomada, segundo eles, após grande pressão das companhias aéreas. O governador paulista, José Serra (PSDB), e o prefeito Gilberto Kassab (DEM), são tidos como “oportunistas” por usar o local da tragédia para fazer críticas ao governo federal.
É claro que ainda não colou. Não deu tempo. É fácil deduzir que a opinião formada sobre a responsabilidade do governo ainda não contaminou os estratos sociais mais periféricos. Isso é científico – a opinião se alastra do centro para as pontas – mas o texto quer mistificar o fenômeno, dando-lhe um certo sentido de classe que, não por acaso, combina direitinho com as desculpas do governo federal. Por algum motivo que ignoro, os autores do texto reforçam a tese de que a responsabilidade da Infraero não implica em responsabilidade do presidente. No fim, a referência ao prefeito e ao governador de São Paulo é absolutamente maldosa. Nem um nem o outro não têm nada a ver com o acidente.

Considerações
A coincidência entre a abertura da reportagem e os argumentos do governo, indica um movimento de defesa. Essa será a base da contra-informação que buscará barrar a formação e a consolidação de uma opinião que prejudique a imagem do governo Lula. Nesse momento, a notícia sobre o acidente é de conhecimento geral, no entanto, a opinião formada sobre o assunto demora alguns meses para se firmar. O objetivo da argumentação exposta na matéria é evitar essa propagação. Fiquem atentos.

O argumento central que busca reeditar a surrada luta de classes é igual ao utilizado no mensalão. Os ricos, chateados com tanta justiça social, usam o episódio da tragédia para perseguir o presidente que nunca erra, por meio da imprensa burguesa.

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