Discriminação não tem cor nem sexo

Diário do Nordeste, coluna Comunicado:
Os Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro são destaque no noticiário, mas nem por isso o Superior Tribunal de Justiça se sensibilizou com ação ao carateca Renan Affonso Fiorillo Andrade. Sem patrocínio, ele se habilitou pelo desempenho ao Programa Bolsa-atleta, do Governo Federal. Mas não pode receber os R$ 750,00. Sabe por quê? Porque é homem. É que Renan empatou com uma candidata ao benefício. E o critério para escolha, em casos assim, estabelece que deve ser priorizado o sexo feminino. Depois, há quem reclame de desigualdades e de machismo.

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Quando escutamos falar em discriminação, imediatamente associamos essa palavra a certos grupos: negros, homossexuais, mulheres e judeus, entre outros. E não é para menos, pois cada um desses sofreu ou ainda sofre algum tipo de perseguição mundo a fora. Ocorre que o automatismo com que fazemos essas ligações indica um condicionamento mental perigoso, uma acomodação do pensamento crítico que favorece a todo tipo de distorções e manipulações. O resultado é que muitos imaginam que somente esses grupos são vítimas de preconceito ou de discriminação e, por inversão, que seus contrários, os brancos, heterosexuais, homens e cristãos, são, invariavelmente, causadores desses males. Confunde-se o ato com os atores.

Vejam o caso do sujeito que perdeu o Bolsa-atleta por pertencer ao gênero masculino. Trata-se de um homem branco vítima de preconceito, embora não pertença a nenhuma minoria organizada. Não há ONGs ou parlamentares bonzinhos para defendê-lo. Com efeito, a discriminação, ao contrário do preconceito, não está na cor ou no sexo das pessoas, está nos atos de segregação e proibição que as atinge. Outros critérios poderiam ser usados, como idade ou quantidade de títulos, ou mesmo condição social.

As cotas para negros nas universidades se enquadra perfeitamente como discriminação. É a institucionalização do racismo como elemento discricionário contra os brancos. Às vezes, o lenga-lenga politicamente correto termina por legitimar como justo aquilo que, em essência, é injusto. Como dizia Shakespeare: “O diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém.”

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